Olimpíadas da opressão – Dor não é privilégio

Quando minorias brigam entre si para ver quem sofre mais é titulado de olimpíada da opressão.

Atualmente, na internet principalmente, as pessoas têm confundido privilégio com “menos sofrimento”, o que causa tal “fenômeno”. Claro que não são grupos que se digladiam, mas pequenos elementos que infelizmente não compreendem do que se tratam suas lutas, ou estão tão sobrecarregados com a vivência que passam a analisar o lado errado da moeda para argumentar: comparar as dores para dizer quem é “privilegiado”.

Privilégio: s.m Vantagem atribuída a uma pessoa e/ou grupo de pessoas em detrimento dos demais.

Em outras palavras, privilégio não é menos sofrimento, e sim não sofrer. Como diz o dicionário, é a VANTAGEM daquele grupo, o que aquele grupo tem que faz com que ele não seja tão oprimido quanto o outro.

Socialmente falando, é óbvio que existe uma pirâmide de oprimidos, assim como dentro de grupos ideológicos também. Mas o que torna as pessoas privilegiadas não são as dores delas, mas vantagens que elas possuem por não estarem inseridas no mesmo grupo que outros do seu meio. Por não focar nisso, grupos dizem que outros são vitimistas em relação a eles e fazem comparações dessa natureza para ver quem sofre mais:

Sem contar que a informação é inverídica. Mulheres cis sexuais morrem por serem mulheres TODOS OS DIAS. Reveja seus conceitos, parça

Sem contar que a informação é inverídica. Mulheres cis sexuais morrem por serem mulheres TODOS OS DIAS. Reveja seus conceitos, parça

É válido utilizar da misoginia, do racismo, da transfobia para representar um grupo? Enforcar um oprimido para representar outros?

Apropriação cultural para falar de feminismo, moça?

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E as assexuais? E as lésbicas? E as que não querem homens? Mulher é moeda de troca agora?

E as assexuais? E as lésbicas? E as que não querem homens? Mulher é moeda de troca agora?

Quando se pratica olimpíadas da opressão, se desvia o verdadeiro foco: a liberdade do sistema imposto pelo topo da pirâmide.

Rico numa sociedade capitalista. Como o senhor sofre, ein?!

Rico numa sociedade capitalista. Como o senhor sofre, ein?!

Você quer liberdade da pirâmide, e não a aceitação do topo! Você não vai falar “por favor, homem heterossexual, me aceite, odeio mulheres, tenho nojo de vagina, não sou ameaçador”, “Por favor, mundo branco, me aceite, sou contra cotas, negro cotista é vagabundo, viva a meritocracia”. A ideia é que essa pirâmide seja destruída, mas se você passa a negar dores de outros oprimidos, seja em pról de aceitação do topo da pirâmide, ou pra mostrar que você está abaixo, não ajuda. Lembre-se de reconhecer VANTAGENS, não negar o sofrimento do outro grupo ou dizer que a vítima é vitimista. É muito feio só se reconhecer a minoria em que se está inserido, ou querer ditar o que o outro tem que sentir ou como agir, falar por eles..

Recapitulando, existem minorias dentro de minorias, mas se vamos argumentar, que utilizemos a tese certa. Falemos das reais vantagens daquele grupo, não ficar pontuando dores, e dizer que ser queimado em óleo quente o torna privilegiado, pois pior é estar sendo queimado pelo fogo. Isso não só gera discursos falaciosos – e horríveis -, mas também falta de sororidade, que é fundamental. Minorias, se unam, e fiquem a vontade para criticar privilégios, sim. Mas lembrem-se, PRIVILÉGIOS, não olimpíadas da opressão.

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Um pensamento sobre “Olimpíadas da opressão – Dor não é privilégio

  1. Pingback: Sobre Rupaul, o racismo e a gordofobia dos fãs brasileiros | Dois dólares outra vez

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