396309_375745229175001_1979456576_n

Freud chamou de “feridas narcísicas” os acontecimentos que desde a modernidade golpearam a autoestima da humanidade: com Copérnico(heliocentrismo) o homem deixou de estar no centro do Universo; Darwin(evolucionismo), deixou de ser o centro do reino animal; com o próprio Freud(inconsciente), deixou de ser o centro de si mesmo. A esses três, pode-se acrescentar Marx(luta de classes), com o qual o ser humano deixou de ser o centro da história.

Top 5 de fanfics que se deve ler – parte IV

Olá, fiquei bastante tempo sem fazer esses tops porque sou uma preguiçosa. Espero voltar em breve a fazê-los e promover as fics mais marcantes do mês para quem curte minhas indicações. Se já tiverem lido as fics, aproveite e depois venha fofocar comigo o que achou. Se ainda não as leu e está querendo uma indicação, leia apenas a sinopse, pois os comentários estão com conteúdo spoilativo. Boa leitura.

1 – Efêmero, Verônica(onewdubu)

O Hanami é considerado um dos eventos mais belos do Japão. A delicadeza do desabrochar das cerejeiras é tão importante aos nipônicos que se é observado(coberto por redes midiais locais) o abrir do primeiro botão de Sakura daquela determinada região. A paisagem fica tão bela que todos os japoneses saem de casa para contemplar, independente da locação(muitos comemoram o feriado até em cemitérios). Mas não se trata só de estética, o foco principal dessa comemoração é a reflexão de um conceito chamado Mono no aware, que significa o aproveitamento máximo da felicidade momentânea; afinal, como a vida, a beleza daquela Sakura é efêmera, isto é, dói porque sabemos que vai acabar, e rápido.

Tratando-se da concretização do Hanami, a fanfic Efêmero aborda de forma profunda o Mono no aware com a história de Sakura, uma menina que tem uma doença terminal, é adotada com muito esforço – devido o conhecimento prévio de seu problema de saúde por parte das pessoas que procuram por adoção – por um casal chinês homoafetivo presente em uma crise de relacionamento afetiva e social. Como as cerejeiras no Japão, Sakura faz o casal refletir quão bela e efêmera é a felicidade, a vida.

Comentários:
Levando em conta o tema, ainda que de forma implícita, o objetivo da autora foi cumprido quando o casal comemora realmente o Hanami com a Sakura concretizada. Mas senti falta de alguns aspectos como a presença da própria Sakura nos eventos de reconciliação. Faz um tempo que li a fic, mas lembro que de todos os episódios, Sakura mostra-se mais como uma ferramenta de reatamento do casal do que o significado da efemeridade da vida. Digo isso porque apenas dois momentos com esse significado me marcaram, com exceção do final; o encontro na praia e a chegada de Sakura na confecção do quarto. O foco principal foi a resolução dos problemas que o casal tinha anterior a Sakura e a nova convivência pós Sakura, tudo isso quebrou um pouco o papel da menina, quase fugindo um pouco do que a Sinopse prometeu.

2 – Lolita, Moon(Kill-luhan)

Este é o cenário de Nápoles, Itália, no século XIX, posterior a guerras napoleônicas que fez o país dividir-se em oito estados soberanos, sem opinião popular, onde o direito de participação política era privilégio de alguns cidadãos ricos e poderosos: um povo que vive à sombra da religião, ligado a costumes ancestrais, com privação de tudo. (blog de referência conceitual: história do meu avô)

Lu, por causa do pecado abominável de contemplar o próprio corpo, que segundo seus pais, não nasceu como devia, é forçada a separar-se da família como castigo de seu superior patriarca, justificado pela vontade divina. Mas apenas essa punição não é suficiente para ganhar o perdão de seu Deus; somente o padre, o homem abençoado, pode absolvê-la.

Comentário
Frente a um tema complexo como religião e escatologia dogmática, a autora trabalhou com o tema igreja de dia, bordel de noite, dando uma leve abordagem de tráfico humano e o quão comum atitudes bizarras surgirem em tempos de desespero, como se encontrava a Itália na época relatada. A religião normalmente tem o papel de esperança quando o caos presente, o desespero cega trazendo eventos terríveis na história da humanidade, mas Lu provavelmente não teve apenas o motivo de seu pecado para ser entregue a instituição, ou castigada da forma que foi. Além do destino, existe também o planejamento de caráter unicamente humano. Teria sido vítima desta ferramenta, e por quê?

