Sobre o fim de Naruto

Não vou dizer que não tive tempo(apesar de muitas internações terem ocorrido), foi exatamente a preguiça que me consumiu a ponto de ter demorado quase um mês para escrever(e ainda ficar extremamente informal) sobre o final do mangá do meu anime favorito. Que, diga-se de passagem, odiei. Mas, não odiei tanto quanto achei que fosse odiar ao receber spoil. Digo, muita coisa que aconteceu mais pareceu um improviso puramente comercial, mas o final do protagonista Naruto ao menos aparenta ter tido planejamento. Vamos por partes.

Ps: eu falo palavrão, mas claro, sem ser racista, machista, homofóbica e essas coisas. É mais tachativo do que ofensivo. Só estou avisando antes pra saber o conteúdo que irão ler.

Capítulo 693 ao 698 – Foram cinco volumes lindos do Naruto dando o seu máximo para convencer o amigo a parar com a palhaçada de querer roubar o único sonho que tinha(ser Hokage) antes de conhece-lo e, agora, ter o amigo de volta em casa. Frases de efeito como “A luta pelo amor e o poder” somado aos flashbacks da amizade deles na infância e o fim que os parou, nada mais nada menos que perderem os braços de mãos dadas formando um coração de sangue, já era SasuNaru o suficiente. Mas não, Kishimoto fez questão de finalizar a luta com o Sasuke praticamente se declarando para o Naruto, dizendo o quanto Naruto mudou sua vida e o quanto se sentia dependente dele; as coisas que o loiro já falou em sua posição sobre o amigo em uma saga que basicamente tratava-se de “salvar” Sasuke da própria ambição que antes da guerra ou da corrupção da Akatsuki não interferiria em nada relacionado a vila, somente a ele mesmo. Mas o amor de Naruto no fim era recíproco, e Kishimoto mostrou isso da forma mais linda que conseguiu.
Ps: quando eu uso o termo “sasunaru” me refiro ao relacionamento que Kishimoto disse sobre o Naruto e o Sasuke, não um típico carnal, mas um amor inconsciente.

Capítulo 699 – Pra mim, se acabasse aqui, ninguém perderia nada. Kakashi se torna Hokage e consegue a absorção de Sasuke na vila. Absolvido, ele se desculpa com a Sakura por todo o desprezo gratuito que deu a ela ao longo do crescimento do time 7 e agradece todo o trabalho do grupo durante todos esses anos não terem desistido dele. Logo em seguida, ele vai embora da vila afirmando que como um desertor, queria conhecer o mundo. Esse sentimento de liberdade e independência SEMPRE foi um princípio do personagem, o que refletiu suas ideias para ser um Hokage(o fato de aguentar a solidão por ser algo que faz parte dele), ou ser o único sobrevivente Uchiha. Enfim, não teve fim melhor para o Sasuke.

Capítulo 700 – QUE COMECE A PALHAÇADA
Explicando: como não manjo dos inglês, vi aquelas criancinhas e me assustei. Um sentimento de revolta tomou conta de mim “será que Kishimoto é tão vendido que cedeu a pressões de fanzinhas e tonou o fim do mangá sem noção só pra ganhar dinheiro?”, com um anime que tem mais filler que capítulo canon, mais enrolação que história, não era pra eu ter ficado tão surpresa com o fato do Kishimoto ser mercenário. Gente, a coisa ficou tão shoujo do nada que eu até pensei que era doujinshi. A começar de todo mundo resolver casar com todo mundo e ter filhinhos com característica de um e outro, me senti mesmo uma analista de fanarts no tumblr.

Quando eu finalmente li a história, vi que não foi tão mal e ao mesmo tempo foi pior. Vamos aos secundários: Chouji e Karui. Cara, o que a Karui tem a ver com qualquer coisa? Ficou tão “Já que vamos casar todo mundo, pega aquela menininha lá da aldeia do raio pra casar aqui com o gordinho que ficou sem ninguém.” Nem o The Last vai conseguir explicar essa jossa. Pelo menos a Chouchou é fofa.

Sai casando conseguiu ser mais dafuck que ChouKaru. Mesmo que Danzou tenha morrido, ele continua sendo um ninja Anbu. Hokage nenhum, nem mesmo o Naruto que segundo o povo da guerra “mudaria o mundo ninja” conseguiria modificar um sistema milenar da noite para o dia só pra que ele possa fazer couple com a Ino. Mas o no sense não para por aí…

Sakura como mãe solteira que teve uma filha do Sasuke –que continua viajando mundo afora desde o fim da guerra, ou seja, como? – sem ter se envolvido com ele. Pra mim, o fim da Sakura foi o pior e a maior prova de que Kishimoto é um machista de marca maior. Já comentei no tumblr a minha opinião sobre o tratamento que Kishimoto dá pras personagens femininas: luta contra qualquer vilão = meio clássico mais a saga do shippudden inteira pra sennin morrer, jounnin se lascar, uau, como Orochimaru e Zabuza são fodas(vilões iniciais que mais pareceram bostinhas conforme o anime evoluía), a luta do Madara com os kage que foi puta covardia por exalta-lo tanto em uma Reencarnação Impura totalmente controlada. Enfim, Madara era tão poderoso no mangá que nem Hashirama que matou uma vez tava dando conta com a ajuda de TODOS os ninjas, foram capítulos e capítulos de desespero, desesperança e adrenalina e nossa, O vilão. Luta contra a Kaguya, que é a raiz de toda história = três volumes no máximo pra ser derrotada por gennin com as lutas mais boçais de todo o mangá. Foi como ejaculação precoce segundo um amigo meu que tem pinto. A Ino que tinha um dos kekkei genkai mais fodas – só do fato de ter kekkei genkai já a torna especial – teve que virar médica por ser julgada inútil no clássico e ainda só desenvolver suas habilidades de Yamanaka no meio da guerra porque um homem mandou. Hinata faz parte do clã mais foda, enfrentou o Neji quase morrendo para provar pra ele que era uma ninja forte pra no final ser tudo igual, continuar sendo protegida(Neji morreu por isso, e logo agora que ele tinha praticamente se assumido para ela, mas pousou como santo casamenteiro falando “Naruto, agora você é um Hyuuga”, nunca vou superar essa morte tosca e sem sentido, como o Kishimoto pôde matar um personagem idolatrado só pra ele casar o Naruto? Ela já não tinha se declarado? ) e não confiando em si mesma, etc. Tsunade passou por toda superação pra no fim continuar lamentada por não casar e mantendo as feições do justu por vergonha da velhice(sem contar que todas as expressões dela de luta foram minimizadas se for contar com toda a ajuda que ela teve). A Temari que é mostrada como uma ninja forte tem um leque que simplesmente faz tudo por ela, ela é até lutadora de longa distância para ficar sempre na defensiva, isso não é ser forte para mim, mas para Kishimoto, em se tratando de uma FÊMEA, sim.

