Gordofobia e o machismo nos quadrinhos da Turma da Mônica

Já debatemos a respeito de diferenças aqui no blog utilizando a Turma da Mônica como referência, a HQ Tina, o triângulo da confusão indicada para debater a diversidade sexual na literatura infantil. Hoje, ainda no gancho de debate acerca da literatura infantil e suas abordagens sobre diferenças, faço uma crítica aos materiais que acompanhei, desta vez focando na perpetuação machista através da gordofobia indicada em alguns quadrinhos.

“Baixinha, dentuça e gorducha”, esse não seria o bordão do Cebolinha? Todos rimos quando nossa protagonista corre atrás de um dos personagens mais amados da famosa HQ que carrega em suas costas 50 anos de tiragem. Cada particularidade, piada, a taxação de cada característica que torna o quadrinho mais divertido. Mas e quando a série, de forma inconsciente, passa uma mensagem negativa em um dos seus quadrinhos como por exemplo uma menina de oito anos que se diz insatisfeita com o próprio corpo? Quando ser gordo deixa de ser característica divertida entre duas crianças e passa a ser repúdio disfarçado em piada em um dos cartuns? Quando essa particularidade de ser gorda que é o que torna a nossa Mônica singular e divertida vira um problema a ponto de ser mudado quando passamos para a adolescência, introduzindo-a até a sexualização infantil(lolismo)?

Começamos com a história “Vai que cola” do personagem Piteco no almanaque “Uma aventura no parque de diversão da Mônica”.

Piteco, uma caricatura de homem das cavernas, no quadrinho salva uma garota e ela o beija como agradecimento. A garota é aparentemente bonita, conforme os padrões de HQ americano, extremamente sensualizada. Ele gosta da recompensa e passa a salvar todas as garotas que consegue, sendo beijado por cada uma delas, amando receber essa troca. De repente, Piteco salva uma moça gorda de um urso, ela, como todas as outras garotas, o beija como recompensa. Piteco aparenta não gostar muito do beijo, quando ela “ameaça” dar mais um, ele sai correndo gritando por socorro.

Contrário do sutil machismo de mulher que troca proteção de um homem por favores sexuais, a gordofobia é gritante. Ele não só recusou a recompensa como se apavora com a ideia. Qual é o humor da tira? Em que ele se aplica? É engraçado demonizar uma mulher gorda? Mulheres gordas são feias? Mulher pode ter dois papéis, o de objeto de desejo e o de objeto de zoação? Mulheres “feias” são inferiores a mulheres bonitas? É o tipo de humor que uma criança apreciaria? A criança gorda ficaria chateada? E a moral da história seria meninas doutrinadas a precisarem de proteção, meninos doutrinados a proteger as meninas visando sexo em troca? Os meninos vão tratar as meninas assim e as meninas vão achar natural serem tratadas assim?

Aparentemente a gordofobia nas histórias da personagem carismática por ser gorda não para por aí. Até porque, Mônica, uma criança de oito anos, detesta o fato. Sim, a edição “O segredo de comer e não engordar” mostra isso.

Vamos fazer uma curta análise multimodal com essa linda capa. O almanaque é da nossa personagem Magali, normalmente voltado para o público infantil feminino. Veja, o nome desta edição está do lado esquerdo, destacado com bordas azuis e letras de fonte arredondada. Segundo o livro “Introdução a multimodalidade” de Josênia Vieira, quando uma propaganda possui o texto do lado esquerdo, significa o foco idealizado, o que se deseja ao possuir o produto; se o texto estiver na parte inferior da imagem, é o real, o que realmente está sendo vendido; letras arredondadas atingem o público que possui mais contato com manuscrito; a cor varia conforme a cultura, e na nossa, o azul em propaganda predomina “sede de conhecimento”, “sabedoria”, por isso os logotipos das livrarias normalmente são azuis. Levando em consideração que o público da revista são meninas de aproximadamente oito anos, ou seja, ainda estão em período de alfabetização(escrevem muito, tem muito contato com manuscrito para aprender), “O segredo de comer e não engordar” está minimamente destacado para atingir seu público, como se o segredo de comer e não engordar interessasse muito crianças de oito anos. A história resumida se dá em uma mulher que persegue Magali com uma mosca-câmera para descobrir a fórmula de emagrecimento dela. Logo que essa nutricionista é pega pela Turma enfurecida por estar perseguindo e gravando a privacidade da amiga, enquadram ela aborrecidos até que tudo se ameniza, por parte de Mônica, quando a mulher revela o mistério do por que estar perseguindo a Magali. Veja o texto:

“E não causou”, afirmou Mônica que ao longo do texto concordou com a mulher o quanto também buscava emagrecer, o quanto ser magra era desejável por ela. A mulher que até então era vilã da história, torna-se a heroína por estar em busca do milagre que Mônica, uma menina de oito anos, sonhava. Emagrecer.

Em contrapartida, no almanaque da Magali, edição Reino das melancias, ser gordo é aceitável, sim. É algo até legal para o personagem Quinzinho. Sim, Quinzinho, um menino!

Com a moral da história “O que importa é beleza interior”, meninas mostrando para meninos o quanto eles são maravilhosos até gordos, algo que até então era tratado com repúdio pelo autor, é do que a história se trata.

O quadrinho começa com as meninas falando sobre o Quinzinho. Inicialmente, vemos tons de deboche, claro, ver gordo sendo maltratado é engraçado, como aborda no quadrinho de Piteco. Então, Magali intervém como heroína, o que encanta o Quinzinho que está escutando lá atrás. Então, ela finalmente fala do quanto seria legal uma fada sugar uns dois quilos de gordura do menino.

Magali dizendo para a amiguinha bully – quase vilã na história – que prefere Quizinho mais magrinho.

Quinzinho, ao escutar aquilo que sua amada disse, fez uma repaginada completa no visual sumindo por uma semana. Comprou lentes azuis, uma peruca maneira e, claro, emagreceu! Para ser bonito para a pessoa amada, precisa ser magro, não é.