Essa fic foi tema em um clube da fic de Noireland e muitas pessoas não compreenderam o porquê de Luhan começar a se travestir tão tarde se o desejo de seus pais foi ter uma filha moça. Tirei a dúvida com a autora e o motivo não me satisfez de forma alguma: Luhan se travestiu somente na adolescência simplesmente por ser andrógino. O que mais incomodou não foi o mau aproveitamento da “transexualidade”, mas a identidade e opinião do Luhan frente a isso: ele odiava vestir-se de mulher, não se sentia uma menina, não era transgênero. Logo, toda a submissão ao seu pai e ao padre foi em vão se refletindo ela como uma “menina” frágil que pede perdão a tudo e a todos, mas em um estado de pura vulnerabilidade é super petulante com a freira. Muitas atitudes no decorrer da fic são postas em cheque se Luhan se identificava como um menino, o que faz pensar que o cross dress não passou de um fetiche, uma tag sobrando e neutralizando, até confundindo, eventos que fariam sentido se Luhan realmente tivesse sido educado como menina.

3 – Lucified, Noire(VenusNoir)

A palavra “trauma” em sua raiz etimológica grega significa lesão causada por um agente externo. Trauma psicológico é o resultado de eventos extraordinariamente estressantes que quebraram o senso de segurança, fazendo o traumatizado se sentir impotente e vulnerável e que leva a sentir-se vivendo em um mundo perigoso. Não são os fatos objetivos que determinam se um evento é traumático, mas sim a experiência emocional subjetiva da pessoa no evento. Quanto mais assustado e indefeso se sente, maior a probabilidade de você ser traumatizado. Como consequência, não apenas insegurança pessoal, solidão e opressão, mas em casos de um grande trauma, para sobreviver, o doente tende a amnésia. (blog de referência conceitual: Boreas)

Alguma coisa no passado fez Chanyeol ter a vida medíocre que tem hoje, ele sabe que a única forma de não acabar morto como seu amigo suicida Lay foi abrindo mão da vida de que tinha; família, amigos e principalmente sua escola. Só tem um problema, ele não sabe por que faz isso, mas sabe que tem que fazer. Em um evento inédito, seu ex-colega de escola que sabe mais sobre Chanyeol que o próprio, insiste que a única forma de poder ambos se ajudar é fazer Chanyeol se lembrar de tudo, mas conforme tenta fazê-lo, repara que talvez o sujeito não tenha se esquecido, mas abandonado o evento de tal forma que seu cérebro o programou para realmente não falar sobre isso.

Comentário:
O mistério é bom, mas garanto que é o menos atraente nessa fic devido à complexidade. A presença do objetivo está em toda parte, mas o romance está tão calculado, os personagens tão estruturados em seus devidos papéis que até se esquece o objetivo da fic por questão de distração. Isso não é uma crítica segundo o meu ver, porque eu realmente tenho dificuldade de desenvolver um romance misterioso sem focar, fazer questão de mostrar a todos que “há um mistério”. A Noir conseguiu desenvolver o romance com naturalidade, mas ainda sim vejo uma pontada de desespero ao desenvolver as pistas e pouco falar sobre o problema do Chanyeol. Parece as vezes que ela enrola um capítulo para evitar spoil com concisão e estragar uma futura surpresa. Acredito que seja proposital, mas as vezes me desespero juntamente com a autora, fico pensando “será que ficou tão natural quanto ela queria que ficasse?”. A fic ainda está em andamento, e quase chegando a metade, em contrapartida já estou tendo hipertensão pela espera, eu realmente não devia ter pedido spoil T.T, mas acredito que não seja o determinante da minha condição, já que a fic em si está incrível.

4 – Amor comum, Reeichel(miss-fan)

O sonho é uma experiência que possui significados distintos se for ampliado um debate que envolva religião, ciência e cultura. Para a ciência, é uma experiência de imaginação do inconsciente durante nosso período de sono. Para a psicanálise o sonho é o “espaço para realizar desejos inconscientes reprimidos” ou “mero subproduto da atividade cerebral noturna”… Recentemente, descobriu-se que até os bebês no útero têm sono REM (movimentos rápidos dos olhos) e sonham, mas não se sabe com o quê. Em diversas tradições culturais e religiosas, o sonho aparece como uma expansão da consciência ou é revestido de poderes premonitórios.(site de referência conceitual: Wikipédia)

O inverno estava chegando ao fim e Luhan se transformava. Galhos nasciam de seus dedos, folhagem logo na ponta. Uma árvore era o objetivo de sua metamorfose. Mas, humanos não viram árvores, não se culpa a chegada da primavera por uma bizarrice genética. De repente, acorda. Tudo não passou de um pesadelo traumático. Olhara no calendário, e a primavera vinha com tudo, e com tudo sentiu seu corpo mudar, ele estava realmente se tornando uma árvore. Com muitas vontades para realizar antes de deixar de ser Luhan, a única que precisava ser atendida era ver seu amado ex que abandonou há dois anos, por medo de viver, pela última vez enquanto se despedia da própria vida.