Mas com a Sakura todo o desprezo foi dobrado. Voltemos ao clássico. Qual a personalidade da Sakura? O que ela queria? Era uma menina inteligente, uma das melhores da classe, ela acreditava que podia ser forte, começou a trabalhar duro para acompanhar Sasuke e Naruto, enquanto eles treinavam com os sennins ela aproveitava suas habilidades de controle do chakra(atividade que ela sempre foi superior aos meninos, mas na hora do hush ela sempre era protegida, por que será?) para pedir ajuda não só para uma das sennins também, mas A HOKAGE, em troca de ser uma ninja médica digna. Estava tudo indo bem nas primeiras temporadas do shippuuden, ela curou o Kankuro – que estava envenenado com um veneno inusitado – com uma ervinha da esquina, tirou veneno dele com água da torneira, lutou contra um dos mais fortes da Akatsuki(Sasori era sublider, só ficava abaixo do Pain e da Konan), mesmo que ele tenha se entregado no final, todo o estrago que ela fez já brilhou de bom tamanho. Quando Naruto voltou, quando ela voltou ao time 7, voltou a ser inutilizada a ponto de até o Kabuto(que é inimigo) ter de cura-la. O seu momento de brilho intenso na guerra, superando até a Tsunade(que é referência de mulher forte) foi desprezado quando Sasuke e Naruto apareceram para selar o que devia ser o personagem mais foda do anime, mas no fim era só uma deusinha do sexo feminino, ou seja, Sakura pode ser forte, mas na frente de seus companheiros homens ela só serve pra deixar o grupo com três integrantes. Daí, para “melhorar” a situação, Kishimoto finaliza Sakura como uma dona de casa e mãe da filha do Sasuke(que não sei como foi feita já que Sasuke ainda está vagando pelo mundo); adeus sonhos, adeus treinamentos, adeus função de ninja médica, adeus todos os esforços que sempre eram inutilizados por homens. Basta dar uma criança do homem que ela “amou” – apesar de ele não só tê-la desprezado o anime inteiro, como também disse ao Naruto que nunca se interessou por ela antes de fazer as “declarações de amor” para ele (q) – e pronto. Fim da Sakura no anime. Porra, mano, quando eu vi ela naquele aventalzinho branco limpando a estante eu quis vomitar. Devia ter casado ela com o Rock Lee, ou não casa-la, transforma-la em uma mulher independente e forte que ela sempre quis ser fazendo as medicinas lá no hospital, que tal? Eu jurava que no fim ela superaria seus sentimentos pelo Sasuke e carregaria um legado de uma super ninja médica e talz. Não, tá pouco machista esse final, né? Ela ia acabar feliz conforme merecia, invés disso vamos alimentar os shippers (sério, tem gente que ignora a história dessa porra só pra shippar casalzinho, essa porra não é shoujo, tá) e dar um filho imaginário do homem que a detesta para essa linda dona de casa ex-sennin, ex-médica foda, ex-útil que já era inutilizada.

Mas veja pelo lado bom, a Tenten apesar daquela aparência de submissa chinesa (piada colada do Naruto SD), no fim era a mais autossuficiente das mulheres, isso é, ela nunca se mostrou gostar de ninguém, e não gostava. Casou com ninguém, manteve-se no mundo ninja ostentando sua paixão por armas. A princípio, ser uma ninja para ela era ser uma ninja, não fortalecer-se pra ficar com homem, nem fazer couple com quem ficou sem mulher por aí, nem nada disso. Era só ser uma ninja.

Kakashi e Gai no final juntinhos jogando fez tanta a alusão a casais homossexuais da terceira idade no Japão. Será? Mesmo que não, adorei.

Nem me importei com o final NaruHina(já que esse foi o único assunto que bombou sobre o fim por parte dos fãs), mas achei lindo o Naruto casar e ter filhos, podia ter sido com qualquer uma, até com a “assexual” Tenten. Achei tudo a ver ele casar e talz. Acho que de todos do time 7, o final do Naruto foi o único bom, do Sasuke teria sido bom se ele não tivesse engravidado a Sakura pelo olhar, já que ele continuou seguindo seus princípios. Parece que no fim, só quem se lascou mesmo foi a personagem feminina. Inesperado? Tanto quanto saber que no próximo capítulo do anime, será uma filler.

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Análise de Minha vida em Cor de Rosa e a transexualidade na Educação Brasileira

Normalmente, as culturas diferenciam machos e fêmeas – homens e mulheres-, em deveres e direitos civis, estética e até certos tipos de comportamentos ligados ao instinto biológico. No Brasil, homens não usam saias, ou vestidos, isso é propriedade das mulheres. Os homens que usam são chamados de cross dressers, considerado um passatempo, crido pela cultura, tabu. Ludovic sempre fora repreendido no filme por usar saias e vestidos publicamente, porque naquela cultura, aquilo era estranho, muitos julgavam errado, Ludovic era um macho sendo mulher.

