Entre os muros da escola

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A visão de professor que boa parte dos estudantes ocidentais possui é a de “um mestre” provido de luz(conhecimento) que ilumina seus alunos(termo etimologicamente latino de “luminis” + negação “a”, que significa “sem luz” literalmente). Em outras palavras, uma pessoa superior por obter mais conhecimento. Essa ideia surgiu na Idade Média, juntamente com a pedagogia tradicional.

François, um professor de francês recém-formado, possui a visão de interação aluno e professor muito fresca, uma vez que passará para geração escolar a frente o que tivera em um passado recente. A turma abordada no filme é considera “a pior” da escola, predominante estrangeira, as dificuldades quanto à gramática do idioma será um desafio a mais ao tutor.

Inicialmente, observamos um professor rígido, obriga seus alunos a pedirem licença até para ajudá-lo a solucionar um problema ocorrido em sala. Seus aprendizes são divididos em pessoas influentes que o respeitam como o caso do chinês Wey, famoso na sala dos professores como o melhor aluno da escola, e a aluna delegada de turma, Esmeralda, que lhe falta com respeito ao ponto de ser chamada de vagabunda pelo tutor.

Entre as duas realidades, tanto a de professor no conselho de classe convivendo com diversos outros professores desmotivados, quanto a de tutor em uma sala de aula vivenciando bastidores dos alunos, coloca-o em uma situação arriscada: o aluno  Souleymane agrediu uma colega – sem querer – e está prestes a ser expulso da escola. Contudo, todos sabem que ao sair da escola, o aluno voltará para o Mali, tendo de abandonar os estudos, e perderá a chance de se tornar um profissional na França. No mesmo evento, o professor xinga a aluna, motivo do qual foi a causa da agressão ter ocorrido. O conselho de classe absolve o professor, mas pune o aluno, comprovando as diferenças escolares de peso hierárquico em cada papel.

Por outro lado, a etimologia de “aluno” em grego(considerada a correta por gramáticos portugueses) significa “filhos do saber”, tendo o papel do professor o de mãe. A interação entre mãe e filho é de que a lactante cuida e alimenta seu bebê, ela o cria compartilhando seus conhecimentos, tutelando-o a viver em sociedade. Já o filho, segue muitos dos conselhos de sua mãe, mas também a ajuda a enxergar a construção que sua época impõe, ensinando-a a adaptar seus ensinamentos via reflexões que ele tem. Em outras palavras, mãe e filho possuem ensinamentos mútuos, apesar da mãe mostrar de certa forma um papel de “superioridade” como instrutora.

Partindo dessa visão de aluno e professor, voltando ao aluno Souleymane, o professor reconhecia suas dificuldades em sala e um dos argumentos que utilizou para defendê-lo no conselho de classe – que o considerava o pior aluno da turma – foi que ele preferia valorizar o que o Souleymane tinha de bom ao dar sua nota, do que levar em conta só o ruim, como a maioria dos professores estavam fazendo. No momento do julgamento, quanto ao caso da expulsão, o professor tentou argumentar sua permanência na escola através do futuro que lhe esperava, caso tivesse que voltar ao Mali, nenhum professor sabia deste fato senão ele, isso mostrou uma presença maior do professor como um tutor, um educador, não somente “iluminar desprovidos de luz”.

A visão de igualdade entre alunos e professores também foi dividida: por um lado, seus alunos sentem-se a vontade em chama-lo de “filho da mãe” já que ele tem o direito de chama-los de “vagabundos”, por outro, todos foram capazes de conviver felizes no mesmo ambiente, abdicando qualquer diferença individual em sala que normalmente os tencionava, no final do filme quando todos, inclusive Souleymaner, recém-expulso da escola, estavam tendo uma partida de futebol no pátio da escola.

Levando em conta o espaço escolar em si abordado no filme, possui seus altos e baixos. Comprovam que a escola não é um lugar tão único de se aprender, já que a aluna Esmeralda afirmar não ter aprendido em sala, mas aprendera em casa através do livro “A República” de Platão, ensinando aos alunos um pouco de filosofia em um seminário individual supervisionado pelo professor François. Que se conclui a escola para segregar o perdedor e o vencedor ao comparar os discursos dos professores sobre o Wei e o Souleymane.  O professor é realmente um “Deus Sol” quando a aluna Angelina que foi destratada por François, fazendo o mesmo, sendo forçada a desculpar-se de forma superficial, que mais tarde, escreve uma carta afirmando ao professor que o respeita, e ficará longe dele para que não o incomode mais. Que é uma mera instituição no fim, quando uma aluna diz ao professor que o sonho dela não se liga ao que a escola está fazendo-a buscar. Que impõe aos alunos o francês como língua e cultura única a fim de equalizar o ensino a todos, mas acaba marginalizando, pois alguns mal sabem a língua, como Cherif que tentou corrigir a colega chinesa Fei, mas mostrou-se ainda mais inexperiente; ou do exemplo na frase utilizada pelo professor com o sujeito “Bill”, em que Angelina e Esmeralda implicam pedindo um nome árabe a fim de se sentirem melhor representadas, pois desconhecem a palavra.

Destarte, a convivência em sala permite tanto ao professor quanto aos alunos a tolerarem e respeitarem suas diferenças individuais, quando Souleymaner expõe seu memorial na sala, ou Wei cita seu autorretrato a todos. Ou quando a turma toda se juntou para defender Souleymaner, esquecendo de todas as diferenças sociais ou escolares que possuíam(inclusive, quem mais o defendeu foi Angelina – a aluna agredida – e Carl – o aluno que tinha mais intrigas com ele). Enxergar o papel do professor além do que a ideia medieval promete, mas como um educador que tutela, ajuda quando necessário, exemplo a Angelina que recorre ao professor sobre Souleymaner ter de desistir de seus sonhos na França caso seja expulso da escola. Mostrar a utilidade da escola como sistema importante de aprendizagem para o social quando Souleymaner é expulso, dificultando seu sonho que se realizaria de forma mais fácil através da educação escolar.

Entre os muros da escola foi um filme bastante rico para reflexões da vida escolar. Abordou um sistema que tão dividido, permite analisar duas teorias pedagógicas distintas e presentes quase fundidas no mesmo meio. 

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