Comentário:
Essa One-shot concorreu a um concurso de tema primavera e infelizmente não chegou nem a ser classificada. Fico surpresa porque apesar de abordagem simples, a autora trabalha com lembrança e fantasia de forma tão cuidadosa, corrido, mas profundo e impactante, exatamente como um conto deve ser segundo Allan Poe(o primeiro teórico literário a conceituar o conto de forma dissertativa), e a criatividade de abordar um tema tão genérico quanto primavera sem fuga ao tema, ou clicheirismos muito fáceis de cometer. Além da contemplação da estrutura bem feita, é possível uma breve reflexão do que é belo e lamentar o fim sem exacerbação de lágrimas, ou aqueles pastelões de arrependimentos. A fic é profundamente dramática, mas de forma delicada, sem vulgaridades com protagonistas e antagonistas como nos contos de fadas ou novelas mexicanas. Nada me deixou com sentimento de falta, talvez por se tratar de algo brevíssimo, como a vida de um casal que se passou em uma noite através de reflexões quanto a recordações e o próprio momento da passagem para o fim, um começo não da forma que se espera, mas que acontecerá. Acontecimentos efêmeros, mas marcantes para os participantes. Isso é um amor comum.

5 – Porn Star, Hitokiri-chan(bloodmary)

Hikikomori é um termo de origem japonesa que designa um comportamento de extremo isolamento doméstico. Os hikikomori são pessoas geralmente jovens entre 15 a 39 anos que se retiram completamente da sociedade, evitando contato com outras pessoas. Em contrapartida, os adeptos dessa síndrome esbanjam a vivência virtual, possuem relacionamentos ricos com seus video-games, televisão, computadores e etc. As crises se dão, na maioria das vezes, por sentimento de impotência ou apenas uma escolha; eles podem não conseguir vivenciar o real, por isso foge para o virtual ou podem desprezar o real exatamente para viver mais o virtual.( Site de referência conceitual:Wikipédia)

Kyungsoo tem um namorado, seu namorado é namorado de todos os pervertidos que viram noites no computador buscando Kai, um brilhante e delicioso Porn Star. Mas não é apenas um Porn Star para D.O, Kai realmente era um Deus; fazia KyungSoo se aventurar escondendo pornografias no computador e dildos em tabuleiros de jogos infantis velhos para cultuá-lo. Kai sem dúvida era o ser que fazia a felicidade de KyungSoo enquanto em vida. Cansados do isolamento extremo do amigo, Sehun e uns colegas combinam de levar Kyungsoo para uma festa com a finalidade do moço ter a primeira experiência sexual, uma real, pelo menos. Como têm em todos os contos, KyungSoo e Kai cruzam as linhas paralelas do virtual e do real em um metrô, mas será a realidade tão idealizada a ponto de fazer KyungSoo preferir vivê-la?

Comentários:
Quem não gostaria de presenciar o momento com o bias? Ainda mais se ele for o ator pornô que mediou todas as suas punhetas posteriormente tirar a sua virgindade no seu primeiro contato com o real após longos anos de isolamento. A idealização é algo perigoso, a fic mostrou de forma clara uma vez que Kyungsoo começa a sentir ciúmes do namorado, mesmo que este emprego tenha sido o meio da paixão do menino pelo ator, quando vivencia a convivência com Jongin, não Kai. Contudo, a abordagem ficou fraca(não estou dizendo que era o objetivo da autora abordar real e virtual, na verdade, é apenas a minha visão frente ao texto dela) quando Jongin era o cara tão perfeito, tão romântico que abriu mão do emprego, apartamento, todas as conquistas só para fazer um fã, que conheceu por acaso, feliz. Por mais que ele tenha se apaixonado, Kai se mostrou o Deus do D.O tanto nos filmes, quanto na vida; ele foi tão romantizado, tão símbolo de perfeição maniqueísta, tão personagem de John Green, que neutralizou bastante a quebra que o D.O tem do real e o virtual, sendo o único fator de mérito o emprego de Kai: foi o início do relacionamento e igualmente fim.

Sei que as resenhas ficaram pretensiosas, culpo o tempo, faz muito tempo que as li(exceção Lucified que ainda está em andamento), mas foram as únicas que me incentivaram a dissertação. Espero que tenham gostado, as autoras estão conscientes das resenhas. Foi um prazer ler essas fics, espero que gostem também.

Ps: se for leitor de He is so pretty, Pink Tape ou Shi a princesa da morte, estou preparando tudo de uma vez, Julho nos aguarda(assim espero) xD
Kiseo ❤

Escutando: Psycho, History
Lendo: Fontes para me ajudar na conceituação dos temas

Todas somos Yara Sofia

Há um tempinho estou assistindo o programa Ru Paul drag race por indicação de uma amiga. Estou sofrendo emoções a flor da pele, nunca tive tantos momentos de risadas, decepções e frustrações em um período tão curto de tempo. Um capítulo em si me deixou em um choque tão grande, que simplesmente não consigo tira-lo da cabeça.

