“Faço o que é bom para mim”

Esse texto é dirigido para as pessoas que são livres o suficiente para escolhem serem manipuladas pelo sistema egoísta, racista e colorista, mas não para problematizar as questões sociais dentro do movimento de resistência negro.

Fomos inseridos em um sistema capitalista onde o egoísmo é mais que bem visto, é necessário. Antes de achar que o mundo foi criado em cima desse sistema, leia um livro de sociologia e veja que até a wikipédia tem mais informação sobre o assunto do que você. Sendo o egoísmo base social desse sistema, muitos “argumentos” são embasados no “faço o que é bom para mim”. Vamos falar da resistência negra que existe no Brasil na atualidade.

O racismo, a visão eurocentrada e colorista ainda são tão presentes no Brasil, apesar de ser o 2° país com mais negros do mundo, é tão forte que foi uns dos últimos a abolirem o sistema afro-escravagista. Não precisa ser um puta estudioso para enxergar que o racismo no Brasil é gritante, basta ver nos documentos públicos a opção “pardo” para assinar. A resistência sempre existiu, mas foi quase apagada em 1891 pela queima de documentos de Rui Barbosa sob alegação do escravagismo negro ser uma mancha para o Brasil(claro, os problemas são resolvidos sob base de censura, sempre. Só que não), e durante muito tempo foi mascarada(metade dos santos católicos brasileiros são orixás africanos, pasmem) de todas as formas, ou apropriadas culturalmente para que possam ser validadas como cultura(e apenas quando brancos exercem que é cultura, do contrário é coisinha de selvagem). Atualmente, com bastantes conquistas, já podemos pelo menos dizer “sou negro”, você sempre vai ouvir alguém negando isso, nem que seja seu pai ou mãe brancos ou negros, mas poder, pode. Mas ainda tem muito a lutar, e umas das ondas de empoderamento bastante discutidas são as de assumir o cabelo crespo e namoro afro-centrado como resistências culturais, abolição das palavras “pardo” ou “morena”. Só que as pessoas não enxergam isso como atos políticos, elas ficam sob o pretexto de que “amor não se escolhe(NÃO ESTOU ENTRANDO EM QUESTÕES DE GÊNERO, NEM DA SOLIDÃO DE MULHERES FORA DOS PADRÕES QUE NÃO POSSUEM ESCOLHAS –  obesas, deficientes, etc)”, “acho liso mais bonito/menos trabalhoso” e finalmente “faço o que é bom para mim”. Amor e noções de estética são construções sociais, assim como essa visão de “faço o que é bom para mim”. Na história de Zumbi dos Palmares de Renato Lima, alguns dados históricos são citados:

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Por mais que tenha uma romantização por tratar-se de literatura, e os dados históricos em maioria ser esmagadora oral por causa da destruição de Rui Barbosa, há exemplos de pessoas que morreram pelo que se acredita na história da humanidade aos quilos.

Então, mais da metade das pessoas abriram mão de viver alforriados em sua vila para morrerem em nome dos outros dos seus? Essa é a nossa história de resistência, pessoas morreram sabendo que iam morrer para que você estivesse aqui onde está. Morte, elas perderam a vida, e escolheram isso para libertar nossos ancestrais, para que nós fossemos livres como somos agora. E você utilizando o argumento egoísta de “faço o que é bom pra mim” para não participar das formas de resistência mas colher frutos dela passando por cima de todos que morreram pra que você estivesse aqui? Não é só estética, não é só falsa concepção de amor como algo que “acontece”, não é só a bosta do arJumento de que somos iguais perante Deus. É política, é resistência, é valorização da identidade cultural que constrói o que você é, é ter plena certeza de que você tem escolhas. É enxergar que quanto mais de nós nos reconhecemos negros, quanto mais de nós nos assumirmos negros de todas as formas possíveis, quanto mais de nós entendermos os problemas das palavras coloristas que utilizamos para nos identificar mais forte a nossa resistência vai ficar, mais aceitação todo o nosso grupo vai ter, e que se não nos unirmos, todos nós ficaremos prejudicados. Você simplesmente é um ou uma egoísta filho da puta que está muito confortável no espaço que pessoas morreram de forma cruel para conquistar e que brancos a todo momento tentam apagar, diminuir, mostrar que se você vive é por esmolas dadas por eles, mas existem os que valorizam as conquistas fazendo o possível para resistir. Passar por cima de várias pessoas para que você faça o que é bom para você não só te tira do protagonismo da luta como atrapalha para que ela avance. E se ela avança pela resistência de outros, você está lá para colher os frutos certinho, já que você sempre está disposto a fazer o que é bom para você.