Observem que durante a história, Quinzinho vai ditando o que gosta ou não em uma mulher, e as meninas, claro, vão mostrando comportamento diferente do que possuem na tentativa de agradá-lo. Enquanto ele diz o quanto são vazias, o quanto elas são sem graça, o quanto não são originais, em contraponto, diz o quanto Magali é original, o quanto é legal, o quanto ela o merece. Observem então que as meninas que riram e zoaram de Quinzinho são apresentadas como pessoas ruins, como vilãs. Já Magali, que gosta dele, essa sim é maravilhosa.

Magali no primeiro quadrinho está com meninas que durante a história vão se mostrando “más”, “vazias”, “bullies”, e adivinha? Elas não gostam do Quinzinho por ele ser gordo. A Magali não, ela é super legal durante os quadros, original, sincera, e oh! Ela prefere o Quinzinho gordo. Eu disse “prefere”, ela não acha mais aceitável, ela acha melhor que.

Observem Quinzinho na Mônica Jovem.

Como característica dele no quadrinho, um menino robusto, mas galanteador para meninas legais como Magali.

Já a nossa baixinha, dentuça e gorducha, a personagem principal que tinha como particularidade principal ser gorda…

Mônica aos dezesseis anos. Magra, utilizando seu clássico vestidinho vermelho, aparentemente o mesmo de quando tinha oito anos, já que é tão pequeno que está até subindo

Mas por que nossa protagonista perdeu sua característica principal? Lembram-se do início, no quadrinho de Piteco que relata os dois papéis sociais da mulher? Ou ela é alvo de diversão ou objeto de desejo. E aqui temos Mônica adolescente e completamente sensualizada. Aos 14 anos!

Piadinha de mal gosto onde Mônica agradece Cebolinha o abraçando com o rosto do menino em direção aos seios ligeiramente avantajados para uma menina de quatorze anos.

Então, categorizando, crianças de oito a dezesseis anos, se você for menina aprenda que existe dois tipos de mulheres, as gordas e as magras. As gordas são inferiores às magras, elas só servem para ser motivo de piada. Se ela for magra, ela é objeto de desejo, por isso não importa se ela tem quatorze anos, ela sempre vai oferecer sexo em troca, porque mulheres servem para isso segundo os quadrinhos citados, entretenimento masculino.

A doutrinação funciona quando se aborda um mesmo tema repetidas vezes, pregando como algo natural, como o caminho a se seguir. A partir do momento em que é abordado a menina que busca proteção masculina porque precisa ser protegida(como é o caso dos antigos desenhos da Disney), o homem busca em troca o afeto feminino por protegê-la ou o repúdio visando humor se ela não for o esperado. E se o menino não for o esperado – como o caso do Quinzinho, que era gordo -, caso não gostem dele por isso, a culpa é da mulher, que é superficial. Esses quadrinho estão levando a frente tudo que atualmente tentamos desconstruir. A Mônica que era legal por ser diferente do que normalmente era abordado nos contos de Princesa, era uma menina brava, que se defendia, era gorda, agora é uma menina magra, sensualizada. Não importa se ela tem oito anos e é voltada para o público de oito anos, ela está preocupada com estética, vaidade, ela quer saber o segredo de emagrecer e não engordar. Não importa se ela tem quatorze ou dezesseis anos, ela é vista sob uma abordagem lolista, fetichista. Enquanto eles “amadurecem” as meninas nos quadrinhos, os meninos permanecem usufruindo da infância, Cascão continua não tomando banho, Cebolinha ainda troca R por L de vez em quando(considerado até um charme por Mônica), Quinzinho continua gordo(por que Magali quando criança disse que prefere ele como é, a menina que tem que ser amadurecida, concedeu ao menino o direito de não se preocupar com essas coisas, até porque ele é criança e não precisa acelerar o amadurecimento porque é menino).

Que mensagem o autor quer passar com essas abordagens? Minha opinião está subentendida, mas qual será a dele? Qual é a opinião de vocês? Se incomodariam se crianças próximas de vocês tivessem acesso a esse conteúdo sem conversar com adultos antes? Qual seria a opinião das crianças sobre esses quadrinhos? E as meninas? E as meninas gordas?

Referências:

OLIVEIRA, EDSON. Gatilhos mentais. Mais persuasão, Brasil 2014 < http://maispersuasao.com.br/psicologia-das-cores >

SOUSA, MAURÍCIO. Magali: no reino das melancias. N° 73. São Paulo: Panini Comics, janeiro de 2013.(Série Mônica 50 anos)

SOUSA, MAURÍCIO. Magali: o segredo de comer e não engordar. N° 38. São Paulo: Panini Comics, fevereiro de 2010.

SOUSA, MAURÍCIO. Turma da mônica, uma aventura no parque: o Cebolinha perdeu a memória. N° 40. São Paulo: Panini Comics, abril de 2010. (Série Parque da Mônica)

SOUSA, MAURÍCIO. Turma da Mônica Jovem: Quatro dimensões mágicas – Parte I. N° 1. São Paulo: Panini Comics. Agosto, 2008.

 Autoria: Amanda Barros
Postado no Livros Abertos – Aqui todos contam

A adequação que discrimina

Vamos pegar o ser-humano, colocá-lo em potinhos e rotular cada um. Se você tá nesse grupo, não pode sair. Aliás, para ficar mais “adequado”, vamos criar diferentes nomes para todos os tipos de preferência, vamos diferenciar o binário do não-binário para “adequar” a todos uma visão de mundo. Vamos criar terceiros banheiros para que todos se sintam mais “confortáveis”, assim não dá briga. Vamos criar um vagão separado. Afinal, segregação resolve o problema, né?

Pois é, isso foi o que pensei quando vi esse quadrinho aqui.

10403611_582845085194356_4519636361246204321_n

Rótulos, precisamos deles para quê?

Em uma sociedade onde a relação homoerótica é mal vista – apesar de ser algo natural, contudo moralizado por uma cultura como certo ou errado -, é saudável criar um rótulo com o intuito de auto-afirmação. O mesmo com negros, dizer “tenho orgulho de ser negro” em uma sociedade racista é muito importante, ou quando as mulheres cisexuais dizem que elas são suas vaginas em uma sociedade misógina, ou as trans argumentam que órgão sexual não define em uma sociedade categorizadora por gênero binários. Sim, isso é legal.

