Branco dominador e a cultura como humanizadora

As pessoas não entendem o que é o eurocentrismo. Por não entenderem o que é isso, acreditam em racismo reverso(entenda que essa palavra nem existe, racismo é apenas racismo, é impossível branco sofrer racismo, procure o que essa palavra significa, sério), dizem que brancos tem cultura apropriada pelos outros povos(vergonha alheia, sos), e que o embranquecimento é desrespeitoso aos brancos(DAFUCKKKKK???), de tanta ignorância ainda dizem que embranquecimento é apropriação cultural(não sabe o que é um, nem o que é outro, mas fala sobre porque branco só faz branquisse). Certo, vamos por parte.

Sabe o mundo? Pois é, a construção dele como está agora é consequência da globalização. Não, globalização não é acesso à internet(pra quem acredita em racismo reverso, não me admira que pense isso), é quando há interação econômica e social entre o mundo todo, algumas línguas chamam de imperialismo sutil, ou como a galera da esquerda chama “Mcdonaldização do mundo”. Apesar do termo criado pós-guerra fria, algo parecido já acontecia até antes do sistema mercantil(muitas coisas os europeus, principalmente os gregos, levam crédito pela criação antes mesmo de cristo nascer, coisas que a África e a Ásia já estavam era na versão 2.0 antes de serem roubados). Então, essa “interação” culturalmente falando é nada mais que aproximar todas as culturas a dos Europeus e seus filhos Estado Unidenses, que é o padrão, o desejado. Reprodução dominador e dominado.

Se o branco é o centro, é o padrão, o desejado, o que todos temos que ser, como é possível existir racismo com branco? Racismo não é uma discriminação comum, não é apenas “vamos fazer bullying com o colega porque a cor dele é essa”. Racismo tem um contexto histórico-cultural, é inferiorizar alguém pela raça. Inferiorizar é rebaixar, como vou colocar abaixo uma pessoa com uma cultura histórica de opressão e supremacia, do colega que é o padrão global? Como se inferioriza alguém que está no centro, que está “naturalmente” acima? Mesmo que eu quisesse ser racista com branco, nunca iria conseguir porque a etimologia da palavra impede isso. É igual falar que o leão está sendo “desumano“(não ser humano) com a gazela. Ter preconceito é diferente de discriminar, que é diferente de racismo. Todo racismo discrimina, mas nem toda discriminação é racista, mesmo que se refira a raças, entende? Desenhando: tem o rei e o plebeu, o rei fala “plebeu, termine de limpar o salão de festa e vai embora porque a nobreza vai chegar.” é a mesma coisa do plebeu falar “rei, você não pode vir a nossa festa de plebeus. Fique nas suas festas de nobrezas, porque aqui na nossa pobreza você não entra””? O branco está no centro, ser branco é que é legal, o branco para chegar nesse patamar de ser superior teve que exterminar e matar culturas, teve que dominar(e domina até hoje, isso ficou óbvio, né?) outros povos e nomeá-los(esses títulos “negro”, “raça amarela” é a visão do dominador em cima do dominado, existe o caucasiano e as “pessoas de cor” que são todo resto), por que só é diferenciado(titulado) aquilo que não é o normal(dentro do padrão).

Estou sendo redundante de propósito, oks?

Durante muito tempo, esses “anormais”, que era como o branco via outras culturas e povos, ganharam até seu próprio zoológico. Olha que bonitinho o índio fazendo coisinhas de selvagem dele! Ficaram sabendo do espetáculo de amanhã? Sim, eles vão comer um ser humano na nossa frente! Vamos jogar uma banana pra esse negrinho na jaula, porque ele parece um macaco! Olha esse esquimó no freazer filhinha! Amanhã a gente vai mais! Pois é… Não vou falar afundo sobre isso porque não é meu interesse, se quiser procure “Zoológico humano” na internet, na edição dos Illuminati da Mundo estranho também tem uma matéria curtíssima sobre, mas bastante informativa.

Citando o a visão do dominador em cima do dominado utilizando o zoológico humano como exemplo, quis dizer que durante anos, o que era diferente do que o branco fazia era considerado “exótico”, os diferentes eram tratados como animais selvagens, e suas culturas não eram considerada cultura, mas coisinhas que selvagens faziam. Sabe quando um retardado fala por exemplo que “funk não é cultura”? Ele está desumanizando o funkeiro, tá reproduzindo o que o branco dominador fez com a “diversidade”. Cultura é tudo que o ser humano produz e passa a frente, se o que ele faz não é cultura, então é coisinha de selvagem. Saks? Quem disse que falar alemão é legal? Que escutar música clássica é cult? Que ler é coisa de gente inteligente? Que tomar um vinho apreciando um bom filme é mais legal do que tomar uma cerveja sambando? Tudo isso são valores eurocêntricos, são impostos como única forma de cultura, e quem não gosta dessas coisas é selvagem, burro, anta, lixo, entre outros títulos desumanizadores. Então dá pra entender que até hoje quem não faz cultura, faz coisinhas de selvagem, né? Sendo cultura, os padrões eurocêntricos, oks? Então, todos os diferentes que quiserem se considerar humanos, terão que seguir esses padrões, terão que ter essa cultura. Porque a cultura humaniza, do contrário é coisinha de selvagem. Quando negros vão contra esses padrões e criam os próprios meios, ou resolvem resistir e utilizar de artifícios que seus ancestrais “animais” utilizavam na história, isso não é cultura! Porque isso não é humano, humano é o que o europeu faz! Ah, espera. O branco gostou disso! Olha, ele tá fazendo igual! Olha, ele pegou essa resistência e transformou em moda. Ele apagou toda uma luta por trás dessa coisinha de selvagem pra validá-la como cultura. Só se o branco faz que é cultura. Se o preto faz é coisinha de selvagem, mas se o branco gostou e se apropria, é validado como cultura. Isso é apropriação cultural. É apagar uma resistência, um genocídio por trás dessa conquista e transforma-la em acessório pra poder torna-la cultura, porque só se branco faz é que é cultura(chega, isso ficou óbvio).