Leituras importantes para o entendimento do texto:

Cabelo crespo como ato político

http://blogueirasnegras.org/2014/11/21/o-uso-do-cabelo-natural-como-ato-politico/

Amor afro-centrado

http://blogueirasnegras.org/2014/06/10/amor-afrocentrado/

Amor inter-racial e a falsa democracia racial

http://cnncba.blogspot.com.br/2008/11/relaes-inter-raciais-falsa-democracia.html

Relações inter-raciais, isso não é sobre o amor

http://blogueirasnegras.org/2013/05/10/relacoes-inter-raciais-isso-nao-e-sobre-amor-2/

Amor afro-centrado e inter-racial

http://www.revistacapitolina.com.br/familias-afrocentradas-e-inter-raciais/

Síndrome de Cirilo e a solidão da mulher negra

http://blogueirasnegras.org/2013/06/14/sindrome-de-cirilo-e-a-solidao-da-mulher-negra/

Sobre colorismo

http://blogueirasnegras.org/2013/05/20/a-face-racista-da-miscigenacao-brasileira-2/

Mulher negra como fetiche http://blogueirasnegras.org/2013/05/29/elogio-racista/

Resistência dos símbolos

http://blogueirasnegras.org/2013/11/27/tirem-maos-simbolos-luta/

A solidão da mulher negra e o casamento afrocentrado vs interracial

http://blogueirasnegras.org/2014/10/14/so-o-amor-afrocentrado-cura-e-liberta/

Vamos parar com essa porra de pardo?

Pardo não é etnia. Pardo é um termo social que os brancos criaram para definir os negros que são “aceitáveis”. Quando uma pessoa diz que ela é parda ela não está se autoafirmando, mas negando o fato de ser negra, aceitando a visão do dominador em cima dela de que ser negro é algo ruim. Geralmente em um casamento interracial, quando o pai ou a mãe é branca – se for de uma época mais antiga – eles vão insistir para você que você não é negro, mas pard@, moren@, eles vão construir uma nova raça em cima da sua cor. Isso porque somos coloristas, ser negro é algo muito ruim na nossa cultura. Então para amenizar, nos separam por cores, para nos enfraquecer, quanto mais longe de “negro”, melhor. Quando se é caucasiano, se é apenas branco. Não existe “vermelhos”, “acinzentados”, é apenas branco. Agora se é negro, existe moreno, pardo, preto, mameluco, cafuzo, mulato, afins. Tudo porque “negro” é algo muito ruim, ser preto é horrível, por isso vamos criar n “eufemismos”. Acontece que para os caucasianos, existem os brancos e as pessoas de cor. Nisso, pessoas de cor são os índios nativos, os afrodescendentes, os “amarelos”(referência aos asiáticos e esquimós), “hispânicos”(referência aos latinos), ou seja, somos tudo a mesma coisa. Chamar-se de “pardo” não é autoafirmação, mas aceitação da imposição de que ser negro é ruim, então se não é branco, porque branco é branco, é qualquer coisa que não seja negro. Queremos acabar com o racismo, né? Precisamos de autoafirmação para mostrar que “negro” é uma raça, que não, não queremos nos aproximar do branco para sermos “aceitáveis”, muito obrigada. Por isso, façamos o favor, se não é branco e é afrodescendente ou nativo aparente, somos negros! Para com essa porra de pardo.

Referências para entender o texto:

A face racista da miscigenação

http://blogueirasnegras.org/2013/05/20/a-face-racista-da-miscigenacao-brasileira-2/

Relação inter-racial e a falsa democracia racial

http://cnncba.blogspot.com.br/2008/11/relaes-inter-raciais-falsa-democracia.html

Virou regras?

http://blogueirasnegras.org/2013/05/02/literatura-negra-virou-regra/

Branco dominador e a cultura como humanizadora

As pessoas não entendem o que é o eurocentrismo. Por não entenderem o que é isso, acreditam em racismo reverso(entenda que essa palavra nem existe, racismo é apenas racismo, é impossível branco sofrer racismo, procure o que essa palavra significa, sério), dizem que brancos tem cultura apropriada pelos outros povos(vergonha alheia, sos), e que o embranquecimento é desrespeitoso aos brancos(DAFUCKKKKK???), de tanta ignorância ainda dizem que embranquecimento é apropriação cultural(não sabe o que é um, nem o que é outro, mas fala sobre porque branco só faz branquisse). Certo, vamos por parte.

Sabe o mundo? Pois é, a construção dele como está agora é consequência da globalização. Não, globalização não é acesso à internet(pra quem acredita em racismo reverso, não me admira que pense isso), é quando há interação econômica e social entre o mundo todo, algumas línguas chamam de imperialismo sutil, ou como a galera da esquerda chama “Mcdonaldização do mundo”. Apesar do termo criado pós-guerra fria, algo parecido já acontecia até antes do sistema mercantil(muitas coisas os europeus, principalmente os gregos, levam crédito pela criação antes mesmo de cristo nascer, coisas que a África e a Ásia já estavam era na versão 2.0 antes de serem roubados). Então, essa “interação” culturalmente falando é nada mais que aproximar todas as culturas a dos Europeus e seus filhos Estado Unidenses, que é o padrão, o desejado. Reprodução dominador e dominado.