Popularmente no Brasil, o sistema de gênero é ligado ao sexo biológico da pessoa. No entanto, lutas GLBTTs trouxeram uma nova ideia do que é gênero, dividindo identidade sexual em cis e trans. Os cissexuais são os que seguem o padrão que divide homens e mulheres e se adequa ao seu sexo biológico. Transexuais são as pessoas que seguem o padrão diferenciado do sexo biológico. Logo, gênero está, atualmente, ligado ao que a pessoa declara, se ela se insere no padrão homem ou mulher e se condiz com seu sexo. Ludovic enxergando isso, quando quis se transformar em um homem, recolheu seus brinquedos femininos, roupas, e tudo que o tornava uma mulher. Contudo, declarava-se uma menina, insistia aos pais e ao psicólogo que não era homem, pois não se sentia assim, até aguardava uma menstruação. A reação de seus familiares inicialmente era de tentar ajuda-lo, porque a escola e a vizinhança o afetavam de forma ruim. Mais a frente, a família passa a realmente lutar contra isso, ir contra as declarações do filho e seu desejo de ser uma mulher, insistindo que meninos não poderiam ser meninas. Em tradições predominantes cristãs, a reação social é findar isso, a transexualidade ainda é considerada distúrbio(transtorno de gênero) em muitas culturas, logo os familiares e as escolas geralmente veem como doença mental, psicológica, visto como preocupante.

A escola é um dos ambientes de construção social. Logo, conversar sobre as diferenças é fundamental em sala de aula, independente de qual seja o desafio. No filme, o desafio era a transexualidade, a professora do Ludovic enxerga a situação assim, pois vê que o menino está passando por dificuldades em busca da identidade, e chega a sofrer maus tratos na creche por conta disso. Então, ela une a turma para falar sobre as diferenças, e que todos são diferentes. Do assunto sobre diferença, propor compartilhar sobre a história de cada um e quebrar paradigmas que se dizem determinantes quanto ao ser, caráter, aparência, gênero e sexualidade.

Como pedagogo, é importante auxiliar a criança a se sentir bem no meio escolar. Se uma criança que demonstra uma transexualidade passa a ter problemas, o professor poderia juntar os alunos e debater sobre isso, falar sobre as diferenças e que a nossa sociedade tem falhas na estrutura, como categorizar as pessoas como se fossem objetos. Propor algo mais criativo além de conversas; como livros e peças de teatro. Evitar separar grupos por meninos e meninas, ajudar as crianças a se sentirem a vontade criando pares ou grupos, ou outro meio que dependa de divisões, evitar dividir por gênero ou qualquer outro título categórico.

Entre os muros da escola

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A visão de professor que boa parte dos estudantes ocidentais possui é a de “um mestre” provido de luz(conhecimento) que ilumina seus alunos(termo etimologicamente latino de “luminis” + negação “a”, que significa “sem luz” literalmente). Em outras palavras, uma pessoa superior por obter mais conhecimento. Essa ideia surgiu na Idade Média, juntamente com a pedagogia tradicional.

François, um professor de francês recém-formado, possui a visão de interação aluno e professor muito fresca, uma vez que passará para geração escolar a frente o que tivera em um passado recente. A turma abordada no filme é considera “a pior” da escola, predominante estrangeira, as dificuldades quanto à gramática do idioma será um desafio a mais ao tutor.

Inicialmente, observamos um professor rígido, obriga seus alunos a pedirem licença até para ajudá-lo a solucionar um problema ocorrido em sala. Seus aprendizes são divididos em pessoas influentes que o respeitam como o caso do chinês Wey, famoso na sala dos professores como o melhor aluno da escola, e a aluna delegada de turma, Esmeralda, que lhe falta com respeito ao ponto de ser chamada de vagabunda pelo tutor.

Entre as duas realidades, tanto a de professor no conselho de classe convivendo com diversos outros professores desmotivados, quanto a de tutor em uma sala de aula vivenciando bastidores dos alunos, coloca-o em uma situação arriscada: o aluno  Souleymane agrediu uma colega – sem querer – e está prestes a ser expulso da escola. Contudo, todos sabem que ao sair da escola, o aluno voltará para o Mali, tendo de abandonar os estudos, e perderá a chance de se tornar um profissional na França. No mesmo evento, o professor xinga a aluna, motivo do qual foi a causa da agressão ter ocorrido. O conselho de classe absolve o professor, mas pune o aluno, comprovando as diferenças escolares de peso hierárquico em cada papel.

Por outro lado, a etimologia de “aluno” em grego(considerada a correta por gramáticos portugueses) significa “filhos do saber”, tendo o papel do professor o de mãe. A interação entre mãe e filho é de que a lactante cuida e alimenta seu bebê, ela o cria compartilhando seus conhecimentos, tutelando-o a viver em sociedade. Já o filho, segue muitos dos conselhos de sua mãe, mas também a ajuda a enxergar a construção que sua época impõe, ensinando-a a adaptar seus ensinamentos via reflexões que ele tem. Em outras palavras, mãe e filho possuem ensinamentos mútuos, apesar da mãe mostrar de certa forma um papel de “superioridade” como instrutora.

Partindo dessa visão de aluno e professor, voltando ao aluno Souleymane, o professor reconhecia suas dificuldades em sala e um dos argumentos que utilizou para defendê-lo no conselho de classe – que o considerava o pior aluno da turma – foi que ele preferia valorizar o que o Souleymane tinha de bom ao dar sua nota, do que levar em conta só o ruim, como a maioria dos professores estavam fazendo. No momento do julgamento, quanto ao caso da expulsão, o professor tentou argumentar sua permanência na escola através do futuro que lhe esperava, caso tivesse que voltar ao Mali, nenhum professor sabia deste fato senão ele, isso mostrou uma presença maior do professor como um tutor, um educador, não somente “iluminar desprovidos de luz”.

A visão de igualdade entre alunos e professores também foi dividida: por um lado, seus alunos sentem-se a vontade em chama-lo de “filho da mãe” já que ele tem o direito de chama-los de “vagabundos”, por outro, todos foram capazes de conviver felizes no mesmo ambiente, abdicando qualquer diferença individual em sala que normalmente os tencionava, no final do filme quando todos, inclusive Souleymaner, recém-expulso da escola, estavam tendo uma partida de futebol no pátio da escola.