Mas, quando se cria categorias e subcategorias separando o ser humano com rigidez, do tipo “isso só procura isso”, “aquilo só procura aquilo” e afins, deixa de ser um rótulo de auto-afirmação para ser uma segregação não saudável.

Em primeiro, o que me chamou a atenção foi que esse quadro foi compartilhado por uma transexual. Até ontem, eu entendia que as trans lutavam pelo direito de serem vistas como mulheres, apenas. Não como uma mulher trans, mas uma mulher. Obviamente que mulher trans é diferente de mulher cis, pois ambas lutam por muitos direitos diferenciados(a trans, repetindo, luta para ser vista apenas como mulher). Então como me vem ela compartilhar uma tira que diferencia sexualidade por preferências ou atrações que segregam binários de não binários?

“A orientação sexual de uma pessoa indica por quais gêneros ela sente-se atraída, seja física, romântica e/ou emocionalmente. Ela pode ser assexual (nenhuma atração sexual), bissexual (atração pelos gêneros masculino e feminino), heterossexual(atração pelo gênero oposto), homossexual (atração pelo mesmo gênero)3 ou pansexual (atração independente do gênero).”(wikipédia, Escala Kinsey)

Para mim, uma pessoa que fala “só me sinto atraída por mulheres cis” ou “só por mulheres trans” tem uma falta de entendimento do que é o feminino, uma fetichização ou um preconceito, não uma orientação sexual pronta que diferencia uma coisa que não deveria ser diferenciada. Vou repetir, rótulos servem para autoafirmação, não para categorizar o ser-humano. A sexualidade é a expressão  do ser em relação ao “objeto” de desejo, e segundo a escala kinsey(a qual eu estudei para escrever esse texto) ela varia. Não do tipo “acordei e sou gay”, mas que podemos desejar além do “homem, mulher, pessoa que não se identifica com gêneros/ binários e não binários”, o título serve só para autoafirmação(como já repeti trezentas vezes) em uma luta de aceitação em um grupo entre outros, não para segregar afirmando que o ser humano é algo cartesiano e a natureza é rígida, e somos formados por regras biológica e os carai.

Conforme andamos, avanço para mim seria a abolição de termos, sermos tão entendidos de gênero e sexualidade que apenas namoramos, sem títulos nem nada. Chegar uma época que ninguém precisa mais se autoafirmar porque vamos estar todos entendidos. Quando me deparo com uma lista que diferencia tudo de todos e gente que necessita desse tipo de rotulação para se expressar, vejo que talvez estejamos mesmo longe da ideia de avanço que eu tenho.

Sobre Rupaul, o racismo e a gordofobia dos fãs brasileiros

Não é segredo algum que minorias amam oprimir umas as outras no Brasil, como já comentei em “Olimpíadas da opressão – Dor não é privilégio“. Não é novidade, já que muitas minorias sequer se reconhecem como minorias – muitas vezes -, por causa disso acabam reproduzindo preconceito até com seus próprios, preferem não se assumir ou aceitar concessões, como prometer aos seus senhores que existirão, mas ficarão apagados, e quem não fizer o mesmo merece ser punido. Ninguém entende que minorias só vencem unidas e bem entendidas de si frente ao que são, não ao que o “alvo” tenta empurrar. Podemos utilizar os longos casos de haterismos que ocorrem desde a segunda temporada, com a vitória de Tyra Sanchez, ou a implicância com Shangela Laquifa. Também podemos citar os cutuques das próprias queens em cima da Mystique, reprovações em cima da Coco Montrese e julgamentos mesmo cientes da edição pesada com a Mimi I’m first. Mas quero focar na sétima temporada, já que a Ginger Minj fala bastante sobre isso. Brasileiro adora pagar vexa. Sobem tagzinhas toscas no twitter para tirar fulano ou fazer voltar ciclano(mesmo sabendo que já foi quase tudo gravado), ou pior, vi ABAIXO-ASSINADO para que a queen X saísse do programa. Pois é, nem o avaaz foge dos br. Se vamos falar sobre racismo, nunca se reconhecem pois ser racista é feio. Tentam defender até tokenizando aquele namorado, amigo, parente, colega, cachorro, cavalo como “argumento”. Ou pior, citam exemplos extremos ou claramente fora de contexto para provar que não é nada daquilo, que eu, pretinha, que quer fazer parte de uma minoria para se ter pelo que lutar(e pasmem, muitas vezes quem diz isso é negro. Sai dessa vida de capitão do mato, obrigada), que eu vejo as coisas nas coisas. Independente da sua hipocrisia, vou continuar apontando racismo onde tem sim, e você que me engula, ok? E a Delta Work? E a Victoria? E fulana? E ciclana?”. Sabe quando uma pessoa fala “sou contra pena de morte” e me vem uma pessoa falar “e se fizessem algo com seu filho? seu pai, e alguém da sua família? seu gato? cachorro? blá” ou  mais épico “não sou racista, todos da minha família amam minha empregada, e ela é negra DA RAIZ” é a mesma coisa! A Latrice era um amor de pessoa, e dublava pra caralho. Se ela viesse com shade, NINGUÉM gostaria dela. Ninguém, absolutamente ninguém torcia pra ela ganhar, era tipo “gosto dela, quero que ela vá pro top3, mas quero que fulano ganhe”. As pessoas gostavam dela porque ela estava “no lugar dela”, ela tava sendo 100% agradável, deixa essa pretinha aí porque ela não tá incomodando. Delta Work era uma Heather, grupinho amado pelos fãs, e ainda sim ela era mais atacada que qualquer outra dentro do meio(levando em consideração que a Manila e a Raja eram bem mais cheias de shade que ela), daí ela pode fazer shade que vai ser diva, era uma protegida, né. E a Vitória, preciso mesmo falar? Ela participou de um único capítulo, melhorem. Descobri a pouco tempo que a STACY era cheia de hater. Tipo, ela nunca falou nada, mas era odiada. Chamaram a Ginger e a Kennedy como casal de invejosas só porque elas falam que não gostaram de um certo look, ou da atitude de um certo alguém na prova. Por que elas são invejosas? Ate onde eu sei, elas foram as que mais ganharam desafios… Deve ser porque elas não estão no lugar delas, né? Não são gordas omissas, são gordas que criticam o sistema gordofóbico que tem no mundo da moda. Se as roupas delas ficassem em qualquer outro alguém, ganhariam elogios, isso é óbvio. E a Kennedy é duplamente odiada, sendo que ela ainda é mais omissa que a Ginger e tem menos shade, nem imagino porque ela é duplamente odiada… Nem passa pela minha cabeça o motivo… Já criticaram a postura da Kennedy Davenport por fazer um “homem” no snatche game, e até citaram “mas a Alaska foi criticada por se vestir de homem!”, e toda baboseira falando que ela é protegida do Ruapaul(mesmo que tenha sido umas das poucas a ter feito a galera rir) e etc. Considero essa comparação errada. Como a própria Kennedy já disse, Little Richard era “andrógino”, uma moda nos EUA semelhante ao glam(que veio muito depois), ele usava batom, lápis de olho e tudo mais. Quase um tipo de cross dresser, que mais a frente(nos anos 80) o estilo andrógino VIROU um crossdressing, tendo como estouro o Boy George. Ou seja, fazer Little Richard não é fazer qualquer homem, fazer o Litlle Richard é QUASE equivalente a fazer a Alyssa Edwards ou a Sharon Needles. Aí me perguntam, ah, mas Alyssa e Sharon são alters, o foco tá na versão feminina deles. Então a Jessica Wild imitar o Rupaul também cairia em contradição, porque apesar do alter dele levar a fama, ele é tão caricato que se é reconhecido por sua versão masculina também. Tanto que a Milk foi considerada genial por muitos(até pela Vissage, olha que milagre), não criticada ou comparada a segundos ou terceiros. Já tão tokenizando a Adele, já que Ginger deu exatamente o que os americanos querem: piada de esteriótipos.  Ela se gongou por ser gorda no programa, e ganhou a prova conforme esperava. Tão chamando isso de contribuir com a gordofobia porque querem eximir-se da culpa, fingir que o problema não existe e que ele “não é preconceituoso, mas”. Amor, uma minoria que oprime outra é pior que o Bolsonaro, uma que isenta-se da culpa dizendo que ela não existe é menos ainda. Ela se gongou porque deu o que eles queriam, não significa que ela goste de ser zoada involuntariamente.  Uma coisa é eu falar da minha mãe, outra é os outros falarem. Eu posso, você não. Até a Jaddyn que é “fofa” já tão falando que ela é muito “mimi”, concordo. Mas e a Pearl que é tão mimi que até as queens ficam revoltadas com ela? Com essa mania de “quero ir pra casa”, “não aguento mais”, blá blá. Na boa? Chegou a um ponto que os preconceitos não estão mais velados, mas óbvios.