Desde o início da terceira temporada ao observar as integrantes eu pensei “cada vez as drags estão decaindo ou é impressão minha?”, sentia falta do brilho Ongina(outra perda que vai ser difícil superar) faltava, não parecia um concurso de drags, mas um concurso de bichinhas adolescentes.

Dentre todos os destaques, Yara Sofia sempre estava “a salvo”, foi só conforme a saída das meninas que ela de apagada começou finalmente a aparecer. Era simplesmente a mais esforçadas, todos comentavam isso. Então ela se sentia confiante, baseando-se no seu esforço máximo. Tinha tantas favoritinhas na série(inclusive a vencedora, Raja, o povo babava nela e na boa, ela chega a ser menos diva que a Tyra – outra vencedora controversa), gente que não tinha o menor talento de drag, mas estava ao seu lado, competindo no mesmo nível, imagina você numa situação dessa, eu me acharia terrível, sem a menor chance. Mas pelo sonho ela usaria o que tinha de melhor, e sempre dava de tudo para qualquer look ou tarefa que pudesse fazer. Quando ela venceu o primeiro desafio, ficou ainda mais confiante, ela sentia que podia sim ter uma chance, mesmo que somente o seu esforço estivesse a favor. Para ela foi simplesmente maravilhoso colher frutos do trabalho, estava mais radiante do que nunca. Um tempo depois ganhou um mini desafio que deixava a disputa final ao seu favor. Com base nisso, ela se esforçou mais do que nunca, as outras vezes trabalhou duro não pareciam nem existir perto da magia que ela estava fazendo. Ela ia conseguir, ela estava confiante, agora sim ela podia se garantir com algo além do seu enorme esforço. Ao mesmo tempo que estava confiante, estava sobpressão, todas as drags estavam, esse desafio iria definir o tão esperado top 3. Sua amiga ia desistir, ela então parou todo o super look que produzia para ir ajuda-la, conforta-la, falar que também estava nervosa caso se esforçasse como sempre fez conseguiria, e o mesmo valia para todos, inclusive para a amiga. “Você venceu 4 desafios!” ela disse, para ela isso significava preciosidade, pois era reconhecimento do grande esforço, e isso ela tinha de sobra, mas ganhou apenas dois e muito sofrida. A amiga então se reergueu e ela voltou a fazer seu esperado look, dublar maravilhosamente a música e dar tudo de si para que tudo desse certo e ela estivesse entre as 3, as únicas concorrentes a coroa de “Rainha das drags”.

Ela se expôs sendo totalmente sincera do porque queria ganhar a corrida, disse que queria ter o sonho americano de fazer o que quisesse, coisa que ela não tinha na cidade de origem. Todos elogiaram seu trabalho, disseram que foi magnífica no palco, mas um dos seus looks, o de gala que ela demorou tanto tempo para fazer dando todos os recursos que tinha inclusive os que tinha ganho no mini desafio, recebeu a crítica de “muito carregado”. E graças a esse pequeno erro e um dos três looks, não levando em conta nem a sua apresentação no palco, nem nada disso, fez com que ela tivesse que “dublar pela vida”, isso é, fazer uma performance de dublagem ao lado da mesma amiga que ele encorajou a voltar para a competição. Era uma chance de estar entre as três, mas era a chance que as perdedoras ganhavam. Yara simplesmente não conseguiu suportar o fardo de que mesmo depois de toda a corrida, toda a energia que tinha fora totalmente gasta no programa, que todo seu sangue – nunca vi uma crítica de que o trabalho estava desleixado, mas até a Bebe(primeira rainha das drag) recebeu essa crítica – tinha sido derramada para no final estar nessa posição. Ela então começou a dublagem e em seguida se atirou no chão aos prantos desistindo de toda a corrida. Tudo que sobrou foi a sua amiga que mais cedo foi encorajada por Yara a continuar na competição chorando pela desistência da amiga.

Mais tarde, Yara disse que guardou muitos sentimentos ruins, rancores e frustrações por ter dado sangue a cada prova enquanto outras estavam a salvo por favoritismos, questionando até mesmo umas que levaram a melhor por vulnerabilidade, não por trabalho duro, que foi pelo que ela mais batalhou.

Quem nunca se sentiu uma Yara Sofia? Aqueles que se esforçam a vida inteira em busca de um sonho, abrem mão dos melhores momentos, rejeitam os mais apreciados confortos e quando quase chegam lá, os botam de novo no início da pista por um pequeno erro, até menor que os dos outros ao seu lado? Não importa tudo o que percorreu, eles se importam mais com o produto, que para piorar é bom, mas não o suficiente para eles, porque não está exatamente como eles querem. Foi uma cena de 30 minutos, uma série de 12 horas, mas me fez lembrar uma vida inteira. Eu conquistei muita coisa, mas – creio eu que isso é normal – perdi o dobro por tão pouco. Foi como uma encenação da vida. a vontade que eu tive foi de fazer um estudo científico só sobre essa cena.