Levando em conta o espaço escolar em si abordado no filme, possui seus altos e baixos. Comprovam que a escola não é um lugar tão único de se aprender, já que a aluna Esmeralda afirmar não ter aprendido em sala, mas aprendera em casa através do livro “A República” de Platão, ensinando aos alunos um pouco de filosofia em um seminário individual supervisionado pelo professor François. Que se conclui a escola para segregar o perdedor e o vencedor ao comparar os discursos dos professores sobre o Wei e o Souleymane.  O professor é realmente um “Deus Sol” quando a aluna Angelina que foi destratada por François, fazendo o mesmo, sendo forçada a desculpar-se de forma superficial, que mais tarde, escreve uma carta afirmando ao professor que o respeita, e ficará longe dele para que não o incomode mais. Que é uma mera instituição no fim, quando uma aluna diz ao professor que o sonho dela não se liga ao que a escola está fazendo-a buscar. Que impõe aos alunos o francês como língua e cultura única a fim de equalizar o ensino a todos, mas acaba marginalizando, pois alguns mal sabem a língua, como Cherif que tentou corrigir a colega chinesa Fei, mas mostrou-se ainda mais inexperiente; ou do exemplo na frase utilizada pelo professor com o sujeito “Bill”, em que Angelina e Esmeralda implicam pedindo um nome árabe a fim de se sentirem melhor representadas, pois desconhecem a palavra.

Destarte, a convivência em sala permite tanto ao professor quanto aos alunos a tolerarem e respeitarem suas diferenças individuais, quando Souleymaner expõe seu memorial na sala, ou Wei cita seu autorretrato a todos. Ou quando a turma toda se juntou para defender Souleymaner, esquecendo de todas as diferenças sociais ou escolares que possuíam(inclusive, quem mais o defendeu foi Angelina – a aluna agredida – e Carl – o aluno que tinha mais intrigas com ele). Enxergar o papel do professor além do que a ideia medieval promete, mas como um educador que tutela, ajuda quando necessário, exemplo a Angelina que recorre ao professor sobre Souleymaner ter de desistir de seus sonhos na França caso seja expulso da escola. Mostrar a utilidade da escola como sistema importante de aprendizagem para o social quando Souleymaner é expulso, dificultando seu sonho que se realizaria de forma mais fácil através da educação escolar.

Entre os muros da escola foi um filme bastante rico para reflexões da vida escolar. Abordou um sistema que tão dividido, permite analisar duas teorias pedagógicas distintas e presentes quase fundidas no mesmo meio. 

Pagando de cult – usufruindo desta natureza

Novo quadro de resenhas lançado em homenagem aos retardados leitores de k-fics intolerantes. Toda fanfic zoada(não pelos autores, mas pelos fãs góticos e emos ostentadores de QI 152 que não sabem o que estão fazendo aqui e não concordam que fic não é nada) ganhará uma resenha profunda, explorando traços que os analfabetos funcionais que só sabem xingar os outros de atirrore foram incapazes de ver(Nota-se).

CABALLO CABALLO 

A autora quis explorar como o abuso sexual por parte de alguém da família pode interferir no desenvolvimento da sexualidade.

Luhan é molestado por seu pai, mas como isso é absurdo demais para sua mente, ele reprime a consciência do abuso, assim como sua sexualidade. Por isso os humanos se tornam sexualmente desinteressantes para ele. Mas com o cavalo ele consegue explorar esse seu instinto, uma vez que o animal não ultrapassa os limites que Luhan impõem. Na verdade, o desejo pelo cavalo demonstra a necessidade que o garoto tem de explorar sua sexualidade de forma desenfreada com alguém que não afete sua moral. Alguém que use a abuse dele, mas só dentro dos limites que Luhan quer.

Ritual de primavera

Ritual da Primavera é o manifesto definitivo sobre a necessidade humana sempre atual de conexão e profundidade. Inconformado com as relações superficiais, tão comuns à contemporaneidade, Luhan procura nas pessoas o que elas têm de mais visceral e recôndito. Nosso herói não quer saber de aparências – ele quer enxergar o que ninguém mais percebe, o que as pessoas guardam no mais escondido de si. E ele não quer só contemplar, ele quer se envolver com aquilo, quer sentir na própria pele. É por isso que todas as primaveras, ele se entrega a seu ritual. O falo ereto que ele esfrega no intestino eviscerado de Baekhyun nada mais é que uma representação intencionalmente perturbadora de seu coração pulsante, sempre aberto para receber novos sentimentos e experienciar novas sensações. Nesse sentido, Luhan realmente “abriu” Baekhyun. Penetrou em sua alma e o possuiu, mas essa experiência é uma via de mão dupla. Baekhyun também foi mudado para sempre. Sua morte é apenas metafórica. Através dessa troca que ele se permitiu ter com Luhan, ele se transformou em nova criatura.

Being a fat korean idol

No fim tudo se resume a sexo. Por exemplo, em Being a Fat Korean Idol is Hard, a maioria talvez seja levada a pensar que Xiumin estava lutando contra a balança; numa visão mais extrema, que ele possivelmente sofresse de dismorfofobia, posto que ele nunca foi assim tão gordo. Na verdade, a história toda não passa de um eufemismo, de uma metáfora para algo muito mais forte e intenso. Xiumin não queria se livrar do excesso de gordura em seu corpo, e sim do excesso de pele em seu prepúcio. As críticas que ele indiretamente recebia dos fãs online são apenas uma representação de sua insegurança, das vozes em sua cabeça – como ele imaginava que seus amantes julgavam o fato de ele, aos 20 e poucos anos de idade, ainda não ter se livrado da fimose. A verdade é que ele sempre conviveu com esse complexo, mas após um comentário maldoso de um de seus one-night stands, ele se torna obcecado, o que o leva a apelar para diversas alternativas a fim de se livrar dessa inconveniência (algumas dessas alternativas incluem até mesmo auto-mutilação, e é por isso que ele é se refugia num “spa”, que na verdade nunca foi spa, e sim uma clínica psiquiátrica, na qual ele foi internado à força – e as cintas que são mencionadas em dada parte da narrativa não passam de uma atenuação para camisa de força). No desfecho, Xiumin tenta se reintegrar à sociedade, no entanto, quando ele descobre que, sem o excesso de pele, já não sente mais tanto prazer, ele surta de vez. Um conto cru, alegórico, penosamente real e que aborda, entre outros temas de extrema relevância, a paranoia contemporânea por perfeição corporal e prazer sexual extremo.

Top 5 de fanfics de EXO que se deve ler, parte III – Especial CrackFics

Resolvi fazer um promocional cracks por diversão. Li todas de comédia que possui a tag crack!fic, e não pude aguentar, tive que resenhá-las hasuahsuahsuaHoje vou fazer “diferente” dos tipos de resenha que faço. Inclusive, na estrutura do jornal, começarei de forma decrescente. Espero que gostem.