Podemos contar nos dedos a lista de odiadas, quantas negras e gordas ela possui e comparar com a lista de negras e gordas amadas. E também podemos contar a lista de pessoas que jogam shade, quem é amada por isso e quem é odiada.

Fora do programa, a mesma atitude também tem diferentes lados. A Jasmine Masters fez comentário transfóbico, e foi xingada no reddit. Ela gravou um de 10 minutos pedindo desculpa, e explicando que ainda não entende essas coisas(se você não for trans, vai saber que já cagou pela boca também por falta de conhecimento do assunto) e a galera continuou com ódio dela e fazendo todo tipo de bullying, inclusive sendo racista(parabéns pra você que só reconhece uma minoria se faz parte dela ¬¬’). Violet Chachki postou um vídeo transfóbico e quando as trans foram lá reclamar e ela além de não ter tido a humildade de pedir desculpas, ela ainda enfrentou as gurias e foi chamada de “diva” por isso. Sem contar o tweet racista que ela fez comparando a Jasmine ao Donk Kong, depois só apagou e falou “desculpa pelo vacilo”. Fim. Ela tá sendo a mais cotada para ganhar apesar de só ter look e visual, não tem um pingo de versatilidade, mas como a Ginger e a Kennedy tão recebendo muita rejeição, a Ru provavelmente vai aderir aos racistas e transfóbicos fãs dela. Uma pena, Tyra Sanchez versão branca e amada por todas(pleonasmo), e racista e tranfóbica.

Dica para as meninas da season 8: se você for gorda ou negra, seja um amor de pessoa, não critique nada que você achar feio ou sem graça, jamais fale da atitude de uma queen para com você. E não se esqueça, shade é pras branca magra, ok? Elas são amadas por isso.

Olimpíadas da opressão – Dor não é privilégio

Quando minorias brigam entre si para ver quem sofre mais é titulado de olimpíada da opressão.

Atualmente, na internet principalmente, as pessoas têm confundido privilégio com “menos sofrimento”, o que causa tal “fenômeno”. Claro que não são grupos que se digladiam, mas pequenos elementos que infelizmente não compreendem do que se tratam suas lutas, ou estão tão sobrecarregados com a vivência que passam a analisar o lado errado da moeda para argumentar: comparar as dores para dizer quem é “privilegiado”.

Privilégio: s.m Vantagem atribuída a uma pessoa e/ou grupo de pessoas em detrimento dos demais.

Em outras palavras, privilégio não é menos sofrimento, e sim não sofrer. Como diz o dicionário, é a VANTAGEM daquele grupo, o que aquele grupo tem que faz com que ele não seja tão oprimido quanto o outro.

