Detesto gatos, fãs de Harry Potter, Best sellers norte-americanos e muitas outras coisas

Krystal Jung encanta as pessoas pela sua antipatia. E é com esse recurso que ela encantará os leitores da sua coluna “Aquilo que detesto”, que não é nada mais que momentos fictícios da vida dessa personagem que expressam minhas opiniões acerca do que detesto.

Gosto de saber como o pessoal me vê. Quem não me conhece pessoalmente diz que eu pareço vegana, ativista pró-animais e plantas. Já chegaram a questionar minha sexualidade no personagem que eles criaram. Sabem que sou lésbica, mas não porque me relaciono com mulheres, mas em nome de um ícone de resistência perfeito. Dou uma pausa, respiro e explico que leio Marx porque faço economia, e fumo maconha para me ajudar a digerir o assunto(você fará as análises mais complexas sobre lutas de classes até assistindo Lua de Cristal, perguntem a Noire xD). E quanto à magreza, não é pela falta de uma chuleta – apesar de eu realmente odiar carne, tenho traumas com consumo de sangue(não queiram saber) -, sequei de ruim mesmo, pessoa amarga, sabe? E claro, herbalife e leucemia em seguida.

Sempre fui solitária, o problema é que muitos enxergam isso como uma coisa ruim, inclusive minha mãe. Então, para amenizar essa grande dor que ela acreditava que eu sentia, comprou um gato pra mim. Só que além de eu odiar animais, principalmente gatos que lambem com língua áspera e aparecem na calada da noite nos piores cantos para assustar, eu tinha asma, bronquite e alergia a pelos. Enfim, não existia um animal pior para ser comprado.

Então, com aquela moda de “livros são seus amigos” propagado por empresários que possuem filhos antissociais que odeiam ler para pessoas com o mesmo perfil, a fim de de incentivar à leitura dos piores romances infanto-juvenis com temas polêmicos, batizados de “literatura jovem adulta(YA)”, e até “livros adultos” com os personagens mais sentimentalmente infantilizados em homenagem aos trintões que moram com a mamãe e usam camisa de banda, ou escutam pop asiático se achando superiores por isso, minha mãe me comprou uma penca de best sellers norte americanos e Harry Potter. Assim, refleti que incentivo a leitura devia ser algo legal, mas eles marketizam tanto histórias de fantasia que são todas iguais, apenas modificando os aparatos daquele mundo fantástico e se apropriando de seres místicos da moda da época, pondo um romancezinho xexelento de uma pessoa bosta que recebe amor incondicional do galã/gostosa da história para dar esperança a esse povo tremendamente sozinho que invés de superar esse ódio pela leitura e essa timidez social arranjando amigos, lendo algo que acrescente em suas vidas, ou que realmente as divirta invés de apenas aliena-las, e caindo na real que galãs e gostosas só ficam com outros galãs e gostosas, preferem ficar submersos nessa cultura de bosta que apenas os tornam improdutivos para o mundo, vegetando em um patético universo fictício clichê as fazendo acreditar que foram as melhores coisas já escritas porque os ditadores dessa cultura, aqueles que apresentaram lixo a quem não tinha nada como única opção, disseram empurrando mais coisas “bem escritas já lidas” pra esses coitados que nunca leram algo além nem por curiosidade – e, pior, se recusam.