Em primeiro lugar, o que é crackfic? É denominado crackfic fanfics de comédia ligadas à universo alternativo, ou sátiras humorísticas relacionadas a problemas ou piadas do fandom ou do público que lê.

5 – BaekYeol, namorados eternosKpopFanfic.

Não conheço nada do autor(nem sei se é uma pessoa ou uma equipe divulgadora de fanfics), o único trabalho que li foi esse, e desse maravilhoso e sarcástico lemon, tirei muitas lições: é sem dúvida uma das minhas inspirações a minha única crack.
Quem tem twitter, conhece essa história, ou conheceu na época que foi postada. Apesar de não ser hit, muitas exotics que curtem comédia provavelmente já ouviram falar da BaekYeol da enfermeira lambe cus. Sim, são 608 palavras resumidas a uma cena de sexo super-troll entre Baek, Chanyeol e, tardiamente, uma enfermeira que entra sem querer no quarto do paciente por um péssimo hábito de não bater à porta.
Eu realmente não sei se foi intencional, mas senti uma pontada de crítica, ao abordar um plot corrido mostrando o cotidiano do grupo, no modo como utiliza os termos chulos nos diálogos, exemplo: “TIRA ESSE DEDO DO MEU CU, MALDITO”; caps lock na cena da enfermeira, e broncasno sense para fãs sobre o trocadilho do seu apelido ter desencadeado uma cuceta no mesmo.
Conclusão: essa fic sacaneia qualquer fantasia homoerótica de fujoshi açucarada. E eu AMO ISSOxD

4 – Tipos de LemonAiko Hime(minha)

Não é que eu ache minha fic a quarta melhor, é porque a fic merecedora desse local já teve resenha minha – Primo Chanyeol – então, aproveitei a colocação para fazer uma promoção pessoal ao lado da fanfic que me inspirou a escrever essa crack.
Como já dito, essa foi a minha primeira – e única – crack!fic. Não tive tanta dificuldade porque as minhas descrições de sexo sempre foram meio zoadas(sou apaixonada por termo chulos e roteiros de pornôs), só o que precisei fazer foi arranjar um tema que combinasse com isso: crítica à clichês sem lógica ligados a “heterossexualização” do sexo homo super hiper presentes, não em todas as fics de yaoi, mas em fics de slash de EXO. Não é incomum transformarmos passivos em ukevers, muito menos incomum, sem querer – ou não -, aderirmos gostos femininos, segundo uma sociedade patriarcal, em passivos. Porém, de um tempo para cá, fujoshis exotics transformaram cus em mini vaginas literalmente falando. Já ouvi falar de uns até com hímen sem nem sequer aviso de “universo alternativo” na lista. E assim, não é uma lemon ou outra, mas meio que diversas coisas estão padronizadascpelo fandom. Se eu não disser que o ativo “atingiu o ponto sensível ” do moleque, eles não transaram, ou o passivo não sentiu prazer algum. Como protagonista, utilizei Kris, considerado o macho alfa do EXO(se encontrar fics com ele passivo por acaso, isso é, sem a intenção de “inovar” da menina, me manda), para protagonizar a cena com a “mamãe” – ai – dos meninos. Isso, twoleaders, mamãe e papai – eeee,n – com críticas à couples normativas, já que hoje em dia, se o autor não faz taoris é flop, se faz é porque quer leitor(palavras desse anônimo no ask1ask2 da minha amiga). Sério, a panelinha do fandom chegou a esse nível segundo meus estudos sociológicos todos expostos na fic.
Conclusão: tenho ódio no coração e leiam a minha fic ❤

3 – Abrindo a poupançaFemartinsds

Minha ex-tomboy, a autora que se declara uma ficwritter de primeira viagem por até hoje só ter escrito duas fics – publicadas – na vida me fez ter vontade de me matar por escrever desde os meus 12 anos – fics publicadas – e não chegar a um terço de escrita dela. Na boa, ela tem muito talento, considero a comédia o seu traço mais forte.
Pode-se dizer que Abrindo a Poupança é um tanto polêmica por abordar iconoclastia como um dos temas. Contudo, como eu disse, ela sabe fazer humor; isso é, eu como cristã não me ofendi com a brincadeira, ao contrário, me desfiz de rir. Ela consegue zoar Jesus e Judas como um couple shippado por fujoshis sem ofender – claro que se você for fundamentalista, será diferente, mas daí a culpa já não é da autora – ou atacar a religião. Em outras palavras, ela faz bom uso do alvo nas sátiras, o que hoje – com os humoristas brasileiros, pelo menos – é bem raro.
Ché pikeno decide assaltar o burocrático banco da caixa, mas acaba se apaixonando por uma alusão de anão guardião do ouro de grigotes, Jumyeon, protagonizando uma cena tipicamente crack de sexo com ele em um dos cofres. No decorrer da história, eles acabam morrendo(não vou dar spoil do porquê) e vão para o céu, descobrindo que homossexualidade não é pecado e que Chen foi salvo – apesar de ser ladrão – por doar um pão a um mendigo, que mais tarde, os leitores descobrem(desculpa fer, preciso dar esse spoil) que não foi de bom grado, e sim uma troca para não ser morto pelo mesmo.
Conclusão: Ché pikeno é tão foda que enganou até Deus.

2 – Tyred of bottomingVenusNoire.

Digamos que essa foi a minha crack favorita por muito tempo – cerca de 3 minutos de uma fic pra outra – antes de ler a do 1° lugar.
Não vou falar nada da Noire porque já babei muito o ovo dela -merecidamente, essa cearense é o gênio da najação xD – em Carnage(minha fic favorita, primeira colocação no 1° top 5). Então, vamos ao que interessa.
Luhan cansado de dar, em uma tradução mais rude, trata-se da revolução aos cus desgastados. O personagem cansou da imagem de moça que a SM High School(please) prega, enjoo-se dos julgamentos alheios em relação à sua imagem e suas atitudes promíscuas como chupar paus no bebedouro, dar em banheiros para quem chegar por trás e afins. Poxa, será que não se pode mais ceder a cada encoxada que já virei o ukever da vez? Assim pensou Luhan quando, decidido, chamou seu parça de posição – que, apesar do título, considera-se versátil – para se inscrever na seita dos cucetas cansados. Claro que, como uma pessoa ciente da realidade, invés de montar um movimento social por causa disso, Kai aconselha Luhan a parar de ficar de costas para seus namorados, e pronto! O bottom virou top.
Conclusão: Quando por Kai, conselho dado é conselho cumprido.