Socialmente falando, é óbvio que existe uma pirâmide de oprimidos, assim como dentro de grupos ideológicos também. Mas o que torna as pessoas privilegiadas não são as dores delas, mas vantagens que elas possuem por não estarem inseridas no mesmo grupo que outros do seu meio. Por não focar nisso, grupos dizem que outros são vitimistas em relação a eles e fazem comparações dessa natureza para ver quem sofre mais:

Sem contar que a informação é inverídica. Mulheres cis sexuais morrem por serem mulheres TODOS OS DIAS. Reveja seus conceitos, parça

Sem contar que a informação é inverídica. Mulheres cis sexuais morrem por serem mulheres TODOS OS DIAS. Reveja seus conceitos, parça

É válido utilizar da misoginia, do racismo, da transfobia para representar um grupo? Enforcar um oprimido para representar outros?

Apropriação cultural para falar de feminismo, moça?

Apropriação cultural para falar de feminismo, moça?

E as assexuais? E as lésbicas? E as que não querem homens? Mulher é moeda de troca agora?

E as assexuais? E as lésbicas? E as que não querem homens? Mulher é moeda de troca agora?

Quando se pratica olimpíadas da opressão, se desvia o verdadeiro foco: a liberdade do sistema imposto pelo topo da pirâmide.

Rico numa sociedade capitalista. Como o senhor sofre, ein?!

Rico numa sociedade capitalista. Como o senhor sofre, ein?!

Você quer liberdade da pirâmide, e não a aceitação do topo! Você não vai falar “por favor, homem heterossexual, me aceite, odeio mulheres, tenho nojo de vagina, não sou ameaçador”, “Por favor, mundo branco, me aceite, sou contra cotas, negro cotista é vagabundo, viva a meritocracia”. A ideia é que essa pirâmide seja destruída, mas se você passa a negar dores de outros oprimidos, seja em pról de aceitação do topo da pirâmide, ou pra mostrar que você está abaixo, não ajuda. Lembre-se de reconhecer VANTAGENS, não negar o sofrimento do outro grupo ou dizer que a vítima é vitimista. É muito feio só se reconhecer a minoria em que se está inserido, ou querer ditar o que o outro tem que sentir ou como agir, falar por eles..

Recapitulando, existem minorias dentro de minorias, mas se vamos argumentar, que utilizemos a tese certa. Falemos das reais vantagens daquele grupo, não ficar pontuando dores, e dizer que ser queimado em óleo quente o torna privilegiado, pois pior é estar sendo queimado pelo fogo. Isso não só gera discursos falaciosos – e horríveis -, mas também falta de sororidade, que é fundamental. Minorias, se unam, e fiquem a vontade para criticar privilégios, sim. Mas lembrem-se, PRIVILÉGIOS, não olimpíadas da opressão.

Tina – O triângulo da confusão.

Aceitar as diferenças. Tema tão repetitivo na escola que, ao apresentá-lo, crianças mostram ter o logotipo internalizado, mas quase nunca possuem reflexões ou opiniões próprias sobre o assunto. Trabalhar qualquer questão em conjunto é difícil, principalmente em se tratando de crianças. Digo isso porque não é qualquer tema que pode ser facilmente apresentado em linguagem simples. Quase sempre, criar um ambiente aberto a discussões não é o que se espera. Ao “desrobotizar” uma pessoa, isso é, pedir para que ela fale o que pensa, e não o que a instruíram a falar, é chocante a dificuldade. Com crianças é até mais fácil, pois a infância ainda é uma fase de transparências, não há preocupação, por exemplo, com processos judiciais. Se a professora incentivar a criança a não ter medo de se expor, prometer não mandar bilhetinho para casa ou qualquer punição, flui tranquilamente. Contudo, existem temas em que, por mais à vontade que a criança esteja, sempre teremos a tutela dos pais. Sexualidade é uma delas.

Não sei explicar se a sexualidade é exatamente um tabu nos dias de hoje. Está presente na nossa cultura, mas ainda é muito complicado abordá-la, a divisão de público é quase absoluta. Uns aceitam falar sobre o assunto, outros não querem nem saber. Independente do tema ou público, se bem abordado, é possível se tratar de qualquer coisa, homoafetividade não é diferente. Como exemplo, trago o quadrinho de Maurício de Sousa: Tina, o triangulo da confusão.

Fazendo a leitura da revista de edição N°6 da protagonista adulta da família “Turma da Mônica”, percebe-se que é mais voltada para o público jovem que infantil, trazendo assuntos como música, moda, preocupação com provas na escola e afins. Entretanto, esse quadrinho “O triângulo da confusão”, ao meu ver, tratou da questão dos relacionamentos e da sexualidade de forma genial. Genial porque você pode entregar esse quadrinho para um adulto ou para uma criança que está iniciando a leitura que ambos entenderão a mensagem, sem dificuldades com interpretação, abstração ou coisas assim. A história é curta e simples, e não tem o problema da homofobia como tema central. Lembra do logotipo internalizado que não gera reflexões? O mesmo acontece quando toda vez que as diferenças são o assunto em foco, mas trata-se da questão de modo a gerar respostas prontas. Aqui, ninguém é vítima de nada. Mas também, nada é apresentado cor de rosa, em um mundo onde todos são aceitos, e não existe maldade. Isso também não ajudaria em nada, certo?

Tudo começa quando Tina está misteriosa com a amiga Pipa. Ela está tão entrosada com uma pessoa no celular que a amiga decide segui-la para tirar essa história a limpo. Quando vê Tina com outro cara, ela se choca. Logo pensa que a menina está traindo o namorado e tudo mais. Coincidentemente, encontra Miguel, o namorado da Tina, que entra em desespero ao ouvir a história e passa a vigiar Tina acompanhado de Pipa. Já chegando à conclusão de traição, Miguel chora no colo da Pipa que também é surpreendida quando o seu namorado, Zecão, chega ao restaurante acompanhado de um amigo, pois a cena sugere, por sua vez, traição. Rola uma briga no cenário e Tina e Caio, como são pessoas conhecidas, vão lá se meter. Tina explica para Miguel que Caio é apenas um amigo, daí Caio fala “E eu já sou comprometido, não é?”. Para surpresa de todos, ele aponta para o cara que chegou ao cenário junto com Zecão.

Achando graça da encrenca toda, Caio e seu namorado vão embora e Tina dá um esculacho em Miguel que acaba de fazer uma cara de surpresa perante a situação.

“- Viu só? E vê se deixa de ser preconceituoso!

