Vamos parar com essa porra de pardo?

Pardo não é etnia. Pardo é um termo social que os brancos criaram para definir os negros que são “aceitáveis”. Quando uma pessoa diz que ela é parda ela não está se autoafirmando, mas negando o fato de ser negra, aceitando a visão do dominador em cima dela de que ser negro é algo ruim. Geralmente em um casamento interracial, quando o pai ou a mãe é branca – se for de uma época mais antiga – eles vão insistir para você que você não é negro, mas pard@, moren@, eles vão construir uma nova raça em cima da sua cor. Isso porque somos coloristas, ser negro é algo muito ruim na nossa cultura. Então para amenizar, nos separam por cores, para nos enfraquecer, quanto mais longe de “negro”, melhor. Quando se é caucasiano, se é apenas branco. Não existe “vermelhos”, “acinzentados”, é apenas branco. Agora se é negro, existe moreno, pardo, preto, mameluco, cafuzo, mulato, afins. Tudo porque “negro” é algo muito ruim, ser preto é horrível, por isso vamos criar n “eufemismos”. Acontece que para os caucasianos, existem os brancos e as pessoas de cor. Nisso, pessoas de cor são os índios nativos, os afrodescendentes, os “amarelos”(referência aos asiáticos e esquimós), “hispânicos”(referência aos latinos), ou seja, somos tudo a mesma coisa. Chamar-se de “pardo” não é autoafirmação, mas aceitação da imposição de que ser negro é ruim, então se não é branco, porque branco é branco, é qualquer coisa que não seja negro. Queremos acabar com o racismo, né? Precisamos de autoafirmação para mostrar que “negro” é uma raça, que não, não queremos nos aproximar do branco para sermos “aceitáveis”, muito obrigada. Por isso, façamos o favor, se não é branco e é afrodescendente ou nativo aparente, somos negros! Para com essa porra de pardo.

Referências para entender o texto:

A face racista da miscigenação

http://blogueirasnegras.org/2013/05/20/a-face-racista-da-miscigenacao-brasileira-2/

Relação inter-racial e a falsa democracia racial

http://cnncba.blogspot.com.br/2008/11/relaes-inter-raciais-falsa-democracia.html

Virou regras?

http://blogueirasnegras.org/2013/05/02/literatura-negra-virou-regra/

Sobre meninas com idade entre a infância e adolescência, e homens mais velhos.

feminismosemdemagogiaOriginal

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Há algumas semanas surgiu por ai um debate acalorado sobre meninas que relacionam– se com homens mais velhos. Lançar o questionamento sobre o assunto bastou para que houvesse um verdadeiro surto de mulheres defendendo com ferocidade que “Onde esta a liberdade de escolha?”, ou “só por que elas são adolescentes não tem direito a exercer sua sexualidade?” ou “Esta critica é moralista” ou “Pergunte a elas como elas se sentem!”.

Por trás deste protesto todo existe um pensamento enraizado, uma visão de como devem ser as coisas, um viés liberal. Todas as vezes que as feministas da esquerda levantam se para problematizar a sexualidade, são atacadas com todo tipo de acusação que as remeta a moralistas, como se tudo que as feministas da esquerda quisessem fosse impor regras sobre a sexualidade alheia. Mas não trata se de impor regras, não trata se de moralismo, trata se de fazer uma análise…

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Branco dominador e a cultura como humanizadora

As pessoas não entendem o que é o eurocentrismo. Por não entenderem o que é isso, acreditam em racismo reverso(entenda que essa palavra nem existe, racismo é apenas racismo, é impossível branco sofrer racismo, procure o que essa palavra significa, sério), dizem que brancos tem cultura apropriada pelos outros povos(vergonha alheia, sos), e que o embranquecimento é desrespeitoso aos brancos(DAFUCKKKKK???), de tanta ignorância ainda dizem que embranquecimento é apropriação cultural(não sabe o que é um, nem o que é outro, mas fala sobre porque branco só faz branquisse). Certo, vamos por parte.