1 – Being a fat korean idol is hardVenusNoir

Eu não posso com essa fic. Sério, ela foi feita para mim, cara.
Ser plus size na Coreia hoje em dia não é fácil. Ninguém liga se você participa do dance break de Mama, atinge as notas mais altas do seu grupo ou é tão polivalente que tem linhas até de rapper em History. Caso tenha gordura na sua barriga, você não passa “do gordo do grupo”.
XiuMin, já cansado do bullying e das desavenças, saturado de tentar quebrar um sistema cruel de beleza mostrando que mesmo gordo você pode se destacar sem que o motivo seja “ser o gordo”, decide digitar na mágica caixa de pesquisa cybernética, o google, a seguinte dúvida “qual a dieta mais maluca já registrada pelo guinesse book?” e embarca nessa aventura. Depois de muitas quase mortes por falta de vitamina, proteína e todas as outras substâncias fundamentais para o corpo – exceto ar e água, que tinha de sobra – Xiumin decide seguir o conselho dos manengers e do seu colega de grupo ocidentalizado, Kris, a seguir uma dieta comum, por mais que seu estado de obesidade seja tão grave que dure um tempo secular. Resultado: emagreceu. Contudo, sua atual imagem continua não sendo o a voz mais aguda, um dos dançarinos de Dance Break de Mama, ou, como já dito, um dos rapers de History. Mas sim, o “ex-gordo” do EXO.
Conclusão: Não importa o quanto XiuMin batalhe, sua imagem sempre terá a palavra “gordo” no nome.

Espero que o top parte III não tenha ficado muito chato, pois quero mesmo promover essas cracks deliciosas. Se já tiverem lido, ou forem ler, venham fofocar comigo.
Kiseo ❤

Lendo: Os comentários de apoio
Comendo: ar e luz(estou fazendo a dieta do xiuMin)
Bebendo: água, mas não muita, vai que tenha caloria, né

Top 5 de resenhas de fics do EXO em português que se deve ler(Fevereiro)

1 – CinabreKill-luhan

Nunca tinha lido nada da autora até pôr as mãos nessa fic. Cinabre foi aquelas descobertas por acaso que somente o contato me levou a buscar por outros trabalhos dessa ficwritter(apesar de ainda não ter lido as outras obras, estão todas na minha lista de favoritos a fim de análises no ônibus). No geral, sua escrita pode ser descrita como profunda, inesperada, surreal, trash*. Profunda não no aspecto clichê, mas reflexivo, desconstrutivo, é um verdadeiro exemplo de “maiêutica“(parto de ideias, como uma expulsão de pensamentos humanos escondidos no subconsciênte – banalizando o termo -, por isso a descrevi surreal). Esse é o maior motivo para o recurso estilístico mais utilizado por ela ser a descrição. Sim, gente, pela primeira vez vejo alguém utilizando a descrição como recurso predominante de forma correta.

Cinabre ou cinábrio, sulfato de mércurio – mineral de coloração vermelha – utilizado por romanos em vinhos com o intuito de melhor degustação; segundo os escritos, deixava o vinho mais saboroso. Mercúrio, como muitos sabem, leva à morte em excessos ou longo tempo de contato. Em outras palavras, é o prazer que mata. De fato, matou Luhan. Mas de forma simbólica. Sua obsessão por vermelho cinábrio é a única verdade. Essa sim levou à sua morte.
Uma resenha spoilativa? Como assim? Não vai descrever a história? Acreditem, somente conferindo os spoillers acima para entender pra que fiz isso.
Nt: Trash, destacado no 1° parágrafo, está no sentido de “chocante”: filmes almodovarianos, por exemplo.

Pontos negativos: Ao descrever Luhan como uma pessoa de traços pueris, mas mente pervertida, dá-se a entender que a autora quer passar aquela mesma sensação que pessoas da nossa cultura sentem ao assistir um shota/lolicon pela primeira vez, de choque. Contudo, ela foca tanto nessas descrições, repetições exacerbadas em parágrafos, que fica, às vezes, infantil. Como se a autora quisesse “causar”.

2 – O último unicórnioRaquel

Comecei a fic ano passado. Ainda está em andamento, mas já chegando ao fim. A autora ama shoujo, por isso as suas fics são uma das poucas héteros de EXO que li. Ela também é uma viciada em ficção de aventura, uma das maiores inspirações para essa obra foi Dama n’agua. Ao contrário da maioria das fanfictions que escrevo, essa obra é de aventura e cross over. Sim, é raro eu ler esse tipo de proposta, ainda mais sendo hétero, mas as capas, história diferente e frases conectadas com cada capítulo me cativaram.

O mundo dos unicórnios foi destruído, todos os seres que lá habitavam morreram, exceto o príncipe que agora se encontra no mundo dos humanos. Ele é a única chave à reversão do caos. É, parece cliche sessão da tarde (paradoxal com um dos motivos que me levaram a ler), mas as causas e consequências que desenrolaram até chegar ao tema tornaram-o um conto único. As personalidades atribuídas aos personagens, suas funções, tudo ficou incrível.

Pontos negativos: A autora ficou um tempo sem postar, agora está com bloqueio. Seus últimos episódios foram minúsculos e quase sem informação. Em outras palavras, a história está muito parada. Entretanto, ela já tem o cru, só lhe resta um empurrãozinho para desenvolver o resto. Quem sabe não seria mais leitores? Vão lá. ;D

3 – VindictamLuminer

Mais conhecida – por mim – como “Tolstói das fics”, sua maior marca sem dúvida é o tamanho de suas obras. Tem como mais famosa EXOtic Dream, cada episódio possui cerca de 10.000 palavras(a minha maior long fic conclusa tem 6.000 no total) . Com Vindictam não é diferente.