– Er… Desculpa, Tina! É que eu não sabia que ele…

– Eu estou falando de preconceito contra mim! Você acha que tem que rolar alguma coisa toda vez que homens e mulheres conversam? Não é?”

Assim, a história aborda a sexualidade sem frases prontas do tipo “você tem que aceitar/tolerar/respeitar ou você será um ser humano ruim”. Em vez disso, a história mostra Caio como exemplo de lucidez perante os ciúmes e as conclusões precipitadas dos dois outros casais, sem vitimizá-lo ou oferecer fórmulas prontas. Ao mesmo tempo, é uma história que eu leria com as crianças sem medo de receios por parte dos pais ou bocejos de tédio por parte das crianças.

Lembrando que eu não critico abordar homossexualidade ou a homofobia de forma direta. Muito pelo contrário, em algum momento isso tem que acontecer. Mas, para qualquer assunto que tende a se tornar tabu, a naturalidade é uma ótima forma de iniciar o diálogo. Achei interessante esse quadrinho sair dos clichês que insistem em fazer a criança decorar situações e não pensá-las.

Que outras opções para abordar vocês recomendariam para abordar relacionamentos e sexualidade?

Miley Cyrus não inventou o twerk

Como uma cultura idiotizadora, aquela que mobiliza adolescentes a realmente acreditarem que seus ídolos midiáticos – que nem os conhecem – os amam; que se revoltam nomeando “traidor” quem “ousa abandona-los” seguindo uma carreira séria, isto é, deixar de trabalhar para uma empresa que ganha mais vendendo “personalidade” do que música. Uma cultura que vende pessoas, que passa por cima de outras culturas, que transforma algo sério em lixo, que segrega por etnia; que possui símbolos que ficam bem na classe dominante, mas horrível em quem os criou.

Como uma cultura idiotizadora chegou ao nível de conquistar pessoas que compram qualquer merda que ela produz, não se interessam por música quando colecionam CDs, mas pelo visual(aparência e personalidade do ícone vendida pela empresa); querem quem produz, não o que foi produzido. O consumidor nem se toca que aquilo é uma imagem de marketing, que aquela pessoa provavelmente é o oposto do personagem que vende. Ele coleciona os CDs porque o videoclipe de promoção era bonito, não importa se tem autotunes o suficiente pra transforma-los Vocaloids, vai a shows com um puta playback e cenas de arte circense e de dança nas quais o ídolo sequer mexe um dedo – pagou profissionais para fazê-lo dos quais sequer serão lembrados ao entreter uma apresentação de uma pessoa que não fez nada mas é o motivo de os fãs estarem lá -, lê roteiros na cara dura pra fazer entrevistas ou participar de algum ‘reality”. Mas o fã está lá, disfarçado de um apreciador da música – apesar de nem saber o que está escutando a ponto de nem notar que é tudo igual ou comprarem qualquer merda que fulano produz porque é do fulano, e ninguém fale mal do trabalho dele! Adorar ídolos midiáticos é como religião, irrefutável e não aberto a opiniões, por isso imutável e cego -, pagando por algo que foge da proposta(era fazer música, mas as pessoas pagam pelo personagem vendido mesmo) que sequer é real. Uma cultura tão idiotizadora que as pessoas nem ao menos se perguntam se é real.

Há um tempo que a entrevista com a Azelia Banks gerou polêmica até entre seus próprios fãs brasileiros(tinha que ser). Fãs que, aliás, como todo hu3 br feat zoeiro: quer ter opinião, mas não se informar sobre o assunto que opina, mesmo com o google ali do ladinho. Sua abordagem foi sobre apropriação cultural utilizando Iggy Azalea e Miley Cyrus como alvo de crítica.

Ela iniciou o discurso falando que em seu país ela não pode praticar a própria cultura, mas quando brancas como Iggy a praticam, são considerada excelentes. O entrevistador então explica que em uma cultura capitalista, eles não se importam com o que se vende, então por ser um país de maioria branco, eles gostam de comprar aquilo que se veem inseridos. Aí ela diz “Certo, então não ponha Iggy na categoria hip-hop, põe ela na categoria pop, na mesma caixa que Miley Cyrus”. Azelia Banks sabe que o hip-hop tem um histórico sociocultural por trás, o peso da expressão como movimento da cultura negra e o impacto de expressá-lo na sociedade por ser alguém inserido nessa cultura. Ela sabe que, ao contrário dessas brancas, não se trata de fazer rap e balançar a bunda(já que nelas para a mídia, se resumiu a isso, deixa de ser símbolo e vira “lixo” – termo usado quando a cultura é apropriada e perde seu valor), Azelia Banks só deseja que sua cultura não seja embranquecida mais uma vez, como foi com o Jazz, o Blues e o Rock. O hip-hop, que até hoje é marginalizado, torna cantores brancos como Iggy Azalea e Eminem famosos por serem brancos, sendo Iggy mais famosa que Azelia, Dominique e muitas outras cantoras negras desconhecidas por não serem “novidade”, isso é, “não ser aquilo que eu quero ver” em um país de maioria branca, tendo Azelia Banks e essas negras consideradas vadias loucas quando expressam suas culturas fazendo um trabalho – se sensual – semelhante a da branca novidade. A branca é novidade, a negra é vadia e desconhecida em um movimento que a pertence.

Mais o que me chamou atenção mesmo foi sua crítica a Miley Cyrus. A fofíssima Hana Montana da infância de uma geração de crianças que agora as acompanha adolescentes como uma jovem adulta hipersexualizada que em sua estreia nesse novo personagem, para polemizar, faz um passo de dança marginalizado por ser de “negras vulgares do gueto”, popularizado nos anos 90 no street-jazz e hip-hop, tradicional de Nova Orleans. O twerk.