Se o branco é o centro, é o padrão, o desejado, o que todos temos que ser, como é possível existir racismo com branco? Racismo não é uma discriminação comum, não é apenas “vamos fazer bullying com o colega porque a cor dele é essa”. Racismo tem um contexto histórico-cultural, é inferiorizar alguém pela raça. Inferiorizar é rebaixar, como vou colocar abaixo uma pessoa com uma cultura histórica de opressão e supremacia, do colega que é o padrão global? Como se inferioriza alguém que está no centro, que está “naturalmente” acima? Mesmo que eu quisesse ser racista com branco, nunca iria conseguir porque a etimologia da palavra impede isso. É igual falar que o leão está sendo “desumano“(não ser humano) com a gazela. Ter preconceito é diferente de discriminar, que é diferente de racismo. Todo racismo discrimina, mas nem toda discriminação é racista, mesmo que se refira a raças, entende? Desenhando: tem o rei e o plebeu, o rei fala “plebeu, termine de limpar o salão de festa e vai embora porque a nobreza vai chegar.” é a mesma coisa do plebeu falar “rei, você não pode vir a nossa festa de plebeus. Fique nas suas festas de nobrezas, porque aqui na nossa pobreza você não entra””? O branco está no centro, ser branco é que é legal, o branco para chegar nesse patamar de ser superior teve que exterminar e matar culturas, teve que dominar(e domina até hoje, isso ficou óbvio, né?) outros povos e nomeá-los(esses títulos “negro”, “raça amarela” é a visão do dominador em cima do dominado, existe o caucasiano e as “pessoas de cor” que são todo resto), por que só é diferenciado(titulado) aquilo que não é o normal(dentro do padrão).

Estou sendo redundante de propósito, oks?

Durante muito tempo, esses “anormais”, que era como o branco via outras culturas e povos, ganharam até seu próprio zoológico. Olha que bonitinho o índio fazendo coisinhas de selvagem dele! Ficaram sabendo do espetáculo de amanhã? Sim, eles vão comer um ser humano na nossa frente! Vamos jogar uma banana pra esse negrinho na jaula, porque ele parece um macaco! Olha esse esquimó no freazer filhinha! Amanhã a gente vai mais! Pois é… Não vou falar afundo sobre isso porque não é meu interesse, se quiser procure “Zoológico humano” na internet, na edição dos Illuminati da Mundo estranho também tem uma matéria curtíssima sobre, mas bastante informativa.

Citando o a visão do dominador em cima do dominado utilizando o zoológico humano como exemplo, quis dizer que durante anos, o que era diferente do que o branco fazia era considerado “exótico”, os diferentes eram tratados como animais selvagens, e suas culturas não eram considerada cultura, mas coisinhas que selvagens faziam. Sabe quando um retardado fala por exemplo que “funk não é cultura”? Ele está desumanizando o funkeiro, tá reproduzindo o que o branco dominador fez com a “diversidade”. Cultura é tudo que o ser humano produz e passa a frente, se o que ele faz não é cultura, então é coisinha de selvagem. Saks? Quem disse que falar alemão é legal? Que escutar música clássica é cult? Que ler é coisa de gente inteligente? Que tomar um vinho apreciando um bom filme é mais legal do que tomar uma cerveja sambando? Tudo isso são valores eurocêntricos, são impostos como única forma de cultura, e quem não gosta dessas coisas é selvagem, burro, anta, lixo, entre outros títulos desumanizadores. Então dá pra entender que até hoje quem não faz cultura, faz coisinhas de selvagem, né? Sendo cultura, os padrões eurocêntricos, oks? Então, todos os diferentes que quiserem se considerar humanos, terão que seguir esses padrões, terão que ter essa cultura. Porque a cultura humaniza, do contrário é coisinha de selvagem. Quando negros vão contra esses padrões e criam os próprios meios, ou resolvem resistir e utilizar de artifícios que seus ancestrais “animais” utilizavam na história, isso não é cultura! Porque isso não é humano, humano é o que o europeu faz! Ah, espera. O branco gostou disso! Olha, ele tá fazendo igual! Olha, ele pegou essa resistência e transformou em moda. Ele apagou toda uma luta por trás dessa coisinha de selvagem pra validá-la como cultura. Só se o branco faz que é cultura. Se o preto faz é coisinha de selvagem, mas se o branco gostou e se apropria, é validado como cultura. Isso é apropriação cultural. É apagar uma resistência, um genocídio por trás dessa conquista e transforma-la em acessório pra poder torna-la cultura, porque só se branco faz é que é cultura(chega, isso ficou óbvio).