Fundo do poço por uma nova identidade

De um dia para o outro, me internei. A primeira sessão de quimioterapia ia ser póstumo. Estava acostumada a dormir com a minha mãe, naquela noite dormi sozinha, na UTI. Não estava acreditando que uma doença tão grave alastrava o meu corpo, eu não estava assim tão mal. Um corpo que não está acostumado sequer com dipirona, agora estaria sendo bombardeado por quimioterapias muito agressivas. Era uma doença se sugando de um lado e o tratamento me sugando de outro. Como foi o primeiro contato, chorei pela dor, enjoos, e todos os desconfortos que aquilo me causava. Minha imunidade estava tão baixa que tomei banho no leito. Meu corpo sequer era tocado por mim. Ia dormir novamente sozinha, chorei. O primeiro comentário acerca daquilo foi “Nossa, você está sensível demais”. Minha vida virou em um único dia, mas o direito de lamentar me foi tirado. Todos diziam que eu não era a única, que aquilo acontecia com todos. Nenhum deles tinham passado por isso, mas falavam coisas pra mim como se tivessem muita experiência. Eles exigiam forças, apesar de ser tudo tão novo. Eu teria que me acostumar com aquela rotina no ritmo deles, não no meu.

Depois de ver a morte pela segunda vez com uma infecção grave que consome os leucêmicos mais rápido que a própria leucemia aguda, chorei com a dor dos antibióticos venosos. Meu corpo estava tão sensível devido a quimioterapia, que minhas unhas estavam pretas. Eu simplesmente não tinha mais canais decentes. O enfermeiro, na cabeça dele, tentando me ajudar disse que nem crianças de dois anos com quem ele trabalhou eram tão frescas quanto eu. Ele nunca tinha passado por isso, mas sentia-se livre para opinar se meu sofrimento era válido ou não.

Essas pessoas não são de hoje. Elas são as mesmas pessoas que me perseguiram quando eu estava saudável. Que me aconselhavam a alisar um black tão lindo que só recuperei dez anos depois de cessão a essas pressões. Que me sugeriam odiar o meu corpo por não ser conforme cobravam. E odiei, por muito tempo. Tentaram invalidar minhas lutas a cerca da minha raça, chamando-me de “vitimista” apesar de serem todos o meu oposto, os privilegiados que jamais entenderiam a minha dor pelo simples fato de não serem os atacados, mas os que atacam. Tentar destruir uma ideologia que me salvou, não só a mim, mas a muitas mulheres. Era o que eu acreditava, nunca tentei converter ninguém como uma religião, era uma luta minha, mas se sentiam na responsabilidade de se mostrarem agredidos. Agredidos porque eu não me destruía mais como eles queriam.

Ceder a tudo isso que provavelmente me adoeceu. Que me fez desejar a morte, e agora reforçam para que eu a espante da mesma forma que me fizeram querê-la. Pois eu digo, não escuto mais ninguém. Não foi agora que eu me libertei. A partir do momento que a medicina e os religiosos disseram “você está viva”, eu disse “eu sei”. E-U sei. EU SEI!!!

E toda vez que alguém quiser me lembrar de algo, seja tentando me reprimir ou oprimir com comentários gratuitos ou opiniões que ninguém pediu, me lembrarei sim. Lembrarei que estou viva, antes de que qualquer um tente me lembrar minhas condições, se foi ou será, eu lembrarei do presente. O presente que apenas eu conheço, que apenas eu sei.

Cabeça cheia

Pensei em escrever sobre feridas compulsórias que cicatrizaram sem sequer abrir. Unguentos, analgésicos, remédios seja de cura ou tratamentos que durassem uma vida. Mas finalmente decidi mudar o repertório.

Uma vez citei em uma história que criei para uma amiga em que o maior problema da personagem era a paixão por presentificar o passado. O que ela não sabia é que esses ataques não eram para ela, mas para mim. É ela quem estuda o que aconteceu, como o ser humano se adaptou do início aos dia de hoje. Ela com certeza vive lembranças, lamenta arrependimentos e olha para trás a fim de enxergar o que está a frente. Mas tudo parece tão positivo para ela que seu pretérito não é um buraco, mas um degrau.

Eu até me inspiro, mas dizer que sigo seus passos seria uma mentira para mim mesma. Enquanto seu método é uma pílula medicinal para mantê-la firme para mais um dia, a mesma atitude me adoece a cada dia. Talvez o efeito da mesma droga seja oposto pela forma que utilizamos. Ela deseja sua melhora e eu inconscientemente me agarro à doença porque no fundo sei que é mais fácil acabar com tudo do que lutar por uma sustentação sólida, que me segure até a queda vir apenas de um falecimento, isso é, morte por causa natural.