Sabe o mundo? Pois é, a construção dele como está agora é consequência da globalização. Não, globalização não é acesso à internet(pra quem acredita em racismo reverso, não me admira que pense isso), é quando há interação econômica e social entre o mundo todo, algumas línguas chamam de imperialismo sutil, ou como a galera da esquerda chama “Mcdonaldização do mundo”. Apesar do termo criado pós-guerra fria, algo parecido já acontecia até antes do sistema mercantil(muitas coisas os europeus, principalmente os gregos, levam crédito pela criação antes mesmo de cristo nascer, coisas que a África e a Ásia já estavam era na versão 2.0 antes de serem roubados). Então, essa “interação” culturalmente falando é nada mais que aproximar todas as culturas a dos Europeus e seus filhos Estado Unidenses, que é o padrão, o desejado. Reprodução dominador e dominado.

Se o branco é o centro, é o padrão, o desejado, o que todos temos que ser, como é possível existir racismo com branco? Racismo não é uma discriminação comum, não é apenas “vamos fazer bullying com o colega porque a cor dele é essa”. Racismo tem um contexto histórico-cultural, é inferiorizar alguém pela raça. Inferiorizar é rebaixar, como vou colocar abaixo uma pessoa com uma cultura histórica de opressão e supremacia, do colega que é o padrão global? Como se inferioriza alguém que está no centro, que está “naturalmente” acima? Mesmo que eu quisesse ser racista com branco, nunca iria conseguir porque a etimologia da palavra impede isso. É igual falar que o leão está sendo “desumano“(não ser humano) com a gazela. Ter preconceito é diferente de discriminar, que é diferente de racismo. Todo racismo discrimina, mas nem toda discriminação é racista, mesmo que se refira a raças, entende? Desenhando: tem o rei e o plebeu, o rei fala “plebeu, termine de limpar o salão de festa e vai embora porque a nobreza vai chegar.” é a mesma coisa do plebeu falar “rei, você não pode vir a nossa festa de plebeus. Fique nas suas festas de nobrezas, porque aqui na nossa pobreza você não entra””? O branco está no centro, ser branco é que é legal, o branco para chegar nesse patamar de ser superior teve que exterminar e matar culturas, teve que dominar(e domina até hoje, isso ficou óbvio, né?) outros povos e nomeá-los(esses títulos “negro”, “raça amarela” é a visão do dominador em cima do dominado, existe o caucasiano e as “pessoas de cor” que são todo resto), por que só é diferenciado(titulado) aquilo que não é o normal(dentro do padrão).

Estou sendo redundante de propósito, oks?

Durante muito tempo, esses “anormais”, que era como o branco via outras culturas e povos, ganharam até seu próprio zoológico. Olha que bonitinho o índio fazendo coisinhas de selvagem dele! Ficaram sabendo do espetáculo de amanhã? Sim, eles vão comer um ser humano na nossa frente! Vamos jogar uma banana pra esse negrinho na jaula, porque ele parece um macaco! Olha esse esquimó no freazer filhinha! Amanhã a gente vai mais! Pois é… Não vou falar afundo sobre isso porque não é meu interesse, se quiser procure “Zoológico humano” na internet, na edição dos Illuminati da Mundo estranho também tem uma matéria curtíssima sobre, mas bastante informativa.