O branco não satisfeito em obrigar o negro ou o amarelo(pessoas de cor) a se humanizarem com o que ele acha que é cultura, também diz o que é bonito ou não nele, se apropriar da cultura do negro para dizer o que pode ou não, cria ícones brancos para representarem a cultura negra, ele quer homogeneizar tudo. Todos somos iguais, diferença é ruim! Todos somos homogêneos, o mais próximo do branco, tá? Vamos apagar tudo que veio antes, sejamos todos brancos. Aliás, vamos continuar o genocídio até ter só brancos e embranquecidos. Olha, o negro está doutrinado, ele abomina “coisas de selvagens” e só gosta do que impomos a ele, ele clareia a pele e alisa o cabelo porque sabe que isso é que é bonito, diferente disso é feio(se for bonito em algum momento, é moda, tendência, e apenas em brancos! coisas de selvagens só são “cultura” em brancos, lembrem-se!). Ele é quase branco, só não é branco porque não nasceu branco. Ele nunca vai deixar de ser negro, ele sempre vai ser um ser de cor, mas olha que bonitinho! Aprendeu direitinho. Entenda que sempre será visto como um doutrinado, um dominado, jamais branco. Isso é bom? Pro branco é, ele é o dominador. Então por que tem gente dizendo que isso é apropriação cultural? Porque não sabe o que significa o termo, claro. Como vou apropriar algo que me é imposto? Como estou apagando uma luta utilizando como acessório se aquilo que estou fazendo é considerado uma forma única de cultura? Não tem sentido! Espero que tenha entendido, ser redundante cansa, sério.

Embranquecimento em si não é só isso. O embranquecimento no Brasil aconteceu quando os escravos foram “libertos” daí os europeus chamaram os amigo pobre da Europa pra trabalhar aqui, porque eu não vou pagar ninharia pra preto! Preto tem que trabalhar de graça! Magina se vou pagar meu cachorro pra proteger a minha casa, só pode tá é loco… A intenção era que preto ficasse sem meios pra se sustentar, sem ter como sobreviver e morrer tudo, ou voltar pro continente invadido deles, daí os imigrantes pobres brancos que seriam os novos trabalhadores, mas pagos, claro. Quem quiser saber de mais informações, o livro Sociologia, introdução à ciência da sociedade da Maria Cristina Castilho Costa fala sobre isso sem ironias e um pouco mais.

Espero que quando a Azealia Banks fale sobre Iggy Azalea não merecer os títulos honoríficos de rapper que os brancos dão a ela, ou sobre Katy Perry se apropriar da cultura egípcia ludicamente em Dark Horse como se fosse uma homenagem, ou Mirley Cirus sendo vexosa em abordar “cultura negra” da forma que ela vê, ou sempre frizar “brancos” em seus discursos sobre racismo, espero que vocês entendam o que ela fala, pois eu não vou mais desenhar…

Para mais leituras:

http://blogueirasnegras.org/2015/02/18/a-cultura-negra-e-popular-mas-as-pessoas-negras-nao/

http://blogueirasnegras.org/2014/07/10/ser-preto-ta-na-moda/

http://www.revistacapitolina.com.br/o-que-e-apropriacao-cultural/

(Esse texto tá com um contexto muito norte-americanizado, mas dá pra mais ou menos entender) https://www.facebook.com/notes/rachel-furtado/apropria%C3%A7%C3%A3o-cultural-um-pequeno-guia-sobre-o-que-%C3%A9-e-o-que-n%C3%A3o-%C3%A9-traduzido/10203757225116973

http://resistir.info/samir/imperialismo_globalizacao.html

https://doisdolaresoutravez.wordpress.com/2015/01/04/miley-cyrus-nao-inventou-o-twerk/

“Por que você ajudou ela na rua?”; “Porque ela é criança”, disseram sobre a menina branca que teve uma rua paralisada pela comoção de estar perdida.

Mais um exemplo de que o negro não é visto como ser humano, por isso temos que validar a nossa cultura resistindo a opressão branca. Não, não fazemos coisinhas de selvagem, o que passamos a frente é cultura! Cultura não é só o que o branco faz. Você pode nos desumanizar por sermos negros, mas não deixaremos de ser humanos nem negros.