Foi focar tanto sobre o que aconteceu ou comparar o que acontece pelo que eu vivi, até mesmo temer o que vai acontecer porque certas coisas se foram que a doença se alastrou de tal modo a ponto de eu precisar de uma real cura.

É um tanto complexo falar de unguento sem citar as feridas. Se levar em conta que as feridas são metáforas ao pretérito, unguento o presente e a cicatrização um futuro – em que futuro é o que se deseja alcançar, não um presente que nunca chega – é mais fácil relacionar ao que quero chegar.

Os tratamentos são dolorosos, seja tomar injeção, ingerur uma pílula com efeitos colaterais dos leves como gastrite ao coma induzido, mas me tratando – algo que sempre temi fazê-lo, por isso preferia me apegar a doença, achando o caminho mais fácil -, mesmo sentindo na pele um remédio tão corrosivo que divide as chances de salvar meio a meio com as de matar, não chegou nem perto do que a doença me causou.

Foi tanto tempo guardando pequenas coisas, expulsando grandes bolas de neve incompletas, temendo o que não tinha que temer. Pressão de si sobre si, ansiar por uma melhora na ansiedade. Cheguei a me confundir com nada, eram grandes alardes sobre a dúvida de ingerir muita informação devorando livros, escutando o que todos tinham a dizer ou se escrevia histórias tentando expulsar o que estava preso, toda a informação consumida na minha reprodução. Me faltou orientação.

Não quero acreditar que meus passos dependam de uma pessoa, mas não posso mais temer ser um futuro estorvo para alguém. Eu aceito que preciso de ajuda, não posso mais negar que não consigo fazer tudo sozinha, carregar o que eu estava carregando e tentar consertar erros que não precisam de conserto – nem podem -, mas aprendizagem em cima deles sem cobranças lamentáveis.

O tratamento funciona porque as feridas não me incomodarão mais. Estou aos poucos me sentindo a vontade para falar sobre isso; ainda me sinto incompleta, não consigo dizer nada de forma direta por falta de preparação, lembranças e pensamentos ainda martelam, porque como eu disse, as feridas não me incomodarão, mas ainda incomodam.

Eu espero que após a quimioterapia, não somente meu corpo se renove, mas a minha forma de lidar com o emocional. Até mesmo para nada disso se desencadear de novo. Elas tinham se cicatrizado sem abrir, agora ela estão abertas sem nenhum ponto para remendar. Os órgãos externos podem se fortalecer através do esforço, mas os internos não se fortalecem, não importa o quanto treina. O mesmo vai com a mente. Se quebra um osso, o trauma pode ser revertido com gesso ou repouso; quando se quebra uma mente é irreversível. O emocional é mais sensível do que se pensa, aprendi sobre unguentos da pior forma.

Espero que quem se nega a pedir ajuda na área, mude de atitude como eu mudei. Aprender pela dor é pior do que se pensa. É tão importante enfrentar as coisas, evitar o conflito muitas vezes é a resposta inadequada. O caos também é importante, ele trabalha ao lado da harmonia, é assim que o equilíbrio universal funciona, os opostos são importantes.

Tudo que eu quero é viver o presente, planejar o futuro e ao recordar o passado, que não me doa mais. Quero olhar para trás e não sentir mais nada. Lembrar sem viver tudo de novo. Só assim vou saber que cicatrizou.

Sobre o fim de Naruto

Não vou dizer que não tive tempo(apesar de muitas internações terem ocorrido), foi exatamente a preguiça que me consumiu a ponto de ter demorado quase um mês para escrever(e ainda ficar extremamente informal) sobre o final do mangá do meu anime favorito. Que, diga-se de passagem, odiei. Mas, não odiei tanto quanto achei que fosse odiar ao receber spoil. Digo, muita coisa que aconteceu mais pareceu um improviso puramente comercial, mas o final do protagonista Naruto ao menos aparenta ter tido planejamento. Vamos por partes.

Ps: eu falo palavrão, mas claro, sem ser racista, machista, homofóbica e essas coisas. É mais tachativo do que ofensivo. Só estou avisando antes pra saber o conteúdo que irão ler.

Capítulo 693 ao 698 – Foram cinco volumes lindos do Naruto dando o seu máximo para convencer o amigo a parar com a palhaçada de querer roubar o único sonho que tinha(ser Hokage) antes de conhece-lo e, agora, ter o amigo de volta em casa. Frases de efeito como “A luta pelo amor e o poder” somado aos flashbacks da amizade deles na infância e o fim que os parou, nada mais nada menos que perderem os braços de mãos dadas formando um coração de sangue, já era SasuNaru o suficiente. Mas não, Kishimoto fez questão de finalizar a luta com o Sasuke praticamente se declarando para o Naruto, dizendo o quanto Naruto mudou sua vida e o quanto se sentia dependente dele; as coisas que o loiro já falou em sua posição sobre o amigo em uma saga que basicamente tratava-se de “salvar” Sasuke da própria ambição que antes da guerra ou da corrupção da Akatsuki não interferiria em nada relacionado a vila, somente a ele mesmo. Mas o amor de Naruto no fim era recíproco, e Kishimoto mostrou isso da forma mais linda que conseguiu.
Ps: quando eu uso o termo “sasunaru” me refiro ao relacionamento que Kishimoto disse sobre o Naruto e o Sasuke, não um típico carnal, mas um amor inconsciente.