Citando o a visão do dominador em cima do dominado utilizando o zoológico humano como exemplo, quis dizer que durante anos, o que era diferente do que o branco fazia era considerado “exótico”, os diferentes eram tratados como animais selvagens, e suas culturas não eram considerada cultura, mas coisinhas que selvagens faziam. Sabe quando um retardado fala por exemplo que “funk não é cultura”? Ele está desumanizando o funkeiro, tá reproduzindo o que o branco dominador fez com a “diversidade”. Cultura é tudo que o ser humano produz e passa a frente, se o que ele faz não é cultura, então é coisinha de selvagem. Saks? Quem disse que falar alemão é legal? Que escutar música clássica é cult? Que ler é coisa de gente inteligente? Que tomar um vinho apreciando um bom filme é mais legal do que tomar uma cerveja sambando? Tudo isso são valores eurocêntricos, são impostos como única forma de cultura, e quem não gosta dessas coisas é selvagem, burro, anta, lixo, entre outros títulos desumanizadores. Então dá pra entender que até hoje quem não faz cultura, faz coisinhas de selvagem, né? Sendo cultura, os padrões eurocêntricos, oks? Então, todos os diferentes que quiserem se considerar humanos, terão que seguir esses padrões, terão que ter essa cultura. Porque a cultura humaniza, do contrário é coisinha de selvagem. Quando negros vão contra esses padrões e criam os próprios meios, ou resolvem resistir e utilizar de artifícios que seus ancestrais “animais” utilizavam na história, isso não é cultura! Porque isso não é humano, humano é o que o europeu faz! Ah, espera. O branco gostou disso! Olha, ele tá fazendo igual! Olha, ele pegou essa resistência e transformou em moda. Ele apagou toda uma luta por trás dessa coisinha de selvagem pra validá-la como cultura. Só se o branco faz que é cultura. Se o preto faz é coisinha de selvagem, mas se o branco gostou e se apropria, é validado como cultura. Isso é apropriação cultural. É apagar uma resistência, um genocídio por trás dessa conquista e transforma-la em acessório pra poder torna-la cultura, porque só se branco faz é que é cultura(chega, isso ficou óbvio).

O branco não satisfeito em obrigar o negro ou o amarelo(pessoas de cor) a se humanizarem com o que ele acha que é cultura, também diz o que é bonito ou não nele, se apropriar da cultura do negro para dizer o que pode ou não, cria ícones brancos para representarem a cultura negra, ele quer homogeneizar tudo. Todos somos iguais, diferença é ruim! Todos somos homogêneos, o mais próximo do branco, tá? Vamos apagar tudo que veio antes, sejamos todos brancos. Aliás, vamos continuar o genocídio até ter só brancos e embranquecidos. Olha, o negro está doutrinado, ele abomina “coisas de selvagens” e só gosta do que impomos a ele, ele clareia a pele e alisa o cabelo porque sabe que isso é que é bonito, diferente disso é feio(se for bonito em algum momento, é moda, tendência, e apenas em brancos! coisas de selvagens só são “cultura” em brancos, lembrem-se!). Ele é quase branco, só não é branco porque não nasceu branco. Ele nunca vai deixar de ser negro, ele sempre vai ser um ser de cor, mas olha que bonitinho! Aprendeu direitinho. Entenda que sempre será visto como um doutrinado, um dominado, jamais branco. Isso é bom? Pro branco é, ele é o dominador. Então por que tem gente dizendo que isso é apropriação cultural? Porque não sabe o que significa o termo, claro. Como vou apropriar algo que me é imposto? Como estou apagando uma luta utilizando como acessório se aquilo que estou fazendo é considerado uma forma única de cultura? Não tem sentido! Espero que tenha entendido, ser redundante cansa, sério.

Embranquecimento em si não é só isso. O embranquecimento no Brasil aconteceu quando os escravos foram “libertos” daí os europeus chamaram os amigo pobre da Europa pra trabalhar aqui, porque eu não vou pagar ninharia pra preto! Preto tem que trabalhar de graça! Magina se vou pagar meu cachorro pra proteger a minha casa, só pode tá é loco… A intenção era que preto ficasse sem meios pra se sustentar, sem ter como sobreviver e morrer tudo, ou voltar pro continente invadido deles, daí os imigrantes pobres brancos que seriam os novos trabalhadores, mas pagos, claro. Quem quiser saber de mais informações, o livro Sociologia, introdução à ciência da sociedade da Maria Cristina Castilho Costa fala sobre isso sem ironias e um pouco mais.