Engraçado esse negócio de apropriação. Até hoje é possível ler na internet gente defendendo o twerk da comparação com os passos do funk brasileiro porque “foi a Miley que criou”. Sim, o twerk não é de puta, porque foi a Miley que criou. Não sei o que me choca mais, o complexo de vira-lata ao ser legal nos gringos, mas não nos brasileiros, ou dizer que aquele passo de dança do qual meninas negras eram taxadas de putas nos vídeos da internet, não é de puta quando uma branca a dança sendo intitulada até mesmo como criadora desse estilo. Mais uma cultura passada para trás, mais um povo marginalizado por criar algo, tudo pelo embranquecimento em prol à cultura dominante no cenário global.

Um sistema que vende pessoas vai se importar de passar por cima de conquistas de povos, de ofendê-los, ou de transformar em acessório, lixo, tudo que uma cultura tradicional criou com esforço, manteve e passou a frente com o sangue de mortes em prol de aquilo existir como uma expressão de existência daquele grupo? Claro que não. O público eurocêntrico apenas quer consumir e, claro, com os próprios inseridos, porque cultura negra praticada por negros é ruim, vulgar e mal influenciadora, já praticada por brancos é inovador, diferente e legal. E salve Miley Cyrus, criadora do twerk. Só que não.

Sobre o fim de Naruto

Não vou dizer que não tive tempo(apesar de muitas internações terem ocorrido), foi exatamente a preguiça que me consumiu a ponto de ter demorado quase um mês para escrever(e ainda ficar extremamente informal) sobre o final do mangá do meu anime favorito. Que, diga-se de passagem, odiei. Mas, não odiei tanto quanto achei que fosse odiar ao receber spoil. Digo, muita coisa que aconteceu mais pareceu um improviso puramente comercial, mas o final do protagonista Naruto ao menos aparenta ter tido planejamento. Vamos por partes.

Ps: eu falo palavrão, mas claro, sem ser racista, machista, homofóbica e essas coisas. É mais tachativo do que ofensivo. Só estou avisando antes pra saber o conteúdo que irão ler.

Capítulo 693 ao 698 – Foram cinco volumes lindos do Naruto dando o seu máximo para convencer o amigo a parar com a palhaçada de querer roubar o único sonho que tinha(ser Hokage) antes de conhece-lo e, agora, ter o amigo de volta em casa. Frases de efeito como “A luta pelo amor e o poder” somado aos flashbacks da amizade deles na infância e o fim que os parou, nada mais nada menos que perderem os braços de mãos dadas formando um coração de sangue, já era SasuNaru o suficiente. Mas não, Kishimoto fez questão de finalizar a luta com o Sasuke praticamente se declarando para o Naruto, dizendo o quanto Naruto mudou sua vida e o quanto se sentia dependente dele; as coisas que o loiro já falou em sua posição sobre o amigo em uma saga que basicamente tratava-se de “salvar” Sasuke da própria ambição que antes da guerra ou da corrupção da Akatsuki não interferiria em nada relacionado a vila, somente a ele mesmo. Mas o amor de Naruto no fim era recíproco, e Kishimoto mostrou isso da forma mais linda que conseguiu.
Ps: quando eu uso o termo “sasunaru” me refiro ao relacionamento que Kishimoto disse sobre o Naruto e o Sasuke, não um típico carnal, mas um amor inconsciente.

Capítulo 699 – Pra mim, se acabasse aqui, ninguém perderia nada. Kakashi se torna Hokage e consegue a absorção de Sasuke na vila. Absolvido, ele se desculpa com a Sakura por todo o desprezo gratuito que deu a ela ao longo do crescimento do time 7 e agradece todo o trabalho do grupo durante todos esses anos não terem desistido dele. Logo em seguida, ele vai embora da vila afirmando que como um desertor, queria conhecer o mundo. Esse sentimento de liberdade e independência SEMPRE foi um princípio do personagem, o que refletiu suas ideias para ser um Hokage(o fato de aguentar a solidão por ser algo que faz parte dele), ou ser o único sobrevivente Uchiha. Enfim, não teve fim melhor para o Sasuke.

Capítulo 700 – QUE COMECE A PALHAÇADA
Explicando: como não manjo dos inglês, vi aquelas criancinhas e me assustei. Um sentimento de revolta tomou conta de mim “será que Kishimoto é tão vendido que cedeu a pressões de fanzinhas e tonou o fim do mangá sem noção só pra ganhar dinheiro?”, com um anime que tem mais filler que capítulo canon, mais enrolação que história, não era pra eu ter ficado tão surpresa com o fato do Kishimoto ser mercenário. Gente, a coisa ficou tão shoujo do nada que eu até pensei que era doujinshi. A começar de todo mundo resolver casar com todo mundo e ter filhinhos com característica de um e outro, me senti mesmo uma analista de fanarts no tumblr.

Quando eu finalmente li a história, vi que não foi tão mal e ao mesmo tempo foi pior. Vamos aos secundários: Chouji e Karui. Cara, o que a Karui tem a ver com qualquer coisa? Ficou tão “Já que vamos casar todo mundo, pega aquela menininha lá da aldeia do raio pra casar aqui com o gordinho que ficou sem ninguém.” Nem o The Last vai conseguir explicar essa jossa. Pelo menos a Chouchou é fofa.

Sai casando conseguiu ser mais dafuck que ChouKaru. Mesmo que Danzou tenha morrido, ele continua sendo um ninja Anbu. Hokage nenhum, nem mesmo o Naruto que segundo o povo da guerra “mudaria o mundo ninja” conseguiria modificar um sistema milenar da noite para o dia só pra que ele possa fazer couple com a Ino. Mas o no sense não para por aí…