Capítulo 699 – Pra mim, se acabasse aqui, ninguém perderia nada. Kakashi se torna Hokage e consegue a absorção de Sasuke na vila. Absolvido, ele se desculpa com a Sakura por todo o desprezo gratuito que deu a ela ao longo do crescimento do time 7 e agradece todo o trabalho do grupo durante todos esses anos não terem desistido dele. Logo em seguida, ele vai embora da vila afirmando que como um desertor, queria conhecer o mundo. Esse sentimento de liberdade e independência SEMPRE foi um princípio do personagem, o que refletiu suas ideias para ser um Hokage(o fato de aguentar a solidão por ser algo que faz parte dele), ou ser o único sobrevivente Uchiha. Enfim, não teve fim melhor para o Sasuke.

Capítulo 700 – QUE COMECE A PALHAÇADA
Explicando: como não manjo dos inglês, vi aquelas criancinhas e me assustei. Um sentimento de revolta tomou conta de mim “será que Kishimoto é tão vendido que cedeu a pressões de fanzinhas e tonou o fim do mangá sem noção só pra ganhar dinheiro?”, com um anime que tem mais filler que capítulo canon, mais enrolação que história, não era pra eu ter ficado tão surpresa com o fato do Kishimoto ser mercenário. Gente, a coisa ficou tão shoujo do nada que eu até pensei que era doujinshi. A começar de todo mundo resolver casar com todo mundo e ter filhinhos com característica de um e outro, me senti mesmo uma analista de fanarts no tumblr.

Quando eu finalmente li a história, vi que não foi tão mal e ao mesmo tempo foi pior. Vamos aos secundários: Chouji e Karui. Cara, o que a Karui tem a ver com qualquer coisa? Ficou tão “Já que vamos casar todo mundo, pega aquela menininha lá da aldeia do raio pra casar aqui com o gordinho que ficou sem ninguém.” Nem o The Last vai conseguir explicar essa jossa. Pelo menos a Chouchou é fofa.

Sai casando conseguiu ser mais dafuck que ChouKaru. Mesmo que Danzou tenha morrido, ele continua sendo um ninja Anbu. Hokage nenhum, nem mesmo o Naruto que segundo o povo da guerra “mudaria o mundo ninja” conseguiria modificar um sistema milenar da noite para o dia só pra que ele possa fazer couple com a Ino. Mas o no sense não para por aí…

Sakura como mãe solteira que teve uma filha do Sasuke –que continua viajando mundo afora desde o fim da guerra, ou seja, como? – sem ter se envolvido com ele. Pra mim, o fim da Sakura foi o pior e a maior prova de que Kishimoto é um machista de marca maior. Já comentei no tumblr a minha opinião sobre o tratamento que Kishimoto dá pras personagens femininas: luta contra qualquer vilão = meio clássico mais a saga do shippudden inteira pra sennin morrer, jounnin se lascar, uau, como Orochimaru e Zabuza são fodas(vilões iniciais que mais pareceram bostinhas conforme o anime evoluía), a luta do Madara com os kage que foi puta covardia por exalta-lo tanto em uma Reencarnação Impura totalmente controlada. Enfim, Madara era tão poderoso no mangá que nem Hashirama que matou uma vez tava dando conta com a ajuda de TODOS os ninjas, foram capítulos e capítulos de desespero, desesperança e adrenalina e nossa, O vilão. Luta contra a Kaguya, que é a raiz de toda história = três volumes no máximo pra ser derrotada por gennin com as lutas mais boçais de todo o mangá. Foi como ejaculação precoce segundo um amigo meu que tem pinto. A Ino que tinha um dos kekkei genkai mais fodas – só do fato de ter kekkei genkai já a torna especial – teve que virar médica por ser julgada inútil no clássico e ainda só desenvolver suas habilidades de Yamanaka no meio da guerra porque um homem mandou. Hinata faz parte do clã mais foda, enfrentou o Neji quase morrendo para provar pra ele que era uma ninja forte pra no final ser tudo igual, continuar sendo protegida(Neji morreu por isso, e logo agora que ele tinha praticamente se assumido para ela, mas pousou como santo casamenteiro falando “Naruto, agora você é um Hyuuga”, nunca vou superar essa morte tosca e sem sentido, como o Kishimoto pôde matar um personagem idolatrado só pra ele casar o Naruto? Ela já não tinha se declarado? ) e não confiando em si mesma, etc. Tsunade passou por toda superação pra no fim continuar lamentada por não casar e mantendo as feições do justu por vergonha da velhice(sem contar que todas as expressões dela de luta foram minimizadas se for contar com toda a ajuda que ela teve). A Temari que é mostrada como uma ninja forte tem um leque que simplesmente faz tudo por ela, ela é até lutadora de longa distância para ficar sempre na defensiva, isso não é ser forte para mim, mas para Kishimoto, em se tratando de uma FÊMEA, sim.