Sobre Rupaul, o racismo e a gordofobia dos fãs brasileiros

Não é segredo algum que minorias amam oprimir umas as outras no Brasil, como já comentei em “Olimpíadas da opressão – Dor não é privilégio“. Não é novidade, já que muitas minorias sequer se reconhecem como minorias – muitas vezes -, por causa disso acabam reproduzindo preconceito até com seus próprios, preferem não se assumir ou aceitar concessões, como prometer aos seus senhores que existirão, mas ficarão apagados, e quem não fizer o mesmo merece ser punido. Ninguém entende que minorias só vencem unidas e bem entendidas de si frente ao que são, não ao que o “alvo” tenta empurrar. Podemos utilizar os longos casos de haterismos que ocorrem desde a segunda temporada, com a vitória de Tyra Sanchez, ou a implicância com Shangela Laquifa. Também podemos citar os cutuques das próprias queens em cima da Mystique, reprovações em cima da Coco Montrese e julgamentos mesmo cientes da edição pesada com a Mimi I’m first. Mas quero focar na sétima temporada, já que a Ginger Minj fala bastante sobre isso. Brasileiro adora pagar vexa. Sobem tagzinhas toscas no twitter para tirar fulano ou fazer voltar ciclano(mesmo sabendo que já foi quase tudo gravado), ou pior, vi ABAIXO-ASSINADO para que a queen X saísse do programa. Pois é, nem o avaaz foge dos br. Se vamos falar sobre racismo, nunca se reconhecem pois ser racista é feio. Tentam defender até tokenizando aquele namorado, amigo, parente, colega, cachorro, cavalo como “argumento”. Ou pior, citam exemplos extremos ou claramente fora de contexto para provar que não é nada daquilo, que eu, pretinha, que quer fazer parte de uma minoria para se ter pelo que lutar(e pasmem, muitas vezes quem diz isso é negro. Sai dessa vida de capitão do mato, obrigada), que eu vejo as coisas nas coisas. Independente da sua hipocrisia, vou continuar apontando racismo onde tem sim, e você que me engula, ok? E a Delta Work? E a Victoria? E fulana? E ciclana?”. Sabe quando uma pessoa fala “sou contra pena de morte” e me vem uma pessoa falar “e se fizessem algo com seu filho? seu pai, e alguém da sua família? seu gato? cachorro? blá” ou  mais épico “não sou racista, todos da minha família amam minha empregada, e ela é negra DA RAIZ” é a mesma coisa! A Latrice era um amor de pessoa, e dublava pra caralho. Se ela viesse com shade, NINGUÉM gostaria dela. Ninguém, absolutamente ninguém torcia pra ela ganhar, era tipo “gosto dela, quero que ela vá pro top3, mas quero que fulano ganhe”. As pessoas gostavam dela porque ela estava “no lugar dela”, ela tava sendo 100% agradável, deixa essa pretinha aí porque ela não tá incomodando. Delta Work era uma Heather, grupinho amado pelos fãs, e ainda sim ela era mais atacada que qualquer outra dentro do meio(levando em consideração que a Manila e a Raja eram bem mais cheias de shade que ela), daí ela pode fazer shade que vai ser diva, era uma protegida, né. E a Vitória, preciso mesmo falar? Ela participou de um único capítulo, melhorem. Descobri a pouco tempo que a STACY era cheia de hater. Tipo, ela nunca falou nada, mas era odiada. Chamaram a Ginger e a Kennedy como casal de invejosas só porque elas falam que não gostaram de um certo look, ou da atitude de um certo alguém na prova. Por que elas são invejosas? Ate onde eu sei, elas foram as que mais ganharam desafios… Deve ser porque elas não estão no lugar delas, né? Não são gordas omissas, são gordas que criticam o sistema gordofóbico que tem no mundo da moda. Se as roupas delas ficassem em qualquer outro alguém, ganhariam elogios, isso é óbvio. E a Kennedy é duplamente odiada, sendo que ela ainda é mais omissa que a Ginger e tem menos shade, nem imagino porque ela é duplamente odiada… Nem passa pela minha cabeça o motivo… Já criticaram a postura da Kennedy Davenport por fazer um “homem” no snatche game, e até citaram “mas a Alaska foi criticada por se vestir de homem!”, e toda baboseira falando que ela é protegida do Ruapaul(mesmo que tenha sido umas das poucas a ter feito a galera rir) e etc. Considero essa comparação errada. Como a própria Kennedy já disse, Little Richard era “andrógino”, uma moda nos EUA semelhante ao glam(que veio muito depois), ele usava batom, lápis de olho e tudo mais. Quase um tipo de cross dresser, que mais a frente(nos anos 80) o estilo andrógino VIROU um crossdressing, tendo como estouro o Boy George. Ou seja, fazer Little Richard não é fazer qualquer homem, fazer o Litlle Richard é QUASE equivalente a fazer a Alyssa Edwards ou a Sharon Needles. Aí me perguntam, ah, mas Alyssa e Sharon são alters, o foco tá na versão feminina deles. Então a Jessica Wild imitar o Rupaul também cairia em contradição, porque apesar do alter dele levar a fama, ele é tão caricato que se é reconhecido por sua versão masculina também. Tanto que a Milk foi considerada genial por muitos(até pela Vissage, olha que milagre), não criticada ou comparada a segundos ou terceiros. Já tão tokenizando a Adele, já que Ginger deu exatamente o que os americanos querem: piada de esteriótipos.  Ela se gongou por ser gorda no programa, e ganhou a prova conforme esperava. Tão chamando isso de contribuir com a gordofobia porque querem eximir-se da culpa, fingir que o problema não existe e que ele “não é preconceituoso, mas”. Amor, uma minoria que oprime outra é pior que o Bolsonaro, uma que isenta-se da culpa dizendo que ela não existe é menos ainda. Ela se gongou porque deu o que eles queriam, não significa que ela goste de ser zoada involuntariamente.  Uma coisa é eu falar da minha mãe, outra é os outros falarem. Eu posso, você não. Até a Jaddyn que é “fofa” já tão falando que ela é muito “mimi”, concordo. Mas e a Pearl que é tão mimi que até as queens ficam revoltadas com ela? Com essa mania de “quero ir pra casa”, “não aguento mais”, blá blá. Na boa? Chegou a um ponto que os preconceitos não estão mais velados, mas óbvios.