Sakura como mãe solteira que teve uma filha do Sasuke –que continua viajando mundo afora desde o fim da guerra, ou seja, como? – sem ter se envolvido com ele. Pra mim, o fim da Sakura foi o pior e a maior prova de que Kishimoto é um machista de marca maior. Já comentei no tumblr a minha opinião sobre o tratamento que Kishimoto dá pras personagens femininas: luta contra qualquer vilão = meio clássico mais a saga do shippudden inteira pra sennin morrer, jounnin se lascar, uau, como Orochimaru e Zabuza são fodas(vilões iniciais que mais pareceram bostinhas conforme o anime evoluía), a luta do Madara com os kage que foi puta covardia por exalta-lo tanto em uma Reencarnação Impura totalmente controlada. Enfim, Madara era tão poderoso no mangá que nem Hashirama que matou uma vez tava dando conta com a ajuda de TODOS os ninjas, foram capítulos e capítulos de desespero, desesperança e adrenalina e nossa, O vilão. Luta contra a Kaguya, que é a raiz de toda história = três volumes no máximo pra ser derrotada por gennin com as lutas mais boçais de todo o mangá. Foi como ejaculação precoce segundo um amigo meu que tem pinto. A Ino que tinha um dos kekkei genkai mais fodas – só do fato de ter kekkei genkai já a torna especial – teve que virar médica por ser julgada inútil no clássico e ainda só desenvolver suas habilidades de Yamanaka no meio da guerra porque um homem mandou. Hinata faz parte do clã mais foda, enfrentou o Neji quase morrendo para provar pra ele que era uma ninja forte pra no final ser tudo igual, continuar sendo protegida(Neji morreu por isso, e logo agora que ele tinha praticamente se assumido para ela, mas pousou como santo casamenteiro falando “Naruto, agora você é um Hyuuga”, nunca vou superar essa morte tosca e sem sentido, como o Kishimoto pôde matar um personagem idolatrado só pra ele casar o Naruto? Ela já não tinha se declarado? ) e não confiando em si mesma, etc. Tsunade passou por toda superação pra no fim continuar lamentada por não casar e mantendo as feições do justu por vergonha da velhice(sem contar que todas as expressões dela de luta foram minimizadas se for contar com toda a ajuda que ela teve). A Temari que é mostrada como uma ninja forte tem um leque que simplesmente faz tudo por ela, ela é até lutadora de longa distância para ficar sempre na defensiva, isso não é ser forte para mim, mas para Kishimoto, em se tratando de uma FÊMEA, sim.

Mas com a Sakura todo o desprezo foi dobrado. Voltemos ao clássico. Qual a personalidade da Sakura? O que ela queria? Era uma menina inteligente, uma das melhores da classe, ela acreditava que podia ser forte, começou a trabalhar duro para acompanhar Sasuke e Naruto, enquanto eles treinavam com os sennins ela aproveitava suas habilidades de controle do chakra(atividade que ela sempre foi superior aos meninos, mas na hora do hush ela sempre era protegida, por que será?) para pedir ajuda não só para uma das sennins também, mas A HOKAGE, em troca de ser uma ninja médica digna. Estava tudo indo bem nas primeiras temporadas do shippuuden, ela curou o Kankuro – que estava envenenado com um veneno inusitado – com uma ervinha da esquina, tirou veneno dele com água da torneira, lutou contra um dos mais fortes da Akatsuki(Sasori era sublider, só ficava abaixo do Pain e da Konan), mesmo que ele tenha se entregado no final, todo o estrago que ela fez já brilhou de bom tamanho. Quando Naruto voltou, quando ela voltou ao time 7, voltou a ser inutilizada a ponto de até o Kabuto(que é inimigo) ter de cura-la. O seu momento de brilho intenso na guerra, superando até a Tsunade(que é referência de mulher forte) foi desprezado quando Sasuke e Naruto apareceram para selar o que devia ser o personagem mais foda do anime, mas no fim era só uma deusinha do sexo feminino, ou seja, Sakura pode ser forte, mas na frente de seus companheiros homens ela só serve pra deixar o grupo com três integrantes. Daí, para “melhorar” a situação, Kishimoto finaliza Sakura como uma dona de casa e mãe da filha do Sasuke(que não sei como foi feita já que Sasuke ainda está vagando pelo mundo); adeus sonhos, adeus treinamentos, adeus função de ninja médica, adeus todos os esforços que sempre eram inutilizados por homens. Basta dar uma criança do homem que ela “amou” – apesar de ele não só tê-la desprezado o anime inteiro, como também disse ao Naruto que nunca se interessou por ela antes de fazer as “declarações de amor” para ele (q) – e pronto. Fim da Sakura no anime. Porra, mano, quando eu vi ela naquele aventalzinho branco limpando a estante eu quis vomitar. Devia ter casado ela com o Rock Lee, ou não casa-la, transforma-la em uma mulher independente e forte que ela sempre quis ser fazendo as medicinas lá no hospital, que tal? Eu jurava que no fim ela superaria seus sentimentos pelo Sasuke e carregaria um legado de uma super ninja médica e talz. Não, tá pouco machista esse final, né? Ela ia acabar feliz conforme merecia, invés disso vamos alimentar os shippers (sério, tem gente que ignora a história dessa porra só pra shippar casalzinho, essa porra não é shoujo, tá) e dar um filho imaginário do homem que a detesta para essa linda dona de casa ex-sennin, ex-médica foda, ex-útil que já era inutilizada.

Mas veja pelo lado bom, a Tenten apesar daquela aparência de submissa chinesa (piada colada do Naruto SD), no fim era a mais autossuficiente das mulheres, isso é, ela nunca se mostrou gostar de ninguém, e não gostava. Casou com ninguém, manteve-se no mundo ninja ostentando sua paixão por armas. A princípio, ser uma ninja para ela era ser uma ninja, não fortalecer-se pra ficar com homem, nem fazer couple com quem ficou sem mulher por aí, nem nada disso. Era só ser uma ninja.

Kakashi e Gai no final juntinhos jogando fez tanta a alusão a casais homossexuais da terceira idade no Japão. Será? Mesmo que não, adorei.

Nem me importei com o final NaruHina(já que esse foi o único assunto que bombou sobre o fim por parte dos fãs), mas achei lindo o Naruto casar e ter filhos, podia ter sido com qualquer uma, até com a “assexual” Tenten. Achei tudo a ver ele casar e talz. Acho que de todos do time 7, o final do Naruto foi o único bom, do Sasuke teria sido bom se ele não tivesse engravidado a Sakura pelo olhar, já que ele continuou seguindo seus princípios. Parece que no fim, só quem se lascou mesmo foi a personagem feminina. Inesperado? Tanto quanto saber que no próximo capítulo do anime, será uma filler.