Lendo aqueles livros “para amenizar a minha dor de ignorante forever alone” que não existia, comecei pelos livros de fantasia. Desde criança que odeio fantasia. Não que eu me incomode com uma narrativa pobre mais focada em descrições de universos mágicos idênticos que só muda os nomes dos elementos da realidade e se apropriam de seres míticos da antiguidade como já expliquei para vocês. O que na verdade me prende é o trauma de infância que os fãs velhos de Harry Potter me trouxeram. Não existe ânsia mais marcante que observar as pessoas utilizando da ludicidade teatral para serem alvos de vexame na fila do cinema e ainda carregar plaquinhas de “Assistindo o documentário do messias com os trouxas” ou “Quem não está ridículo de fantasia imitando os fãs americanos, mesmo que esteja fazendo 40 graus embaixo dessa roupa, é trouxa”, enfim, todos que não são fãs retardados que querem ser bruxos do mundo criado pela JK.Roling e não fazem trocadilhos “super bem elaborados, sqn” são trouxas, algo ruim, porque não se sentem pessoas melhores por gostar de um romance infanto-juvenil e não fazem questão de se mostrarem inseridos em uma cultura como se os enaltecessem e respeitam quem não tem a mesma opinião sobre a historinha. Mas o que mais me marca é o fato de se sentirem vítimas do conservadorismo, mas condenarem novas modas fantásticas posteriores à sua “bíblia”, que os torna tão especiais. Os livros podem não ser tão chatos e clichês assim, mas os fãs os acharem revolucionários porque seus ditadores disseram e ditarem ser única porque se recusam a ler outras coisas e ainda rebaixar quem lê merdas parecidas porque não é essa merda, torna a obra insuportável por tabela. Pessoas que se sentem ofendidas por levar críticas às coisas que gostam como se tivesse falando da mãe deles e ainda argumentarem com números de vendas, como se fosse muito difícil encontrar pessoas do perfil de comprador descrito no início, é de dar ainda mais pena, porque comprova que a solidão corrói pra maioria. Mas minha mãe ainda não entendeu que para mim não, então me empurrou outro lixo, um filme de um escritor de best seller norte-americano – tinha que ser – chamado “A culpa é das estrelas”.

Sabe aquele tipo de história querendo pregar liçãozinha de vida com os personagens nas condições mais sobrenaturais – e ainda ditado com normalidade – mas são felizes, para você que é perfeitamente normal, mas é tão infeliz consigo mesmo ao ponto de ir atrás dessas merdas? Então, resumimos a história: menina com câncer terminal – claro – e sem vida social, devido as suas condições graves, arranja um namorado lindo, fazedor de metáforas estilo livros de autoajuda do Paulo Coelho, rico que paga passagem dos sonhos pra Europa em busca do escritor favorito(provavelmente de YA, se é que me entende) não só pra eles, mas para a família dela inteira, e curado do câncer há 12 anos(a partir de 5, já é quase nula as chances de voltar, mas quem não sabe fazer drama, tem que forçar a barra pra rancar lágrimas de adolescentes que choram porque tem a vida perfeita demais). Daí, quando estão no amor eterno condenado por causa das estrelas (pregado em todos best sellers norte-americanos), pós respiração boca a boca como perda de BV e perda da virgindade recíproca entre outros momentos lindos de superação como dar ovadas no carro de uma menina porque ela não quis mais namorar com o amiguinho deles – afinal, mulher é propriedade, tem que se prender a homem independente da vontade dela até que ELE descarte, do contrário está errado, e vai levar ovada por não ter tido peninha dele, sim! -, e serem maltratados pelo autor favorito dela, porque se ela idolatrou um livro a culpa de levar um tapa na cara ao descobrir que não há nada demais é dele, né, o príncipe arranja um supercâncer ultra potente e vai morrer em duas semanas, deixando sua donzela, que finalmente tem uma vida, sozinha(dramão, cara, nunca vi novela mexicana que chegue aos pés dessa comoção barata e gratuita), com direito a cartinha dada pelo escritor favorito que a maltratou(fenômeno literário YA, sqn). Em outras palavras, o maior diminuidor intelectual acerca de adolescentes desde Crepúsculo. Aliás, A culpa é das estrelas é um Crepúsculo com câncer sem o mundo fantástico(que é o único que acrescenta à obra) e frases “reflexivas” Paulo Coelho. Mais chocantes são os comentários dos que gostaram, pessoas saudáveis que mal tiveram gripe dizendo que é uma obra incentivadora, esperançosa pra quem tem a doença. Queridinho, a única coisa que eu senti ao assistir essa merda é o quanto as pessoas são aproveitadoras ao banalizarem uma doença séria para se sentirem melhor por estarem mortas de tédio por conta de portar uma personalidade tão vazia. A única representação que teve acerca de pessoas com câncer foi a de ter certeza que John Green não sabe o que é ser uma pessoa com câncer. Que esperançoso tem em uma obra que exagera pra caralho no drama de ter a doença só porque não consegue escrever um drama que comove sem apelar pra pastelão estereotipado? Não falem pelos doentes portadores de câncer, falem pelos doentes portadores de carência extrema, por vocês.

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