Podemos contar nos dedos a lista de odiadas, quantas negras e gordas ela possui e comparar com a lista de negras e gordas amadas. E também podemos contar a lista de pessoas que jogam shade, quem é amada por isso e quem é odiada.

Fora do programa, a mesma atitude também tem diferentes lados. A Jasmine Masters fez comentário transfóbico, e foi xingada no reddit. Ela gravou um de 10 minutos pedindo desculpa, e explicando que ainda não entende essas coisas(se você não for trans, vai saber que já cagou pela boca também por falta de conhecimento do assunto) e a galera continuou com ódio dela e fazendo todo tipo de bullying, inclusive sendo racista(parabéns pra você que só reconhece uma minoria se faz parte dela ¬¬’). Violet Chachki postou um vídeo transfóbico e quando as trans foram lá reclamar e ela além de não ter tido a humildade de pedir desculpas, ela ainda enfrentou as gurias e foi chamada de “diva” por isso. Sem contar o tweet racista que ela fez comparando a Jasmine ao Donk Kong, depois só apagou e falou “desculpa pelo vacilo”. Fim. Ela tá sendo a mais cotada para ganhar apesar de só ter look e visual, não tem um pingo de versatilidade, mas como a Ginger e a Kennedy tão recebendo muita rejeição, a Ru provavelmente vai aderir aos racistas e transfóbicos fãs dela. Uma pena, Tyra Sanchez versão branca e amada por todas(pleonasmo), e racista e tranfóbica.

Dica para as meninas da season 8: se você for gorda ou negra, seja um amor de pessoa, não critique nada que você achar feio ou sem graça, jamais fale da atitude de uma queen para com você. E não se esqueça, shade é pras branca magra, ok? Elas são amadas por isso.

Olimpíadas da opressão – Dor não é privilégio

Quando minorias brigam entre si para ver quem sofre mais é titulado de olimpíada da opressão.

Atualmente, na internet principalmente, as pessoas têm confundido privilégio com “menos sofrimento”, o que causa tal “fenômeno”. Claro que não são grupos que se digladiam, mas pequenos elementos que infelizmente não compreendem do que se tratam suas lutas, ou estão tão sobrecarregados com a vivência que passam a analisar o lado errado da moeda para argumentar: comparar as dores para dizer quem é “privilegiado”.

Privilégio: s.m Vantagem atribuída a uma pessoa e/ou grupo de pessoas em detrimento dos demais.

Em outras palavras, privilégio não é menos sofrimento, e sim não sofrer. Como diz o dicionário, é a VANTAGEM daquele grupo, o que aquele grupo tem que faz com que ele não seja tão oprimido quanto o outro.

Socialmente falando, é óbvio que existe uma pirâmide de oprimidos, assim como dentro de grupos ideológicos também. Mas o que torna as pessoas privilegiadas não são as dores delas, mas vantagens que elas possuem por não estarem inseridas no mesmo grupo que outros do seu meio. Por não focar nisso, grupos dizem que outros são vitimistas em relação a eles e fazem comparações dessa natureza para ver quem sofre mais:

Sem contar que a informação é inverídica. Mulheres cis sexuais morrem por serem mulheres TODOS OS DIAS. Reveja seus conceitos, parça

Sem contar que a informação é inverídica. Mulheres cis sexuais morrem por serem mulheres TODOS OS DIAS. Reveja seus conceitos, parça

É válido utilizar da misoginia, do racismo, da transfobia para representar um grupo? Enforcar um oprimido para representar outros?

Apropriação cultural para falar de feminismo, moça?

Apropriação cultural para falar de feminismo, moça?

E as assexuais? E as lésbicas? E as que não querem homens? Mulher é moeda de troca agora?

E as assexuais? E as lésbicas? E as que não querem homens? Mulher é moeda de troca agora?

Quando se pratica olimpíadas da opressão, se desvia o verdadeiro foco: a liberdade do sistema imposto pelo topo da pirâmide.

Rico numa sociedade capitalista. Como o senhor sofre, ein?!

Rico numa sociedade capitalista. Como o senhor sofre, ein?!