Vindictam, do latim “vingança” possui Xiao Lu como protagonista. Algo bem negativo em seu passado o levará a fazer de tudo e tudo para se vingar, inclusive, e principalmente, abrir mão de si mesmo contra a sua vontade. Não só no íntimo, mas no físico também.
Acho que foi um dos dramas que mais me tocaram no final de 2013, e ainda está no início(aproveitem que só tem 3 episódios até agora- 30.000 palavras, socorror). Não pela história inovadora(é muito, muito diferente do que estou acostumada. É tão diferente, que a autora registrou em cartório para evitar fraude, sério), mas pelos pontos abordados: até onde o ser humano vai quando não se tem mais nada a perder. Me deixou reflexiva, as descrições do sentimento do Luhan a cada transformação que ele necessita fazer me deixaram muito mal, triste, com pena do personagem. Mas não vou falar mais ou vou dar spoil perigoso.

Pontos negativos: não sei se é frescura minha, mas a ficwritter se mostrou um pouco xenofóbica. Digo, ela coloca o Luhan como um cara meio “homofóbico”, mas explica que é necessariamente pela sua “nacionalidade”, por ser um exemplo de “chinês tradicional”. Há uma gafe da Jiyeon(uma das personagens) quando ela propõe Luhan para transar com homens, sendo ele hetero, ela diz mais ou menos assim “Se você quer prosseguir com o plano, Luhan, Sugiro que abandone essas ideias conservadoras machistas e preconceituosa de homem oriental”. Claro, porque se eu pedisse para um amigo hetero ocidental para ele dar a bunda, ele iria normalmente. Dentre outros momentos que todos os coreanos da fic – sim, Coréia, cultura conhecida pelos kopppers como super ocidentalizada(quase um mini Eua) e homofóbica – ficam falando “para de preconceito”; “homossexualidade é normal”; ou seja, o único homofóbico da fic inteira é o protagonista, porque ele é puramente oriental.

4 – O primo ChanyeolExospirit

Não vou falar muito da autora, porque só conheço cracks dela, e só gostei dessa. Quem não leu Primo Chanyeol? Se não me engano, ela é uma das OS de EXO mais comentadas daqui, se não for a mais comentada. Caso você curta comédia, e não leu, vá ler agora! Você é uma vergonha para o fandom -nnn

Nos interiores da Coréia, um lugar onde só tem mato e pasto, há uma fazenda. Nessa fazenda, um menininho urbano passa o dia inteiro tomando leite em frente a janela de sua casa, tendo a vista – segundo ele – mais privilegiada da vida: seu primo caipirão, Park Chanyeol, sem camisa com a mão na enxada.
Imagine só o que a autora fez com tanta criatividade. Conseguiu arrancar risos e, acredite ou não, gemidos de muitos leitores por aí. Além de uma comédia brilhante e espetacular, um lemon ilustrativo, abastado de metáforas chulas e divertidíssimas.

Pontos negativos: O sotaque caipira. De fato, a autora conseguiu capitar bem as gírias, como se fala e por aí vai. Entretanto, deixou escapar falhas aparentemente bobas na utilização, mas que fariam diferença. Tem um texto de linguística – desculpa não estar com a fonte correta aqui agora – que fala sobre gramáticas. BaekHyun viveu boa parte da vida na cidade, por isso não tem muitosotaque caipira. Quando ficamos nervosos, a nossa gramática materna(no caso do Baekhyun, o sotaque caipira) aflora. Quando ele discutia com o Channie, pôde-se ver arfadas, excessos de reticências, palavras cortadas, mas o português dele era mais formal que o de escola. De vez em quando, no decorrer dos diálogos, a autora colocou uns “ocê”, mas ficou mais forçado do que raízes caipirescas, saks? Quanto ao Chanyeol, o papel dele nesse ramo estava excelente, perfeito mesmo, até ele usar a palavra “adequado” que é formal demais mesmo nos diálogos “gramaticalmente padrões” urbanos. No contexto, eu poderia jurar que ele estava zoando o primo “civilizado”, mas a ausência de aspas e o decorrer normal da cena me fizeram refletir.

5 – FalsettoAkaneSchiffer

Conheci a fic um dia desses, e já a devorei. Ela está em andamento, e ainda promete muita história. Como não tive sequer tempo de procurar sobre as obras da escritora, MAS DESCOBRI QUE ELA SÓ TEM 14 ANOS E ESCREVE MELHOR DO QUE O PAULO COELHO, OU METADE DAQUELES CONSERVADORES DA ACADEMIA DE LETRAS #L.CullenFeelings/tahparey, brincadeira, digo com segurança que a menina é genial no processo de estruturação da história. A escrita é muito, muito, muito técnica, elaboração de diálogos, o encaixe da descrição e afins.

No universo artístico, não existe gente, existem estrelas, que nasceram com o intuito de somente brilhar. JongDae, o mais renomado cantor de ópera, sofre a maior desgraça da vida: a descoberta da sua real função no mundo. Tudo aconteceu quando tivera um encontro com o homem que simboliza o destino que só pode desejar, jamais obter. Isso é ser um artista.
No geral, não encontrei pontos negativos. Como a história é de época, é normal demorar para pegar o sotaque e hábitos de forma natural, mas logo ela tira de letra.

Obs: Essa fic me fez pensar seriamente sobre a cultura idol tão famosa entre nós. Mostra-os como mercadorias, que de fato são, e nós, espectadores que os apoiamos, fregueses cruéis, mas necessários para que sobrevivam. Um paradoxo intocável que todos precisam conferir.

Todas essas fictions se encontram no Social Spirit.

Escutando: History – Dreamer
Lendo: Reviews para complemento
Assistindo: Dreamer MV
Comendo: Arroz caramelizado
Bebendo: Água

Por: Aiko Hime

Top 5 de fanfics do EXO em português que se deve ler(Janeiro)

1 – Carnage, VenusNoir

Também conhecida como Rainboushi, aqui jaz minha autora favorita do SS de fanfics do EXO. Ela possui um traço meio sombrio, acredita que em muitas fanfics seus personagens são caricatos propositalmente para fins de autoajuda ao leitor que está na merda. O que me chama mais atenção na escrita da Mama Noire é fluxo de consciência presente em seus desenvolvimentos, ela é capaz de construir uma drabble com uma simples frase(comprovem no ask dela).

