Todas somos Yara Sofia

Há um tempinho estou assistindo o programa Ru Paul drag race por indicação de uma amiga. Estou sofrendo emoções a flor da pele, nunca tive tantos momentos de risadas, decepções e frustrações em um período tão curto de tempo. Um capítulo em si me deixou em um choque tão grande, que simplesmente não consigo tira-lo da cabeça.

Desde o início da terceira temporada ao observar as integrantes eu pensei “cada vez as drags estão decaindo ou é impressão minha?”, sentia falta do brilho Ongina(outra perda que vai ser difícil superar) faltava, não parecia um concurso de drags, mas um concurso de bichinhas adolescentes.

Dentre todos os destaques, Yara Sofia sempre estava “a salvo”, foi só conforme a saída das meninas que ela de apagada começou finalmente a aparecer. Era simplesmente a mais esforçadas, todos comentavam isso. Então ela se sentia confiante, baseando-se no seu esforço máximo. Tinha tantas favoritinhas na série(inclusive a vencedora, Raja, o povo babava nela e na boa, ela chega a ser menos diva que a Tyra – outra vencedora controversa), gente que não tinha o menor talento de drag, mas estava ao seu lado, competindo no mesmo nível, imagina você numa situação dessa, eu me acharia terrível, sem a menor chance. Mas pelo sonho ela usaria o que tinha de melhor, e sempre dava de tudo para qualquer look ou tarefa que pudesse fazer. Quando ela venceu o primeiro desafio, ficou ainda mais confiante, ela sentia que podia sim ter uma chance, mesmo que somente o seu esforço estivesse a favor. Para ela foi simplesmente maravilhoso colher frutos do trabalho, estava mais radiante do que nunca. Um tempo depois ganhou um mini desafio que deixava a disputa final ao seu favor. Com base nisso, ela se esforçou mais do que nunca, as outras vezes trabalhou duro não pareciam nem existir perto da magia que ela estava fazendo. Ela ia conseguir, ela estava confiante, agora sim ela podia se garantir com algo além do seu enorme esforço. Ao mesmo tempo que estava confiante, estava sobpressão, todas as drags estavam, esse desafio iria definir o tão esperado top 3. Sua amiga ia desistir, ela então parou todo o super look que produzia para ir ajuda-la, conforta-la, falar que também estava nervosa caso se esforçasse como sempre fez conseguiria, e o mesmo valia para todos, inclusive para a amiga. “Você venceu 4 desafios!” ela disse, para ela isso significava preciosidade, pois era reconhecimento do grande esforço, e isso ela tinha de sobra, mas ganhou apenas dois e muito sofrida. A amiga então se reergueu e ela voltou a fazer seu esperado look, dublar maravilhosamente a música e dar tudo de si para que tudo desse certo e ela estivesse entre as 3, as únicas concorrentes a coroa de “Rainha das drags”.

Ela se expôs sendo totalmente sincera do porque queria ganhar a corrida, disse que queria ter o sonho americano de fazer o que quisesse, coisa que ela não tinha na cidade de origem. Todos elogiaram seu trabalho, disseram que foi magnífica no palco, mas um dos seus looks, o de gala que ela demorou tanto tempo para fazer dando todos os recursos que tinha inclusive os que tinha ganho no mini desafio, recebeu a crítica de “muito carregado”. E graças a esse pequeno erro e um dos três looks, não levando em conta nem a sua apresentação no palco, nem nada disso, fez com que ela tivesse que “dublar pela vida”, isso é, fazer uma performance de dublagem ao lado da mesma amiga que ele encorajou a voltar para a competição. Era uma chance de estar entre as três, mas era a chance que as perdedoras ganhavam. Yara simplesmente não conseguiu suportar o fardo de que mesmo depois de toda a corrida, toda a energia que tinha fora totalmente gasta no programa, que todo seu sangue – nunca vi uma crítica de que o trabalho estava desleixado, mas até a Bebe(primeira rainha das drag) recebeu essa crítica – tinha sido derramada para no final estar nessa posição. Ela então começou a dublagem e em seguida se atirou no chão aos prantos desistindo de toda a corrida. Tudo que sobrou foi a sua amiga que mais cedo foi encorajada por Yara a continuar na competição chorando pela desistência da amiga.

Mais tarde, Yara disse que guardou muitos sentimentos ruins, rancores e frustrações por ter dado sangue a cada prova enquanto outras estavam a salvo por favoritismos, questionando até mesmo umas que levaram a melhor por vulnerabilidade, não por trabalho duro, que foi pelo que ela mais batalhou.

Quem nunca se sentiu uma Yara Sofia? Aqueles que se esforçam a vida inteira em busca de um sonho, abrem mão dos melhores momentos, rejeitam os mais apreciados confortos e quando quase chegam lá, os botam de novo no início da pista por um pequeno erro, até menor que os dos outros ao seu lado? Não importa tudo o que percorreu, eles se importam mais com o produto, que para piorar é bom, mas não o suficiente para eles, porque não está exatamente como eles querem. Foi uma cena de 30 minutos, uma série de 12 horas, mas me fez lembrar uma vida inteira. Eu conquistei muita coisa, mas – creio eu que isso é normal – perdi o dobro por tão pouco. Foi como uma encenação da vida. a vontade que eu tive foi de fazer um estudo científico só sobre essa cena.

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