Você quer liberdade da pirâmide, e não a aceitação do topo! Você não vai falar “por favor, homem heterossexual, me aceite, odeio mulheres, tenho nojo de vagina, não sou ameaçador”, “Por favor, mundo branco, me aceite, sou contra cotas, negro cotista é vagabundo, viva a meritocracia”. A ideia é que essa pirâmide seja destruída, mas se você passa a negar dores de outros oprimidos, seja em pról de aceitação do topo da pirâmide, ou pra mostrar que você está abaixo, não ajuda. Lembre-se de reconhecer VANTAGENS, não negar o sofrimento do outro grupo ou dizer que a vítima é vitimista. É muito feio só se reconhecer a minoria em que se está inserido, ou querer ditar o que o outro tem que sentir ou como agir, falar por eles..

Recapitulando, existem minorias dentro de minorias, mas se vamos argumentar, que utilizemos a tese certa. Falemos das reais vantagens daquele grupo, não ficar pontuando dores, e dizer que ser queimado em óleo quente o torna privilegiado, pois pior é estar sendo queimado pelo fogo. Isso não só gera discursos falaciosos – e horríveis -, mas também falta de sororidade, que é fundamental. Minorias, se unam, e fiquem a vontade para criticar privilégios, sim. Mas lembrem-se, PRIVILÉGIOS, não olimpíadas da opressão.

Glamurizar a tristeza dá câncer

Quando se pensa em morte, se pede ajuda mas ninguém parece se importar, a dor permanece crescendo de forma gradativa, tão lentamente que não se repara, só cai a ficha ao não se conseguir mais suportar.
Quando pensa em recorrer ao suicídio, mas algo impede, então se permanece maquiando essa situação, e a dor continua crescendo, lento, mas sem parar.
Se quer tanto a morte que suicídio torna-se extravagante, o corpo por si só se destrói, a pessoa, sem intervenção, não passa de um mês, ela finaliza anos de dor em um mês sem mover um músculo. Viver sem vitalidade é quase como estar no meio termo, seu corpo funciona, mas sua mente não, só se sabe que está vivo quando se está literalmente morrendo.
Foi essa a minha relação com o câncer.
Durante muito tempo sofri com depressão, mas sem diagnóstico médico – como se fizesse diferença – e muitas experiências novas surgiram em um período minúsculo de tempo e eu não sabia como lidar com isso. Em relatos da literatura brasileira, romancistas que morreram “por amor” ou “de tristeza” tinham os mesmos sintomas do tipo de leucemia que eu tive. Como surpresa, a maioria já tinha histórico de glamurizar a tristeza, rejeição aos pedidos de ajuda e eram antissociais, também não sabiam como se relacionar com experiências e os próprios sentimentos. Recusavam o suicídio por medo de um final pior (o inferno) e sangravam até a morte como resultado de tudo.
Quando se tem câncer você sente que está morrendo, eu mesmo perdi toda a energia de até mesmo andar em menos de uma semana, sangrei sem parar em duas, não conseguia mais sentir prazer com o que me alegrava bem no limite. No tratamento da quimioterapia, seu corpo não sabe se aquele remédio quer te matar ou te salvar, ele é a esperança mas se morre tentando se adaptar a ele.
Desisti da morte no momento que eu vi que tinha a escolha. Eu estava no poder, eu que decidiria se deixava me levar ou se saía dessa . Eu tinha tantos planos em mentes, minha família estava fazendo tanto por mim, pude me desculpar de tantos erros que não me senti digna de morrer com uma doença que dependia mais de mim do que de qualquer coisa. Eu não parava de rezar, fazia-o tantas vezes, a cada minuto e só pedia uma coisa “me dê forças para suportar a dose que me mata, mas vai me salvar”.
Atualmente trato do meu problema de não conseguir me relacionar com as minhas emoções, e aconselho a todos que passem por isso a fazerem o mesmo, e não glamurizarem a tristeza mais, isso é realmente grave. Mais o maior conselho é para quem não acredite que a tristeza pode matar, cuidado, não queira vem quem ama em uma cama na UTI agonizando com uma quimioterapia ou em coma induzido para conseguir completar o tratamento, minha família saiu dessa tão lesionada quanto eu.

Miley Cyrus não inventou o twerk

Como uma cultura idiotizadora, aquela que mobiliza adolescentes a realmente acreditarem que seus ídolos midiáticos – que nem os conhecem – os amam; que se revoltam nomeando “traidor” quem “ousa abandona-los” seguindo uma carreira séria, isto é, deixar de trabalhar para uma empresa que ganha mais vendendo “personalidade” do que música. Uma cultura que vende pessoas, que passa por cima de outras culturas, que transforma algo sério em lixo, que segrega por etnia; que possui símbolos que ficam bem na classe dominante, mas horrível em quem os criou.