Carnage é a melhor fic de EXO que já li em português; além de ser uma história inusitada, aborda temas críticos como religião – tema central -, prostituição e até mesmo máfia. Resume-se nas causas e consequências do encontro entre um recém-crismado de família tradicional ortodoxa perdido em sua fé e um típico cético que nunca aprendeu sobre quem é ou o que é Deus simplesmente por ter sido criado como um esquecido por tudo que é divino ou até mesmo humano. O casal BaekSoo – o ímpio e o bem aventurado – conquista todos e todas pelas descrições de sentimentos caóticos que duas realidades tão paralelas causam ao se cruzarem e entrarem em mudanças graduais necessárias para que possam ser compreendidas. Desde o desmoronamento de uma fé construída em anos de isolamento em uma comunidade aparentemente livre até o conserto de uma rotina de perdição acusada insanável em sua iniciação.
Essa fanfic também possui uma extensão paralela chamada Redemption, abordando a seguinte proposta: e se o casal BaekSoo fosse mulher?
Sério, recomendo todas as fics de EXO da Noire(sim, li todas), mas Carnage é quase uma obrigação.

2 – Welcome to my real lifeLettiechan.

A escritora mais fodinha que conheci no SS. Na época que li o trabalho dela, ela tinha 15 anos! E a história parece uma poesia parnasiana de tão bem estruturada, construída e betada. Sério, a menina escreve muito bem e consegue descrever os personagens de uma forma muito realista, e nisso o EXO nem tinha se mostrado direito ainda. Sua genialidade também se destaca por, apesar dos temas adultos e da narração madura, Lettie sempre deixa o seu traço infantil na abordagem das ideias, como se ela quisesse dizer aos seus leitores “apesar de tudo, não se esqueçam que sou uma adolescente”, e acho isso simplesmente fantástico.

Nunca chorei tanto em uma fic quanto Welcome to my real life, e olha que é HunHan(nunca vi hunhan boa que não seja de drama). Segundo a autora, é uma expressão de seus sentimentos através da narração de algo que aconteceu em sua vida. Temas como homofobia e namoro virtual são predominantes. Em poucas palavras ao som de uma linda trilha sonora do Plain White Tssugerida pela autora – com destaque a música Hey there Delilah (se eu pudesse me casar com essa música, eu casava) –, Sehun conta sobre seu único amor que durou pouco – devido aos julgamentos sociais de ambas famílias -, mas deixou lembranças eternas e esperanças para a cura de suas feridas sentimentais, que, somente sanáveis com a retomada de sua antiga paixão.
Após muitas lágrimas no fim da fic, leia Intoxication que é uma leitura da autora sobre MonstrosSA. Não sei se foi proposital, mas pelo final dessa fic, parece até que as duas se ligam de alguma maneira. Como se o final de Intoxication indicasse que WTMR teria um final feliz(spoiler sobre finais abertos xD).

3 – By the phoneSunshiner.

Foi uma das minhas primeiras fanfics de EXO. Não vou falar muito do autor porque apesar de eu conhecê-lo, não acompanho muito do trabalho dele (ele adora couple normativa, eu já não ><).

Bem, o que mais me atrai na fic é a naturalidade; tanto por ser um tema cotidiano – amor a distância entre meninos que realmente se relacionam à distância (não necessariamente de forma erótica, que saibamos) –; quanto pelo mecanismo utilizado para narrar a história: voltemos ao romantismo do telefone, algo quase vintage, pelo menos como meio de sexo virtual.
Os diálogos extremamente fofos da couple HunHan conseguem comover e excitar ao mesmo tempo. De fato, como citado acima, “naturalidade” é o que define essa fic.

4 – Um Toque de confiança e HardcoreEmmy.

O que mais me atrai na escrita da Emmy é o cuidado e carinho com os personagens. Sério, ao narrar às histórias, ela demonstra um amor implacável do principal ao “figurante”, dá finais felizes sem ser clichê.

Constituído por cenas épicas, Toque de Confiança discorre de uma rotina agitada em um colégio, a famosa tensão entre populares e excluídos. O problema é que, as coisas não são como parecem, e nada do que se espera acontecerá. É quase que surpresas sem mistério. Resumindo de uma forma um pouco mais informativa, os meninos ricos escondem histórias escabrosas demonstradas de forma gradual em suas expressões sexuais que quase sempre possui dominação ou SM.Hardcore é a continuação da fic, desta vez como centro das atenções não o colégio, mas a boate tão citada na 1° temporada e finalmente revelações e novas propostas quanto a intimidade dos personagens.
Ps: Para quem não gosta de couples normativas – como eu -, essa fic é um achado!

5 – Miscommunication (We Found Him)Maypsk

Considero a May muito parecida comigo em uma coisa: ela dá muito valor a detalhes. Sério, tem momentos que leio fics dela e falo “cara, fui eu que escrevi?”. Isso é muito bom, porque quando comecei a escrever fic, escrevia para mim mesma. Era como fichamento de sonhos, momentos que passei e pensamentos que tinha utilizado como base para montar uma história. Valorizar-se mais momentos a grandes acontecimentos decorrentes nas histórias.

We found him (quando a li pela primeira vez, esse era o nome) trata-se de um triângulo amoroso projetado por Kris, ou Wu Fan, onde seus alvos nem sequer sonham estar nele. O alvo nada mais é do que uma dupla de amigos coloridos de infância, Zitao e Yixing, que escondem paixões secretas um pelo outro e, de certa forma, o “novo namorado” que não imaginam ser o mesmo é usado como meio de ciúmes entre um e outro. O mais chocante nessa história é o dedo que realmente está por trás dessas tretas, revelado só no final. De verdade, a fic pode abordar uma história comum, mas a criatividade da autora em escrever algo tão clichê transformando-o em único é de deixar de queixo caído.

Todas essas fanfics podem ser encontradas no SocialSpirit, exceto We found Him, essa se encontra no FanfictionBr.

Escutando: Musiquinha do Star Wars
Lendo: Textos sobre Federalismo e Educação (qqq)
Comendo: Pipocas apimentadas, tipo, muito mesmo
Bebendo: Água, porque senão as pipocas me matam

Autoria: Aiko Hime