Espero que quando a Azealia Banks fale sobre Iggy Azalea não merecer os títulos honoríficos de rapper que os brancos dão a ela, ou sobre Katy Perry se apropriar da cultura egípcia ludicamente em Dark Horse como se fosse uma homenagem, ou Mirley Cirus sendo vexosa em abordar “cultura negra” da forma que ela vê, ou sempre frizar “brancos” em seus discursos sobre racismo, espero que vocês entendam o que ela fala, pois eu não vou mais desenhar…

Para mais leituras:

http://blogueirasnegras.org/2015/02/18/a-cultura-negra-e-popular-mas-as-pessoas-negras-nao/

http://blogueirasnegras.org/2014/07/10/ser-preto-ta-na-moda/

http://www.revistacapitolina.com.br/o-que-e-apropriacao-cultural/

(Esse texto tá com um contexto muito norte-americanizado, mas dá pra mais ou menos entender) https://www.facebook.com/notes/rachel-furtado/apropria%C3%A7%C3%A3o-cultural-um-pequeno-guia-sobre-o-que-%C3%A9-e-o-que-n%C3%A3o-%C3%A9-traduzido/10203757225116973

http://resistir.info/samir/imperialismo_globalizacao.html

https://doisdolaresoutravez.wordpress.com/2015/01/04/miley-cyrus-nao-inventou-o-twerk/

“Por que você ajudou ela na rua?”; “Porque ela é criança”, disseram sobre a menina branca que teve uma rua paralisada pela comoção de estar perdida.

Mais um exemplo de que o negro não é visto como ser humano, por isso temos que validar a nossa cultura resistindo a opressão branca. Não, não fazemos coisinhas de selvagem, o que passamos a frente é cultura! Cultura não é só o que o branco faz. Você pode nos desumanizar por sermos negros, mas não deixaremos de ser humanos nem negros.

Vouyerismo e as más definições gerais sobre o assunto.

Quando se diz “Sou vouyer” já pressupõe que você ama dar umas espiadinhas nas trepas alheias. Fim. E se eu disser que sou vouyer e jamais assistiria uma transa ao vivo porque detesto sexo? Entenda, se se é bissexual, necessariamente participaria de um menage sem problema? O pansexual se atrai por tudo e todos? Caso você acredite nisso, também digo com segurança que é mito. Não, mito é uma palavra ruim, seria mais uma desinformação e desentendimento do assunto, por ligar pontos que não tem a ver diretamente.

O sexo para mim, como pansexual bi-romântica e vouyer (tanta definição que minha cabeça deu um nó), é algo íntimo. Mas não é íntimo pela forma que me defino sexualmente, mas porque eu, Amanda, o considero íntimo. Primeiro, entendamos o que é ser um vouyer, para explicar melhor  como isso funciona.

Um vouyer é uma pessoa que sente prazer sexual no visual. Ela pode sentir prazer vendo pessoas se pegarem, mas não é só isso, ou necessariamente isso. A construção do prazer sexual dela vai além do esfrega-esfrega, o ato sexual em si é apenas um detalhe. Entenda, gosto de me satisfazer vendo @ parceir@(sim, uso arroba para gênero xD) se satisfazendo comigo, mas porque gosto de me prender à fantasia, não ao real. Mensagens/conversas eróticas, pornografia(filmes ou contos -prefiro contos), preliminares demoradas (bem demoradas mesmo) que são o meu ápice. O sexo mesmo é só uma parte em si, uma vírgulinha, o orgasmo então é quase como a conta para pagar, o literal fim da brincadeira, algo até trágico as vezes. O vouyer então seria uma pessoa que se satisfaz mais sexualmente na fantasia, não no real, seja imaginando como seria sexo através do que lê ou escuta, ou ver alguém sentindo prazer.