Como uma cultura idiotizadora chegou ao nível de conquistar pessoas que compram qualquer merda que ela produz, não se interessam por música quando colecionam CDs, mas pelo visual(aparência e personalidade do ícone vendida pela empresa); querem quem produz, não o que foi produzido. O consumidor nem se toca que aquilo é uma imagem de marketing, que aquela pessoa provavelmente é o oposto do personagem que vende. Ele coleciona os CDs porque o videoclipe de promoção era bonito, não importa se tem autotunes o suficiente pra transforma-los Vocaloids, vai a shows com um puta playback e cenas de arte circense e de dança nas quais o ídolo sequer mexe um dedo – pagou profissionais para fazê-lo dos quais sequer serão lembrados ao entreter uma apresentação de uma pessoa que não fez nada mas é o motivo de os fãs estarem lá -, lê roteiros na cara dura pra fazer entrevistas ou participar de algum ‘reality”. Mas o fã está lá, disfarçado de um apreciador da música – apesar de nem saber o que está escutando a ponto de nem notar que é tudo igual ou comprarem qualquer merda que fulano produz porque é do fulano, e ninguém fale mal do trabalho dele! Adorar ídolos midiáticos é como religião, irrefutável e não aberto a opiniões, por isso imutável e cego -, pagando por algo que foge da proposta(era fazer música, mas as pessoas pagam pelo personagem vendido mesmo) que sequer é real. Uma cultura tão idiotizadora que as pessoas nem ao menos se perguntam se é real.

Há um tempo que a entrevista com a Azelia Banks gerou polêmica até entre seus próprios fãs brasileiros(tinha que ser). Fãs que, aliás, como todo hu3 br feat zoeiro: quer ter opinião, mas não se informar sobre o assunto que opina, mesmo com o google ali do ladinho. Sua abordagem foi sobre apropriação cultural utilizando Iggy Azalea e Miley Cyrus como alvo de crítica.

Ela iniciou o discurso falando que em seu país ela não pode praticar a própria cultura, mas quando brancas como Iggy a praticam, são considerada excelentes. O entrevistador então explica que em uma cultura capitalista, eles não se importam com o que se vende, então por ser um país de maioria branco, eles gostam de comprar aquilo que se veem inseridos. Aí ela diz “Certo, então não ponha Iggy na categoria hip-hop, põe ela na categoria pop, na mesma caixa que Miley Cyrus”. Azelia Banks sabe que o hip-hop tem um histórico sociocultural por trás, o peso da expressão como movimento da cultura negra e o impacto de expressá-lo na sociedade por ser alguém inserido nessa cultura. Ela sabe que, ao contrário dessas brancas, não se trata de fazer rap e balançar a bunda(já que nelas para a mídia, se resumiu a isso, deixa de ser símbolo e vira “lixo” – termo usado quando a cultura é apropriada e perde seu valor), Azelia Banks só deseja que sua cultura não seja embranquecida mais uma vez, como foi com o Jazz, o Blues e o Rock. O hip-hop, que até hoje é marginalizado, torna cantores brancos como Iggy Azalea e Eminem famosos por serem brancos, sendo Iggy mais famosa que Azelia, Dominique e muitas outras cantoras negras desconhecidas por não serem “novidade”, isso é, “não ser aquilo que eu quero ver” em um país de maioria branca, tendo Azelia Banks e essas negras consideradas vadias loucas quando expressam suas culturas fazendo um trabalho – se sensual – semelhante a da branca novidade. A branca é novidade, a negra é vadia e desconhecida em um movimento que a pertence.

Mais o que me chamou atenção mesmo foi sua crítica a Miley Cyrus. A fofíssima Hana Montana da infância de uma geração de crianças que agora as acompanha adolescentes como uma jovem adulta hipersexualizada que em sua estreia nesse novo personagem, para polemizar, faz um passo de dança marginalizado por ser de “negras vulgares do gueto”, popularizado nos anos 90 no street-jazz e hip-hop, tradicional de Nova Orleans. O twerk.

Engraçado esse negócio de apropriação. Até hoje é possível ler na internet gente defendendo o twerk da comparação com os passos do funk brasileiro porque “foi a Miley que criou”. Sim, o twerk não é de puta, porque foi a Miley que criou. Não sei o que me choca mais, o complexo de vira-lata ao ser legal nos gringos, mas não nos brasileiros, ou dizer que aquele passo de dança do qual meninas negras eram taxadas de putas nos vídeos da internet, não é de puta quando uma branca a dança sendo intitulada até mesmo como criadora desse estilo. Mais uma cultura passada para trás, mais um povo marginalizado por criar algo, tudo pelo embranquecimento em prol à cultura dominante no cenário global.

Um sistema que vende pessoas vai se importar de passar por cima de conquistas de povos, de ofendê-los, ou de transformar em acessório, lixo, tudo que uma cultura tradicional criou com esforço, manteve e passou a frente com o sangue de mortes em prol de aquilo existir como uma expressão de existência daquele grupo? Claro que não. O público eurocêntrico apenas quer consumir e, claro, com os próprios inseridos, porque cultura negra praticada por negros é ruim, vulgar e mal influenciadora, já praticada por brancos é inovador, diferente e legal. E salve Miley Cyrus, criadora do twerk. Só que não.