O branco não satisfeito em obrigar o negro ou o amarelo(pessoas de cor) a se humanizarem com o que ele acha que é cultura, também diz o que é bonito ou não nele, se apropriar da cultura do negro para dizer o que pode ou não, cria ícones brancos para representarem a cultura negra, ele quer homogeneizar tudo. Todos somos iguais, diferença é ruim! Todos somos homogêneos, o mais próximo do branco, tá? Vamos apagar tudo que veio antes, sejamos todos brancos. Aliás, vamos continuar o genocídio até ter só brancos e embranquecidos. Olha, o negro está doutrinado, ele abomina “coisas de selvagens” e só gosta do que impomos a ele, ele clareia a pele e alisa o cabelo porque sabe que isso é que é bonito, diferente disso é feio(se for bonito em algum momento, é moda, tendência, e apenas em brancos! coisas de selvagens só são “cultura” em brancos, lembrem-se!). Ele é quase branco, só não é branco porque não nasceu branco. Ele nunca vai deixar de ser negro, ele sempre vai ser um ser de cor, mas olha que bonitinho! Aprendeu direitinho. Entenda que sempre será visto como um doutrinado, um dominado, jamais branco. Isso é bom? Pro branco é, ele é o dominador. Então por que tem gente dizendo que isso é apropriação cultural? Porque não sabe o que significa o termo, claro. Como vou apropriar algo que me é imposto? Como estou apagando uma luta utilizando como acessório se aquilo que estou fazendo é considerado uma forma única de cultura? Não tem sentido! Espero que tenha entendido, ser redundante cansa, sério.

Embranquecimento em si não é só isso. O embranquecimento no Brasil aconteceu quando os escravos foram “libertos” daí os europeus chamaram os amigo pobre da Europa pra trabalhar aqui, porque eu não vou pagar ninharia pra preto! Preto tem que trabalhar de graça! Magina se vou pagar meu cachorro pra proteger a minha casa, só pode tá é loco… A intenção era que preto ficasse sem meios pra se sustentar, sem ter como sobreviver e morrer tudo, ou voltar pro continente invadido deles, daí os imigrantes pobres brancos que seriam os novos trabalhadores, mas pagos, claro. Quem quiser saber de mais informações, o livro Sociologia, introdução à ciência da sociedade da Maria Cristina Castilho Costa fala sobre isso sem ironias e um pouco mais.

Espero que quando a Azealia Banks fale sobre Iggy Azalea não merecer os títulos honoríficos de rapper que os brancos dão a ela, ou sobre Katy Perry se apropriar da cultura egípcia ludicamente em Dark Horse como se fosse uma homenagem, ou Mirley Cirus sendo vexosa em abordar “cultura negra” da forma que ela vê, ou sempre frizar “brancos” em seus discursos sobre racismo, espero que vocês entendam o que ela fala, pois eu não vou mais desenhar…

Para mais leituras:

http://blogueirasnegras.org/2015/02/18/a-cultura-negra-e-popular-mas-as-pessoas-negras-nao/

http://blogueirasnegras.org/2014/07/10/ser-preto-ta-na-moda/

http://www.revistacapitolina.com.br/o-que-e-apropriacao-cultural/

(Esse texto tá com um contexto muito norte-americanizado, mas dá pra mais ou menos entender) https://www.facebook.com/notes/rachel-furtado/apropria%C3%A7%C3%A3o-cultural-um-pequeno-guia-sobre-o-que-%C3%A9-e-o-que-n%C3%A3o-%C3%A9-traduzido/10203757225116973

http://resistir.info/samir/imperialismo_globalizacao.html

https://doisdolaresoutravez.wordpress.com/2015/01/04/miley-cyrus-nao-inventou-o-twerk/

“Por que você ajudou ela na rua?”; “Porque ela é criança”, disseram sobre a menina branca que teve uma rua paralisada pela comoção de estar perdida.

Mais um exemplo de que o negro não é visto como ser humano, por isso temos que validar a nossa cultura resistindo a opressão branca. Não, não fazemos coisinhas de selvagem, o que passamos a frente é cultura! Cultura não é só o que o branco faz. Você pode nos desumanizar por sermos negros, mas não deixaremos de ser humanos nem negros.

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