Mas com a Sakura todo o desprezo foi dobrado. Voltemos ao clássico. Qual a personalidade da Sakura? O que ela queria? Era uma menina inteligente, uma das melhores da classe, ela acreditava que podia ser forte, começou a trabalhar duro para acompanhar Sasuke e Naruto, enquanto eles treinavam com os sennins ela aproveitava suas habilidades de controle do chakra(atividade que ela sempre foi superior aos meninos, mas na hora do hush ela sempre era protegida, por que será?) para pedir ajuda não só para uma das sennins também, mas A HOKAGE, em troca de ser uma ninja médica digna. Estava tudo indo bem nas primeiras temporadas do shippuuden, ela curou o Kankuro – que estava envenenado com um veneno inusitado – com uma ervinha da esquina, tirou veneno dele com água da torneira, lutou contra um dos mais fortes da Akatsuki(Sasori era sublider, só ficava abaixo do Pain e da Konan), mesmo que ele tenha se entregado no final, todo o estrago que ela fez já brilhou de bom tamanho. Quando Naruto voltou, quando ela voltou ao time 7, voltou a ser inutilizada a ponto de até o Kabuto(que é inimigo) ter de cura-la. O seu momento de brilho intenso na guerra, superando até a Tsunade(que é referência de mulher forte) foi desprezado quando Sasuke e Naruto apareceram para selar o que devia ser o personagem mais foda do anime, mas no fim era só uma deusinha do sexo feminino, ou seja, Sakura pode ser forte, mas na frente de seus companheiros homens ela só serve pra deixar o grupo com três integrantes. Daí, para “melhorar” a situação, Kishimoto finaliza Sakura como uma dona de casa e mãe da filha do Sasuke(que não sei como foi feita já que Sasuke ainda está vagando pelo mundo); adeus sonhos, adeus treinamentos, adeus função de ninja médica, adeus todos os esforços que sempre eram inutilizados por homens. Basta dar uma criança do homem que ela “amou” – apesar de ele não só tê-la desprezado o anime inteiro, como também disse ao Naruto que nunca se interessou por ela antes de fazer as “declarações de amor” para ele (q) – e pronto. Fim da Sakura no anime. Porra, mano, quando eu vi ela naquele aventalzinho branco limpando a estante eu quis vomitar. Devia ter casado ela com o Rock Lee, ou não casa-la, transforma-la em uma mulher independente e forte que ela sempre quis ser fazendo as medicinas lá no hospital, que tal? Eu jurava que no fim ela superaria seus sentimentos pelo Sasuke e carregaria um legado de uma super ninja médica e talz. Não, tá pouco machista esse final, né? Ela ia acabar feliz conforme merecia, invés disso vamos alimentar os shippers (sério, tem gente que ignora a história dessa porra só pra shippar casalzinho, essa porra não é shoujo, tá) e dar um filho imaginário do homem que a detesta para essa linda dona de casa ex-sennin, ex-médica foda, ex-útil que já era inutilizada.

Mas veja pelo lado bom, a Tenten apesar daquela aparência de submissa chinesa (piada colada do Naruto SD), no fim era a mais autossuficiente das mulheres, isso é, ela nunca se mostrou gostar de ninguém, e não gostava. Casou com ninguém, manteve-se no mundo ninja ostentando sua paixão por armas. A princípio, ser uma ninja para ela era ser uma ninja, não fortalecer-se pra ficar com homem, nem fazer couple com quem ficou sem mulher por aí, nem nada disso. Era só ser uma ninja.

Kakashi e Gai no final juntinhos jogando fez tanta a alusão a casais homossexuais da terceira idade no Japão. Será? Mesmo que não, adorei.

Nem me importei com o final NaruHina(já que esse foi o único assunto que bombou sobre o fim por parte dos fãs), mas achei lindo o Naruto casar e ter filhos, podia ter sido com qualquer uma, até com a “assexual” Tenten. Achei tudo a ver ele casar e talz. Acho que de todos do time 7, o final do Naruto foi o único bom, do Sasuke teria sido bom se ele não tivesse engravidado a Sakura pelo olhar, já que ele continuou seguindo seus princípios. Parece que no fim, só quem se lascou mesmo foi a personagem feminina. Inesperado? Tanto quanto saber que no próximo capítulo do anime, será uma filler.